O ator, diretor e dublador Dennis Carvalho morreu na manhã deste sábado (28), aos 78 anos, no Hospital Copa Star, em Copacabana. A informação foi confirmada pela unidade de saúde ao GLOBO. Ele deixa três filhos: Leonardo Carvalho, Tainá e Luíza. Morre Dennis Carvalho, ator e diretor de novelas como 'Vale Tudo' e 'Fera ferida', aos 78 anos Diretor-geral de 'Vale tudo' em 1988, Dennis Carvalho relembra mudança de última hora em morte de Odete Roitman Em nota, o hospital afirmou que “se solidariza com a família, amigos e fãs por essa irreparável perda” e informou não ter autorização para divulgar outros detalhes sobre a morte. Com mais de quatro décadas de trabalho, Carvalho foi uma das figuras centrais da teledramaturgia brasileira. Dirigiu 36 novelas e atuou em 28 produções para a televisão, além de papéis no cinema e uma carreira como dublador em séries estrangeiras exibidas no país. Seu nome esteve por trás de produções marcantes e de mudanças de linguagem que influenciaram gerações de autores e diretores. O diretor que conhecia o maior mistério da TV Entre os momentos mais lembrados de sua trajetória está a condução de Vale Tudo, escrita por Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères. A trama entrou para a história ao mobilizar o país com a pergunta “quem matou Odete Roitman?”. Como diretor-geral da novela, Dennis estava entre as poucas pessoas que sabiam a resposta antes da exibição do último capítulo, no início de 1989. Segundo ele contou ao GLOBO anos depois, o plano inicial era que o assassino fosse Marco Aurélio, personagem de Reginaldo Faria. O rumo da história, no entanto, mudou após um vazamento na imprensa. Além de estragar a surpresa para o público, havia um concurso patrocinado pela marca de alimentos Maggi que premiaria espectadores que acertassem o culpado. Para preservar o suspense, os autores decidiram alterar a trama às pressas. Uma semana antes do final, Braga procurou o diretor em busca de uma solução. Dennis lembrou, na ocasião, que o autor perguntou quem no elenco “tinha cara de louca”. A escolha acabou recaindo sobre Cássia Kis, cuja personagem, Leila, tornou-se a responsável pelo disparo que matou Odete. Gravação sob sigilo A decisão levou a uma operação incomum na televisão brasileira. O desfecho foi gravado no próprio dia em que foi exibido, para evitar novos vazamentos. Parte do elenco foi convocada para o estúdio pela manhã, e as cenas finais começaram a ser registradas poucas horas antes de irem ao ar. No capítulo exibido em janeiro de 1989, Leila mata Odete ao confundi-la com Maria de Fátima, personagem de Gloria Pires. A revelação virou um dos momentos mais comentados da história da TV no país. Décadas depois, com o remake da novela escrito por Manuela Dias e a personagem agora interpretada por Debora Bloch, Dennis voltou a comentar o mistério. Em tom bem-humorado, arriscou um palpite sobre a nova versão: para ele, o responsável seria Afonso, papel de Humberto Carrão. Uma carreira que atravessou gerações A trajetória de Dennis Carvalho na televisão começou ainda na infância. Aos 11 anos, fez teste para participar de uma adaptação de Oliver Twist na TV Paulista. Passou depois pela TV Tupi e, mais tarde, construiu uma longa carreira na TV Globo, onde trabalhou por cerca de 47 anos. Como ator, participou de novelas como O Meu Pé de Laranja Lima, Pecado Capital e Brega & Chique. Na direção, esteve à frente de produções marcantes como Roda de Fogo, Explode Coração, Celebridade e Paraíso Tropical. Também dirigiu séries e programas que influenciaram a dramaturgia televisiva, entre eles Malu Mulher, Anos Rebeldes e o humorístico Sai de Baixo. Nos últimos anos, após se afastar da televisão durante a pandemia, passou a se dedicar ao teatro musical. Entre os trabalhos que dirigiu estão espetáculos inspirados em Elis Regina e no movimento liderado por Milton Nascimento. Com sua morte, a televisão brasileira perde um dos profissionais que ajudaram a moldar parte de sua história — e que esteve por trás de um dos segredos mais famosos já guardados nos bastidores de uma novela.