A Opep+ vai considerar a opção de um aumento maior na oferta quando seus principais membros se reunirem no domingo, após os Estados Unidos e Israel lançarem um ataque contra o Irã, segundo dois delegados. O grupo liderado pela Arábia Saudita e pela Rússia deveria retomar aumentos modestos da produção em abril, após um congelamento da oferta por três meses, como parte de uma estratégia contínua para recuperar participação de mercado, afirmaram vários delegados no início desta semana. O cenário era elevar a produção em 137 mil barris por dia, em linha com os incrementos do quarto trimestre, afirmaram três pessoas. Um fator-chave na decisão de domingo seria se o ataque surpresa de EUA e Israel contra a República Islâmica resultasse no fechamento do estratégico Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, o que foi confirmado com o anúncio da Guarda Revolucionária do Irã de que "nenhum navio tem permissão de passar" por essa rota. Os ataques de sábado e a retaliação de Teerã contra bases militares americanas na região marcam o auge de uma crise geopolítica que elevou os preços do petróleo este ano, apesar das amplas expectativas de excesso de oferta. Os contratos futuros subiram para uma máxima de sete meses, a US$ 73 por barril em Londres na sexta-feira, acumulando alta de 19% no ano, em meio a uma série de interrupções na produção, sanções e estocagem chinesa. A Arábia Saudita, junto com outros produtores, já acelerou as exportações de petróleo nos últimos dias, à medida que o envio de ativos militares americanos ao Oriente Médio aumentava as tensões na região. No ano passado, Riad ampliou temporariamente a oferta durante um ataque anterior dos EUA a instalações nucleares iranianas. “Qualquer aumento anunciado pela OPEP+ exigirá potencialmente o uso de estoques para cumprir o número prometido”, disse Helima Croft, chefe de estratégia de mercados de commodities da RBC Capital Markets LLC. “A capacidade ociosa é extremamente limitada e está concentrada apenas na Arábia Saudita.” Neste sábado, o presidente Donald Trump pediu aos iranianos que derrubassem seu governo, enquanto os EUA realizam “grandes operações de combate” contra a República Islâmica e Israel conduz “ataques preventivos” aéreos contra alvos no país. Teerã afirmou ter realizado ataques retaliatórios contra bases militares dos EUA nos Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Catar e Kuwait. O bombardeio ocorre dois dias depois de delegações do Irã e dos EUA se reunirem na Suíça para uma terceira rodada de negociações sobre as atividades nucleares de Teerã. Embora o Irã tenha demonstrado otimismo quanto ao rumo das negociações, Trump disse na sexta-feira que não estava satisfeito com o andamento das conversas. A vulnerabilidade dos fluxos energéticos regionais voltou a ficar evidente neste sábado, quando os houthis — uma milícia baseada no Iêmen com ligações com Teerã — prometeram retomar ataques a embarcações no corredor do Mar Vermelho. Mais a leste, os traders também monitoravam de perto a situação no Estreito de Ormuz, ponto sensível em períodos de instabilidade regional, já que um quinto do petróleo transportado por via marítima no mundo — além de parte do gás — passa diariamente por essa rota. Colchão de oferta A Arábia Saudita detém a maior parte da capacidade mundial de produção de petróleo excedente, podendo adicionar 1,8 milhão de barris por dia, segundo a Agência Internacional de Energia. Os Emirados Árabes Unidos têm um plano de contingência para disponibilizar pelo menos 1 milhão de barris por dia, disse um delegado. Entre os locais atingidos no Irã, a agência semioficial Mehr relatou uma explosão na Ilha de Kharg, onde há um importante terminal de exportação de petróleo — embora não tenha fornecido detalhes. Instalações petrolíferas não foram alvo durante ataques anteriores ao Irã em junho, e Trump prometeu reduzir os preços dos combustíveis. Sob a orientação do ministro da Energia saudita, príncipe Abdulaziz bin Salman, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados frequentemente adotam uma postura cautelosa diante de eventos geopolíticos, optando por avaliar se há impacto material antes de agir. O reino já sofreu consequências de conflitos regionais antes, especialmente durante o ataque de 2019 à sua instalação de processamento em Abqaiq — reivindicado pelos aliados houthis do Irã — que prejudicou temporariamente sua produção. A OPEP+ não ajustou coletivamente sua estratégia após os ataques ao Irã no verão passado, nem quando os EUA prenderam o líder venezuelano Nicolás Maduro no início deste ano. Ainda assim, os mercados de petróleo têm surpreendido as expectativas até agora em 2026. “O mercado estava precificado com base em um ‘excesso de oferta’ que começa a parecer em grande parte fictício”, disse Jeff Currie, diretor de estratégia de transição energética do Carlyle Group. “Não há margem para erro, o que significa que há muito espaço para novas altas.” Embora a oferta global esteja superando a demanda, uma série de interrupções na América do Norte, no Cazaquistão e na Rússia tem limitado o excedente. Grande parte do excesso consiste em barris sancionados da Rússia ou do Irã — indisponíveis para o mercado em geral — ou está sendo adquirida pela China para reservas estratégicas. Aumentar um pouco mais a produção poderia se encaixar nos objetivos de longo prazo da OPEP+. Por quase um ano, os sauditas e outros membros importantes têm se empenhado em uma aparente tentativa de recuperar a participação de mercado cedida a rivais, como as empresas de perfuração de xisto dos EUA. Eles têm retomado a produção interrompida desde 2023, apesar dos alertas de que os mercados mundiais estavam confortavelmente abastecidos.