O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, por não apresentar projetos para utilizar R$ 3,5 bilhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em obras de prevenção a desastres climáticos. A declaração foi feita durante o encerramento da 6ª Conferência Nacional das Cidades, em Brasília, nesta sexta-feira (27). Lula associou os desastres causados por enchentes ao descaso histórico com as populações pobres do país. O ministro das Cidades, Jader Filho, reforçou a crítica, apontando que os recursos poderiam ser aplicados em obras de contenção de encostas e macrodrenagem. Ele também criticou o governo anterior de Jair Bolsonaro, que destinou apenas R$ 6 milhões para prevenção, enquanto o atual governo investiu mais de R$ 32 bilhões nessa área, incluindo R$ 6,5 bilhões apenas para o Rio Grande do Sul. As enchentes recentes em Minas Gerais afetaram principalmente Juiz de Fora e Ubá, onde pelo menos 64 mortes foram registradas. Lula planeja visitar essas cidades neste sábado (28) para avaliar os impactos. O presidente defendeu a importância da prevenção, exemplificando que prefeitos devem evitar a ocupação de áreas de risco. De acordo com relatório do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), eventos climáticos extremos impactaram 336.656 pessoas no Brasil em 2025, gerando prejuízos de R$ 3,9 bilhões. A Defesa Civil Nacional autorizou R$ 6,19 milhões em repasses emergenciais para municípios atingidos em Minas Gerais, Piauí e Rio Grande do Sul. Durante a conferência, Lula também abordou a violência contra mulheres, defendendo campanhas conjuntas entre os Poderes e a educação desde a creche para combater a desigualdade de gênero. O evento, que não ocorria há 13 anos, debateu a Política Nacional de Desenvolvimento Urbano com foco em cidades inclusivas, democráticas, sustentáveis e com justiça social.