O vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, disse que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, é um "ótimo candidato para tudo". Alckmin se referiu à possibilidade de Haddad disputar o governo do estado de São Paulo, num acordo que já teria sido feito com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na semana que vem, Lula e Haddad devem se encontrar para avançar no assunto. — O ministro Haddad é ótimo candidato pra tudo. Tem espírito público, experiência, capacidade de trabalho — afirmou Alckmin, que disse que não tinha sido convidado para a reunião entre Lula e Haddad. Alckmin citou números positivos da economia, atribuídos ao trabalho da Haddad na pasta da Fazenda. — Nós vivemos um momento importante do ponto de vista econômico. Inflação abaixo do teto da meta. Safra recorde, inflação de alimento caindo. O dólar que estava em R$ 6,30 baixou para R$ 5,12. Há uma expectativa de redução de juros. A Bolsa batendo recorde e os investimentos no Brasil também — afirmou. De acordo com o colunista do GLOBO Lauro Jardim, Haddad já teria sido convencido por Lula a disputar o governo paulista. A expectativa do presidente é que Alckmin possa fazer campanha por Haddad, no interior de São Paulo, especialmente entre setores do agronegócio, onde o nome do governador Tarcísio de Freitas tem maior apoio. Perguntado se permaneceria como vice de Lula na disputa presidencial deste ano, Alckmin não respondeu. O vice-presidente esteve em São Paulo na tarde desta sexta-feira, ao lado do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, anunciando mais R$ 70 bilhões em recursos para o programa Nova indústria Brasil (NIB). Desde que o programa de reindustrialização do país foi lançado, o BNDES já desembolsou R$ 300 bilhões. No mercado financeiro, gestores veem a candidatura do ministro Fernando Haddad ao governo de São Paulo, com poucas chances de vitória sobre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Para esses gestores, embora Haddad seja o principal nome do PT em São Paulo, o governador continua tendo um certo nível de favoritismo, já que tem a "máquina do estado" nas mãos. — Acho que tem um Tarcísio muito forte, com a máquina na mão. A expectativa de muita gente era que o Haddad poderia vir para o Senado, porque ele é o principal nome do PT em São Paulo para poder bater de frente com o governador. Mas, acho que o Tarcísio continua com um certo nível de favoritismo — diz Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos, que vê esse cenário com pouco impacto na corrida presidencial. Para Paulo Bittencourt, estrategista-chefe da MZM Wealth, o interior do estado, especialmente o agronegócio, apoia a continuidade de Tarcísio no governo paulista. Para o estrategista, mesmo que o vice-presidente Geraldo Alckmin ajude a fazer campanha pelo interior, ele já não tem o PSDB abrindo caminho como era no passado. — O Alckmin não tem nada a oferecer ao interior que fizesse os eleitores arriscarem uma mudança para o PT. Outro ponto ruim para o Haddad é que enquanto o Tarcísio tem uma série de obras para mostrar, o Haddad vai ter de ficar explicando o aumento dos impostos e os resultados fiscais que só pioraram — diz o estrategista.