Guarda Revolucionária do Irã avisa que 'nenhum navio tem permissão de passar no Estreito de Hormuz'; entenda importância de área

A Guarda Revolucionária do Irã informou por rádio que “nenhum navio está autorizado a passar pelo Estreito de Ormuz”, segundo um oficial da missão naval da União Europeia, a Aspides. A advertência teria sido transmitida via VHF a embarcações que transitam pela região, considerada a mais estratégica rota de exportação de petróleo do mundo, após os ataques coordenados feitos pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã na manhã deste sábado. Ataques contra o Irã: Veja cobertura completa Entenda: EUA e Israel fazem ataque coordenado contra o Irã com promessa de fim do regime dos aiatolás e da ameaça nuclear De acordo com o representante da missão europeia, que falou à agência Reuters sob condição de anonimato, o Irã ainda não confirmou formalmente a ordem. Ao longo dos anos, Teerã tem ameaçado bloquear a estreita via marítima como retaliação a eventuais ataques contra a República Islâmica. Mapa mostra onder fica o Estreito de Ormuz Arte O Globo O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico e conecta grandes produtores de petróleo, como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos, ao mercado internacional. Diariamente, cerca de 20 milhões de barris de petróleo e grandes volumes de gás natural liquefeito (GNL) atravessam a passagem, o equivalente a aproximadamente um quinto do consumo mundial da commodity. Ponto estratégico sob pressão Situado entre o Irã, ao norte, e Omã, ao sul, com proximidade aos Emirados Árabes Unidos, o estreito tem entre 33 km e 60 km de largura e é considerado um dos principais “pontos de estrangulamento” (chokepoints) do comércio global de energia. Qualquer interrupção no tráfego pode provocar alta nos preços e instabilidade nos mercados internacionais. Galerias Relacionadas Teocracia em baixa: EUA atacam Irã em seu momento de maior fragilidade; veja como funciona a República Islâmica Politicamente, a região é um nó geoestratégico sensível. O Irã controla a costa norte do estreito e já utilizou sua posição como instrumento de pressão em disputas com os Estados Unidos e potências ocidentais. Em anos recentes, o Parlamento iraniano aprovou medida simbólica para fechar o estreito em resposta a ataques norte-americanos, ampliando temores de impacto econômico global. Alerta militar e troca de ameaças O comandante do Exército do Irã, Amir Hatami, afirmou neste sábado que as forças do país estão em alerta máximo após o envio de navios de guerra americanos ao Golfo. Ele enfatizou que a tecnologia nuclear da República Islâmica “não pode ser eliminada”, em resposta às pressões do presidente americano Donald Trump para que o Irã negocie um acordo sobre seu programa atômico. “Se o inimigo cometer um erro, não terá dúvida de que colocará em risco sua própria segurança, a segurança da região e a segurança do regime sionista”, declarou Hatami, segundo a agência oficial de notícias IRNA. O que pode acontecer? Da sobrevivência do regime ao retorno da monarquia: entenda os possíveis cenários para o Irã após ataque dos EUA O comandante acrescentou que as Forças Armadas iranianas estão “plenamente qualificadas”. Os Estados Unidos enviaram ao Oriente Médio uma força naval de ataque liderada pelo porta-aviões “USS Abraham Lincoln”. Durante conflito recente, Washington atacou três centros nucleares iranianos em 22 de junho, como parte de uma guerra de 12 dias entre Israel e o Irã. Na ocasião, ataques israelenses atingiram alvos militares e mataram comandantes das forças iranianas e cientistas ligados ao programa atômico. “A ciência e a tecnologia nuclear da República Islâmica do Irã não podem ser eliminadas, mesmo que os cientistas e os filhos desta nação morram como mártires”, disse Amir Hatami. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, declarou que o país está disposto a negociar sobre seu programa nuclear “em pé de igualdade”, e não sob ameaça, e ressaltou que “nunca” aceitará negociar suas capacidades em termos de armas e defesa. Na sexta-feira, Trump afirmou que Teerã quer “chegar a um acordo” para evitar uma intervenção militar americana. Estados Unidos, Israel e potências ocidentais acusam o Irã de buscar desenvolver uma bomba atômica — o que o governo iraniano nega. Exercícios militares e recomendações aos navios Na sexta-feira, o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) afirmou que a Guarda Revolucionária Iraniana organizou “um exercício naval de dois dias com fogo real” no Estreito de Ormuz, por onde passam petróleo e gás liquefeito provenientes do Golfo. Em comunicado, o CENTCOM recomendou que a Guarda evite “qualquer comportamento inseguro e pouco profissional nas proximidades das forças americanas”. Os Estados Unidos classificaram a Guarda Revolucionária como organização terrorista em 2019, durante o primeiro mandato de Trump. A União Europeia também introduziu iniciativa semelhante na quinta-feira, à qual o Irã prometeu responder. Neste sábado, a Administração Marítima do Departamento de Transporte dos Estados Unidos instou navios comerciais a evitarem o Oriente Médio após os ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e as represálias de Teerã. O Estreito de Ormuz, o Golfo Pérsico, o Golfo de Omã e o Mar Arábico estão sujeitos a “atividade militar significativa” e “recomenda-se que os navios se mantenham afastados desta área, se for possível”, afirmou o órgão em comunicado. Navios com bandeira americana, de propriedade americana ou tripulados por cidadãos dos Estados Unidos também devem manter distância de 30 milhas náuticas de qualquer embarcação militar do próprio país, para evitar que sejam confundidos com uma ameaça, acrescentou.