Governo recua em aumento de imposto de importação sobre smartphones

O governo fez um recuo parcial na medida que elevou a tarifa de importação para produtos eletrônicos e de bens de capital. Em reunião extraordinária do Comitê Executivo (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex), foram revogados os aumentos promovidos no início do mês para produtos como smartphones e notebooks, que voltaram às suas alíquotas de 16%. A alta para 22% nos telefones celulares inteligentes e para outros produtos eletrônicos havia sido explorada politicamente pela oposição, gerando forte desgaste para o governo nas redes sociais. Além do recuo nesses e em outros 13 itens, o Gecex reduziu a zero a tarifa de importação de outros 105 produtos de bens de capital e informática, atendendo a pedidos de empresas protocolados até o dia 25 de fevereiro. Como mostrou a coluna, a repercussão política da elevação tarifária de produtos eletrônicos, como smartphones, fez o governo considerar a possibilidade de revogar parte da alta do imposto medida. Com as pesquisas mostrando um fortalecimento da oposição a Lula e um movimento forte de redes sociais criticando a iniciativa, o governo pesou os prós e contras de sustentar a decisão. Na noite desta quarta-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu a iniciativa, argumentando que ela protege a produção nacional e defendendo que não vai gerar aumento de preços. Porém, explicou, a própria decisão traz uma possibilidade de revogação nos casos de produtos que não tenham similar nacional. Segundo integrantes do governo, a revogação parcial ou total do tarifaço sobre eletrônicos não teria um impacto fiscal tão relevante porque muitos produtos já são produzidos no Brasil e ainda há mecanismos como o drawback, que reduz os custos de importação de itens que são usados como insumos para vendas ao exterior.