O chanceler do Irã, Abbas Araghchi, usou as redes sociais para reagir aos ataques dos Estados Unidos e de Israel e incluiu em sua mensagem uma provocação direta ao presidente americano, Donald Trump. Ao comentar a ofensiva, o ministro publicou uma captura de tela de um post antigo de Trump, feito em 2012, em que o então empresário acusava o presidente americano da época de considerar uma ação militar para recuperar popularidade. Na publicação resgatada por Araghchi, Trump afirmava que Barack Obama poderia lançar um ataque no Oriente Médio diante da queda em seus índices de aprovação. “Agora que os índices de aprovação de Obama estão em queda livre, fiquem de olho nele, pois ele pode lançar um ataque na Líbia ou no Irã. Ele está desesperado”, dizia a mensagem compartilhada pelo chanceler iraniano. Ao recuperar o comentário, Araghchi tentou sugerir que a atual ofensiva teria motivações políticas internas nos Estados Unidos. Pesquisas divulgadas nesta semana no país indicam que a taxa de desaprovação ao governo Trump chegou a 56%. O ministro também classificou a operação militar como uma ação “totalmente gratuita, ilegal e ilegítima”, afirmando que a decisão de Washington de atuar ao lado de Israel ampliaria a instabilidade regional e exigiria uma resposta de Teerã. Confira: Initial plugin text Escalada militar Segundo informações da AFP, Estados Unidos e Israel lançaram uma série de ataques contra alvos em cidades iranianas neste sábado, provocando explosões e colunas de fumaça na capital, Teerã. Fumaça foi vista sobre o bairro de Pasteur, onde fica a residência do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, e testemunhas relataram ter ouvido ao menos três explosões. De acordo com as forças armadas israelenses, o Irã respondeu com ataques retaliatórios. Diplomatas americanos no Golfo e civis israelenses receberam ordens para procurar abrigo. Os Guardiões da Revolução afirmaram que o país lançou uma “primeira oleada” de mísseis e drones contra Israel, em resposta aos bombardeios. O Ministério das Relações Exteriores iraniano declarou que os ataques atingiram a “integridade territorial e a soberania nacional” do país e classificou a ação como uma violação do direito internacional. Em comunicado, o governo afirmou que as forças armadas estão “totalmente preparadas para defender o país” e advertiu que os responsáveis pelos ataques “se arrependerão de seus atos”. Reações internacionais A ofensiva provocou reações imediatas de governos e organismos internacionais, que alertaram para o risco de escalada militar no Oriente Médio. Países pediram moderação e retomada do diálogo para evitar um conflito mais amplo na região. O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que a escalada em torno do Irã é “perigosa para todos” e disse que a situação precisa cessar. Em mensagem publicada nas redes sociais, ele defendeu a convocação urgente do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas e pediu que o governo iraniano devolva “a palavra ao povo”. Outros governos também se manifestaram. A Rússia classificou a ação como uma “aventura perigosa” que pode levar a uma catástrofe regional, enquanto China, Turquia e Índia pediram moderação e a retomada das negociações. Autoridades internacionais destacaram que uma escalada militar tende a ampliar os impactos humanitários e a instabilidade no Oriente Médio. Pressão de Washington e Tel Aviv O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a operação tem como objetivo eliminar “ameaças iminentes” do Irã. Em um vídeo publicado nas redes sociais, declarou que as forças americanas iniciaram “grandes operações de combate” no país. Trump também afirmou que pretende destruir a infraestrutura militar iraniana e ofereceu “imunidade” a militares que se rendessem, advertindo que, caso contrário, enfrentariam “morte certa”. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que a ofensiva busca remover o que chamou de “ameaça existencial” e apelou para que os iranianos se levantem contra o governo. Enquanto os ataques continuam, explosões foram registradas em Jerusalém após o disparo de mísseis, e sirenes de alerta também soaram no Bahrein e na capital da Jordânia, Amã. Irã, Iraque e Israel fecharam seus espaços aéreos ao tráfego civil. No cenário diplomático, os ataques ocorrem dias após negociações entre Estados Unidos e Irã em Genebra. Apesar das conversas, Trump afirmou na sexta-feira que Teerã não estava disposto a aceitar as condições apresentadas por Washington. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, deve viajar a Israel nos próximos dias para discutir a crise.