'Divórcio grisalho': entenda a decisão de mulheres acima dos 60 de recomeçar a vida

O fenômeno conhecido como divórcio grisalho – separações entre casais mais velhos, muitas vezes após décadas de união – vem ganhando destaque no Brasil e no mundo. Mulheres acima dos 60, cada vez mais conscientes de sua autonomia emocional e financeira, têm optado por recomeçar a vida, mesmo após longos anos de casamento. Especialistas afirmam que a maturidade traz menor tolerância à infelicidade e maior urgência por realização pessoal, tornando essas decisões mais visíveis e culturalmente significativas. Veja: Quais são os fetiches mais inusitados e ousados pedidos a influenciadores Nem genética, milagre ou filtro: o segredo por trás das coxas de Virgínia Fonseca, Lauana Prado e mais famosas Em 2024, o Brasil registrou 428.301 divórcios, considerando dissoluções concedidas em 1ª instância ou por escrituras extrajudiciais. O número representa uma queda de 2,8% em relação a 2023, quando foram contabilizados 440.827 divórcios, segundo dados do IBGE. Apesar de ainda não haver números oficiais de 2025, profissionais indicam que pessoas mais maduras têm demonstrado maior preocupação com sua felicidade e qualidade de vida. Após quatro décadas atuando na área de Família e mais de 12 mil casos acompanhados, o advogado Luiz Fernando Gevaerd observa mudanças profundas nos comportamentos afetivos e nas expectativas de vida. "O divórcio dos últimos cinco anos é muito diferente do de 40 anos atrás. As pessoas mudaram, os relacionamentos também e hoje há uma urgência maior em ser feliz", explica. Para ele, o movimento vai além dos números: reflete uma transformação cultural. Muitos casais permanecem juntos por décadas para cumprir compromissos familiares ou manter uma imagem de estabilidade até que os filhos cresçam, se formem ou tenham filhos. Mesmo assim, quando a necessidade de realização pessoal aumenta, romper o vínculo pode ser interpretado como um recomeço. "Pessoas de 60, 65 anos têm se divorciado para viver uma vida mais individualizada, que nem sempre significa solidão, mas muitas vezes uma forma de se sentir novamente participante e viva", diz o especialista. Especialistas em comportamento apontam que fatores como maior expectativa de vida, independência financeira, especialmente das mulheres, e menor estigma social tornam essa escolha mais viável. Pesquisas no Brasil e em outros países indicam que o número de separações entre pessoas com mais de 50 anos vem crescendo como parte de uma tendência global. Para o Dr. Luiz Fernando, a sociedade contemporânea valoriza cada vez mais a felicidade individual e a qualidade da convivência afetiva. "Elas estão mais intolerantes a manter situações infelizes, desgastantes ou abusivas. A busca pelo amor e pela felicidade continua sendo o norte", destaca. O advogado ressalta que, diferentemente do imaginado, a infidelidade não é a principal causa de divórcios nessa faixa etária. Muitos relacionamentos antigos terminam por desgaste gradual ou por falta de mudança comportamental ao longo do tempo. Quando o vínculo perde significado, a ruptura é vista como libertação, não como fracasso. Muitos clientes relatam anos de silêncio emocional. "Há casais que não se falam, não trocam palavra por anos e vivem na mesma casa. Chega uma hora em que aquilo perde o sentido", relata Gevaerd. Segundo ele, o envelhecimento hoje não é sinônimo de resignação. "Tem pessoas que se sentem muito mais vivas aos 65, 70 anos após um casamento longo. Elas querem desfrutar da própria vida sem carregar um relacionamento que já não traz mais felicidade", finaliza.