Brasileiros nascidos em 29 de fevereiro vivem dilema do aniversário

Eu vou confessar uma coisa, meu amor. Eu tenho um fascínio absoluto por quem nasce em 29 de fevereiro. Porque enquanto o resto do mundo sopra vela todo ano, esse povo vive num eterno suspense existencial. Faz aniversário ou não faz. Comemora em qual dia. Envelhece quando. Eu já fiquei nervosa só de pensar. Em média, cerca de 6,6 mil brasileiros nascem nesse dia raríssimo, que só aparece no calendário a cada quatro anos. Em 2026, que não é bissexto, o drama volta com força total. Grupo da família discute, WhatsApp ferve, gente defendendo 28, gente jurando que é 1º de março e o aniversariante só querendo um bolo sem questionamento. Mas calma que a papelada não entra em crise emocional. Os cartórios são claros e não fazem concessão sentimental. Se a criança nasceu em 29 de fevereiro, é essa data que fica registrada na certidão. Sem adaptação, sem jeitinho, sem puxadinho de calendário. A data vem da Declaração de Nascido Vivo, emitida pelo hospital e assinada pelo médico no momento do parto. E pronto. O papel é implacável. Quem explica isso é a Arpen-Brasil, que representa os registradores civis do país. Segundo a entidade, o oficial deve respeitar exatamente a data que consta na DNV. A comemoração em anos não bissextos vira uma escolha pessoal da família ou do próprio aniversariante. O registro, esse não negocia. Em 2024, último ano bissexto, foram registrados 6.483 nascimentos em todo o Brasil nessa data. Em 2020, foram 6.318. Já em 2016, o número bateu 7.100, recorde do período. Esses dados vêm da Central Nacional de Informações do Registro Civil, que reúne os registros do país inteiro. Ou seja, raro, mas nada simbólico demais para o sistema. A lei também não deixa margem para confusão. A legislação federal determina que o registro de nascimento traga nome, sexo, data, horário e município de nascimento, além dos dados da mãe. Pais precisam apresentar documentos pessoais e, dependendo do estado civil, comparecer juntos ou não ao cartório. Tudo muito objetivo, mesmo para quem nasceu num dia que o calendário insiste em desaparecer. O prazo para registrar o nascimento é de 15 dias, podendo se estender em regiões mais distantes. Fora desse prazo, o registro continua possível, mas muda o cartório responsável. Drama burocrático padrão, sem relação com a raridade da data. Agora, deixa eu falar como gente normal. Eu acho chiquérrimo nascer em 29 de fevereiro. É praticamente uma edição limitada humana. Enquanto o resto do mundo envelhece todo ano, essa galera brinca que só faz aniversário de verdade de quatro em quatro anos. Se isso não rende história boa em mesa de bar, eu não sei o que rende. O calendário pode até ignorar o 29 de fevereiro na maior parte do tempo. O cartório não ignora. E a fofoca agradece.