Caso Transwolff e PCC: PM preso com R$ 1,2 milhão na mala diz que dinheiro é de empresário em SP

Operação da Corregedoria da PM prende policiais em SP Um policial militar aposentado preso neste mês com quase R$ 1,2 milhão em uma mala durante operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) que apura lavagem de dinheiro entre a Transwolff e o Primeiro Comando da Capital (PCC) alega que o valor pertencia a um empresário para o qual fazia segurança e não teria ligação com o caso. A confirmação foi feita nesta sexta-feira (27) ao g1 pela defesa do sargento aposentado Nereu Aparecido Alves, que já atuou nas Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), tropa de elite da Polícia Militar (PM). O nome do empresário não foi informado. Nereu foi um dos três policiais presos em 4 de fevereiro pela Corregedoria da PM suspeitos de envolvimento com o suposto esquema ilegal entre a Transwolff e PCC. O que diz o PM Sargento Nereu Alves alega que R$ 1,2 milhão em mala são de empresário que não teria ligação com a empresa de ônibus Transwolff Reprodução/Arquivo pessoal/Transwolff Segundo o advogado Márcio Antonio Sousa Ferreira da Silva, seu cliente deu essa versão no interrogatório feito pela Corregedoria. O valor em dinheiro localizado com o sargento Nereu no dia de sua prisão não possui qualquer vínculo com a Transwolff, tampouco era de sua propriedade. Trata-se de quantia pertencente a um empresário para o qual o policial prestava serviços há mais de um ano, fato que sera devidamente demonstrado nos autos. Ainda por meio do comunicado, a defesa de Nereu informou que seu cliente "é completamente inocente da acusação", e que o sargento, "após deixar a corporação, em 2020, foi contratado para prestar serviço de segurança nas instalações da empresa Transwolff." A defesa ressaltou ainda que, "à época da contratação, tratava-se de uma empresa formalmente constituída, que inclusive mantinha contratos com o poder público municipal". "O Sargento Nereu jamais recebeu qualquer comunicação oficial informando que a empresa estivesse envolvida em irregularidades, tendo se afastado do serviço em 2024", afirmou a defesa. O advogado argumenta ainda na nota que "exigir que um policial aposentado tivesse conhecimento prévio de algo que estava sendo investigado de forma sigilosa pelos órgãos competentes é algo absolutamente desarrazoado". E acrescentou que "não há qualquer indício de que o sargento Nereu tenha enriquecido ou obtido vantagem indevida. Ele não possui bens incompatíveis com sua renda, não tem patrimônio oculto, não possui movimentações financeiras suspeitas". Por meio de nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que "a Corregedoria da Polícia Militar esclarece que o inquérito sobre o caso está em andamento, sob segredo de Justiça". A Transwolff foi procurada pelo g1 para comentar o assunto, mas não retornou o contato até a última atualização deste reportagem. Operação Fim da Linha Operação Fim da Linha investiga se PCC usava empresas de ônibus para lavar dinheiro do crime e investir em agências de automóveis de luxo De acordo com a Folha de S. Paulo, Ricardo Barnabé é o empresário citado por Nereu. O g1 tenta contato com a defesa de Barnabé para comentar o assunto. Não há confirmação se o empresário foi ouvido pela Corregedoria da PM e se pediu à Justiça a restituição do dinheiro. As prisões dos PMs ocorreram no contexto da Operação Fim da Linha, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP, que apura, além de lavagem de dinheiro, os crimes de fraude em licitações públicas e organização criminosa. De acordo com os promotores, a Transwolff agia para favorecer o PCC. Os três policiais estão detidos temporariamente por decisão da Justiça Militar, no presídio Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo. De acordo com a investigação, eles fizeram segurança privada entre 2020 e 2024 para o dono da Transwolff, Luiz Carlos Efigênio Pacheco, o Pandora, e para Cícero de Oliveira, o Té. Pandora está preso, e Té responde solto pelos crimes. Nereu foi pego pela Corregedoria da PM com R$ 1.180.000 quando estava num imóvel em Bauru, no interior. Para a Promotoria, ele prestava segurança a dirigentes da Transwolff e participava do esquema criminoso que beneficiaria o PCC. A Operação Fim da Linha, desencadeada em 2024, indica que o aumento de capital da empresa poderia ter origem ilícita. O esquema incluiria “laranjas” e “CNPJs fantasmas” para ocultar a origem dos recursos. Diante das suspeitas, a Prefeitura de São Paulo abriu há dois anos, o processo de rescisão dos contratos com Transwolff. A defesa da empresa sempre negou vínculo com o crime organizado. LEIA TAMBÉM: Prefeitura de SP diz que SPTrans garantirá operação das linhas de ônibus da Transwolff após Sancetur desistir Esquema entre empresas de ônibus suspeitas e o PCC em São Paulo Arte/g1, com informações da Receita Federal