Antes de lançarem neste sábado (28) o primeiro ataque direto ao Irã após o início das tratativas diplomáticas para um novo acordo nuclear, os Estados Unidos reuniram sua maior força militar no Oriente Médio desde a mobilizada para a invasão do Iraque, em 2003. Com o destacamento de algumas das principais armas de guerra à disposição do Pentágono para a região, os americanos construíram superioridade sobre as forças iranianas, preparando um leque variado de opções para ações navais e aéreas contra a nação persa. Promessa de resistência: Trump diz que guerra contra o Irã seria 'facilmente vencida', mas imagens de satélite sugerem dificuldades Acusação faz sentido?: EUA e Irã se reúnem após Trump acusar Teerã de desenvolver míssil que pode atingir país A montagem da "Armada" do presidente Donald Trump contra o Irã começou com o envio de uma poderosa frota naval, composta por navios contratorpedeiros com capacidade de disparar mísseis Tomahawk, navios de combate litorâneo e dois porta-aviões — incluindo o maior do mundo, o Gerald R. Ford. As atualizações mais recentes da posição das embarcações mostra uma grande distribuição, do Golfo Pérsico, a poucas milhas náuticas do litoral iraniano, até o Mar Mediterrâneo, passando pelo Mar Arábico e o Mar Vermelho. Initial plugin text A frota oferece uma plataforma variada de ataques. Além dos já citados mísseis Tomahawk, capazes de superar muitos sistemas modernos de defesa antiaérea, o Pentágono anunciou em dezembro que conta com sua primeira unidade de drones de baixo-custo na área. Os equipamentos modelo LUCAS, de fabricação americana, foram incorporados a fim de reproduzir a tática de "enxame", muito utilizada na guerra entre Rússia e Ucrânia. Testes recentes foram realizados a partir do convés do navio de combate litorâneo USS Santa Bárbara, que se encontra no Golfo Pérsico. Embora analistas militares apontem que os drones podem cumprir missões arriscadas, sobrecarregar os sistemas de defesa iranianos e mesmo atingir alvos menos protegidos em solo, os EUA dispõem de condições para realizar ataques de alto impacto a partir dos dois porta-aviões deslocados — além do USS Gerald Ford, o USS Abraham Lincoln também está em uma zona operacional. Ambos servem de plataforma para o emprego de alguns dos aviões militares mais poderosos do mundo, incluindo modelos F-35 e F-18, capazes de realizar combate aéreo e efetuar bombardeios de precisão. 2702 EUA posicionam 'Armada' ao redor do Irã: Navios e aviões militares estão mobilizados no Oriente Médio Arte/ O Globo Helicópteros MH-60 também estão disponíveis tanto para atividades de bombardeio a alvos fixos quanto para combate a ameaças marítimas. As alas aéreas das duas plataformas também contam com aeronaves especializadas em interferência eletrônica. A estimativa é de que um total de 5,6 mil militares estejam mobilizados nos dois grupamentos de ataque completos. A superioridade aérea, principalmente, foi apontada por um levantamento recente do jornal The Wall Street Journal como a maior desde as guerras no Iraque e no Kuwait. Embora fique aquém dos dois eventos anteriores na quantidade total de militares envolvidos, a análise aponta que o poderio aéreo moderno permitiria aos EUA encontrar qualquer alvo no campo de batalha. Arsenal dos EUA no Oriente Médio: Extenso poderio naval e aéreo está posicionado perto do Irã Arte/O GLOBO poderio não diz respeito apenas aos jatos no convés dos porta-aviões. Uma série de caças, incluindo modelos F-22, F-16, F-15 e mesmo V-22 Osprey, de decolagem vertical, foram vistos em bases militares na região. Um número relevante de aeronaves militares está concentrada na Jordânia, no Catar e na Arábia Saudita — embora Riad tenha rejeitado anteriormente dar apoio a um ataque americano ou autorizar o uso de seu espaço aéreo. Em um desdobramento raro, confirmou-se no fim de fevereiro que a base de Ovda, no sul de Israel, recebeu caças F-22 Raptor. A Base Aérea de Muwaffaq Salti, no leste da Jordânia, também virou um dos principais eixos da mobilização da Força Aérea americana, tendo recebido desde meados de janeiro dois envios de aeronaves. Além dos caças, foi confirmada a presença de drones MQ-9 Reaper, um modelo altamente tecnológico usado para ataques precisos — equipamento diferente dos empregados na tática de "enxame". Imagens de satélite também indicam a presença de aeronaves de reabastecimento e reconhecimento. Opções de ataque ao Irã: Rotas incluem de ofensiva a partir do território americano até uso de bases no Pacífico Arte/ O GLOBO As opções de ataque não se esgotam no Oriente Médio. Quando atacaram o Irã em junho de 2025, os EUA lançaram bombardeiros furtivos B-2 de uma base americana no Missouri — em um voo que durou 18 horas até a chegada no território inimigo. Trump também já mencionou a possibilidade de usar a base militar Diego García, no Oceano Índico, em ações ofensivas. Entre os alvos prováveis de ataques, apontados por analistas, estão posições ligadas ao programa de mísseis iraniano, vistos por aliados regionais dos EUA, incluindo Israel, como a principal ameaça partindo de Teerã; bases militares, sobretudo aquelas operadas pela Guarda Revolucionária do Irã, principal força leal ao regime; ou mesmo um ataque direcionado a autoridades militares e políticas.