O ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União) praticamente fechou a contratação do marqueteiro de sua campanha ao governo da Bahia. Como mostrou o colunista Lauro Jardim do GLOBO, está tudo certo para assinar na semana que vem com João Santana, que já comandou as campanhas presidenciais de Lula, Dilma Rousseff e Ciro Gomes em campanhas presidenciais. É o marqueteiro mais experiente entre todos em atuação no país. Magno Malta: Moraes nega pedido para visitar Bolsonaro 'Por que resolveu cobrar ICMS da Shopee?': Em tom de campanha, Haddad faz 'provocaçãozinha' a Tarcísio no Flow Será a única campanha que Santana tocará integralmente este ano. Ele vai dividir a disputa na Bahia com o seu novo negócio: em janeiro, lançou o que batizou de Casa Virtual de Campanha, uma plataforma de IA para ser usada em todas as etapas de uma campanha política, seja por candidatos, marqueteiros ou assessores. Marqueteiro das campanhas vitoriosas de Lula em 2006 e de Dilma em 2010 e 2014, Santana retornou às disputas eleitorais em 2022 com Ciro Gomes, depois de ter sido preso na Operação Lava-Jato em 2016. Ele foi condenado pelo então juiz Sergio Moro a oito anos e quatro meses de prisão por crime de lavagem de dinheiro. Em delação premiada, o marqueteiro afirmou que tinha uma conta não declarada na Suíça, onde recebia pagamentos de campanhas realizadas por sua empresa por meio de caixa dois. Além de trabalhar com Lula e Dima, a agência de Santana atuou, entre 2003 e 2014, em outros países, como Argentina, República Dominicana, El Salvador, Panamá, Angola e Venezuela. Santana cumpriu prisão domiciliar até outubro de 2020. Sem poder trabalhar com política, ele participou, como backing vocal, da gravação de um disco de uma banda formada por dois amigos. Santana também assinou composições do álbum. No marketing político, uma das peças marcantes idealizadas por Santana foi um vídeo, usado na campanha de Dilma em 2014, que mostrava pratos de comida sumindo, para atacar propostas da então adversária Marina Silva. O material, veiculado no horário eleitoral gratuito, citava um suposto reflexo na vida cotidiana do projeto de garantir independência do Banco Central. É atribuída a essa peça o freio na ascensão de Marina, então no PSB. Chapa indefinida Na eleição deste ano na Bahia, o palanque de ACM Neto ainda conta com lacunas. Para a vaga de vice são considerados nomes como os prefeitos José Ronaldo (União), de Feira de Santana, Sheila Lemos (União), de Vitória da Conquista, e Zé Cocá (PP), de Jequié. Já o ex-ministro João Roma (PL) aparece como provável segundo nome ao Senado. — Estarei na chapa de ACM Neto para disputar o Senado. O PL está autorizado a se coligar com o União Brasil, PP, Republicanos e PSDB na Bahia — diz Roma, que integrou o governo Bolsonaro. A entrada do presidente estadual do PL no palanque de ACM Neto abre a possibilidade de um apoio do postulante ao governo estadual à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ao Planalto. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro vem encontrando dificuldade em formar palanques no Nordeste e, em anotações durante reuniões na sede da sigla, demonstrou interesse na composição na Bahia. No registro, o ex-prefeito de Salvador aparece como opção na disputa para o governo estadual, com uma anotação feita à mão ao lado: “Conversar 1º / depois tratamos do palanque completo”. Até o momento, não houve negociação formal para uma campanha conjunta na Bahia. Aliados de Flávio apontam que uma reunião com Neto deve ocorrer nos próximos 15 dias. A posição de Neto na corrida presidencial ainda é uma incógnita. O ex-prefeito declarou apoio a Ronaldo Caiado enquanto o governador de Goiás pertencia aos quadros do União. Mas, com a filiação dele ao PSD — sigla com outros dois pré-candidatos ao Planalto e que demonstra apoio ao governador Jerônimo Rodrigues (PT) no pleito baiano —, o terreno se abre para negociações. (Colaborou Luis Felipe Azevedo)