Kindle ou livro físico: qual cansa menos a sua visão? Especialistas explicam

O Kindle e o livro físico costumam ser as opções mais confortáveis para quem gosta de ler por longos períodos, especialmente quando comparados a tablets e celulares. No caso do e-reader, a experiência se aproxima da leitura em papel, o que ajuda a reduzir o esforço visual. Ainda assim, surge a dúvida: qual dos dois cansa menos a visão no dia a dia? Além disso, é importante seguir alguns cuidados para evitar sintomas como dor de cabeça, ressecamento ocular e outros desconfortos que acontecem naturalmente quando se lê por tempo prolongado. ➡️ Canal do TechTudo no WhatsApp: acompanhe as principais notícias, tutoriais e reviews Para detalhar o assunto, o TechTudo conversou com as oftalmologistas Laís de Castro, do dr.consulta, e Alzira Delgado, do Hospital Alvorada Moema, da Rede Américas. As especialistas explicam como funciona a tecnologia e-ink do Kindle, quais dispositivos podem cansar mais a visão durante a leitura, os riscos de ler em ambientes escuros e também listam boas práticas para garantir uma experiência mais confortável. Confira a seguir. Oftalmologistas ouvidas pelo TechTudo explicam qual cansa menos a sua visão: Kindle ou livro físico Reprodução/Unsplash/irina-rybcko O Kindle pode traduzir livros? Tire suas dúvidas no Fórum do TechTudo O que é a tecnologia e-ink do Kindle? A tecnologia e-ink do Kindle funciona com minúsculas microcápsulas que contêm partículas brancas (positivas) e pretas (negativas) suspensas em um fluido. Quando um campo elétrico é aplicado, essas partículas são “puxadas” para posições específicas por meio da eletroforese, formando letras e imagens na tela. Depois que o conteúdo é exibido na tela, ele continua lá sem precisar de energia para se manter. Só quando você vira a página é que o processo acontece de novo, o que faz com que o gasto de energia seja mínimo. Em outras palavras, é um tipo de display criado para simular o papel impresso, como destaca Laís. Diferente das telas de smartphones, tablets e computadores, essa tecnologia não emite luz diretamente para os olhos, direcionando a iluminação para a própria tela do e-reader. A profissional explica que esse tipo de tela traz diversos benefícios, como uma aparência semelhante ao papel, que proporciona uma leitura mais próxima do natural, a ausência de luz direta e intensa nos olhos, menor fadiga visual em leituras prolongadas e excelente visibilidade mesmo sob luz solar. Com essas vantagens, o Kindle também acaba sendo uma boa opção para quem passa muito tempo lendo, já que oferece uma experiência confortável no dia a dia. Além disso, os dispositivos costumam ser leves e fáceis de transportar, o que facilita o uso em diferentes situações, como em deslocamentos ao trabalho e em viagens. O Kindle é um tipo de display criado para simular o papel impresso e apresenta diversos benefícios Reprodução/Unsplash/felirbe O que cansa mais a visão: Kindle ou livro físico? De modo geral, o conforto visual entre Kindle e livro físico pode ser bastante semelhante, desde que a leitura seja feita em condições adequadas. “Nas duas formas, o conforto para visão é bem similar, respeitadas as maneiras de posicionar o dispositivo em distância adequada, com iluminação do ambiente não muito claro nem muito escuro e não esquecendo de piscar para lubrificar os olhos”, afirma Alzira. Diante disso, o e-reader pode até levar vantagem em alguns aspectos, inclusive por ser mais leve. “No Kindle, há a vantagem de ajustar o tamanho das letras para o maior conforto do leitor, além de a tela ser antirreflexo”, pontua Alzira. Ela ainda destaca que livros com papel couchê muito brancos tendem a ser mais reflexivos e gerar algum desconforto, dependendo da iluminação do ambiente. Por outro lado, Laís ressalta que o livro físico ainda é considerado a referência de menor esforço visual. “Isso porque não envolve emissão de luz nem processamento eletrônico da imagem. No entanto, os dispositivos com e-ink se aproximam bastante dessa experiência e mantêm contraste semelhante ao do papel”, destaca. A profissional explica que, comparado às telas tradicionais, em que o cansaço visual está associado à emissão direta de luz para os olhos, ao brilho excessivo e à menor frequência de piscadas durante a leitura, o Kindle tende a ser mais confortável. Ainda assim, o livro físico é referência quando o assunto é menor demanda visual. O livro físico ainda é a referência de menor demanda visual Reprodução/Unsplash/blaz-photo Ler em luz baixa prejudica a visão? Ler em luz baixa pode trazer algum desconforto visual, mesmo no Kindle. Embora o dispositivo permita a leitura em ambientes pouco iluminados por conta da luz embutida, isso não significa que o uso no escuro seja o mais indicado. “A leitura do Kindle é realizada com a luz ambiente. Os modelos que têm iluminação própria têm a função de um abajur, externo à tela. Então se aplica o mesmo princípio de harmonia com o ambiente, que não deve ser escuro para não gerar cansaço visual”, explica Alzira. Ou seja, o problema não está no uso do Kindle em si, mas no contraste excessivo entre a tela iluminada e o ambiente escuro. Apesar de não haver evidências que cause danos permanentes à visão, conforme destaca Laís, ler com baixa iluminação aumenta o esforço visual e pode provocar ressecamento ocular, desconforto na visão, dor de cabeça, dificuldade de foco e sensação de vista pesada. Qual a diferença entre ler no Kindle e ler em um tablet ou celular? A principal diferença entre o Kindle e os outros dispositivos é o modo de emissão da luz. “Celulares e tablets utilizam telas retroiluminadas que emitem luz diretamente para os olhos, com maior intensidade luminosa, maior presença de luz azul e atualização constante da imagem, fatores associados a maior fadiga visual. O Kindle com e-ink, por outro lado, simula o papel e não depende de emissão direta de luz, proporcionando maior conforto em leituras prolongadas”, pontua Laís. Com isso, como a iluminação do e-reader não é projetada diretamente para os olhos do leitor, a sensação é de que a “vista não cansa”, conforme ressalta Alzira. Além disso, a profissional destaca que o Kindle é um dispositivo monotarefa, pensado exclusivamente para ler, no ritmo do leitor. Diferente do celular, que disputa a atenção com notificações e vários estímulos ao mesmo tempo, ele oferece um ambiente mais focado e contínuo para a leitura. Além disso, as telas dos celulares têm luzes de fundo intensas, projetadas diretamente para os olhos, como se estivéssemos olhando para uma lanterna. “Isso exige muito mais esforço e pode gerar desconforto durante o uso, além de interferir no ciclo do sono, pois o cérebro interpreta esse período de exposição como ‘dia’, afetando a produção de melatonina”, explica Alzira. Celulares e tablets utilizam telas retroiluminadas que emitem luz diretamente para os olhos, com maior intensidade luminosa Reprodução/Freepik Boas práticas para uma leitura confortável O uso prolongado de telas pode ter impactos na saúde ocular. Isso porque tendemos a piscar menos e manter os olhos expostos à luz direta por longos períodos, o que pode levar a sintomas como fadiga ocular, dor de cabeça e visão embaçada, quadro conhecido como síndrome da visão computacional . Manter a distância adequada entre os olhos e o dispositivo (em geral, entre 35 e 50 cm, aproximadamente a mesma distância de leitura de um livro impresso) também é essencial, já que espaços menores aumentam o esforço visual. Para tornar a leitura mais confortável no dia a dia, as oftalmologistas citam algumas medidas simples que podem ajudar. Veja abaixo. Fazer pausas regulares (regra 20-20-20: a cada 20 minutos, olhe para algo a cerca de 6 metros (20 pés) de distância por 20 segundos; Ajustar o brilho da tela conforme a iluminação do ambiente; Utilizar tamanho de fonte confortável; Piscar conscientemente com mais frequência; Manter postura adequada durante o uso; Evitar contraste extremo entre a tela e o ambiente; Posicionar o dispositivo de forma a evitar reflexos; Manter distância adequada da tela; Ajustar o contraste do fundo da tela; Usar filtro de luz azul, especialmente à noite; Priorizar qualidade do sono; Evitar uso prolongado de telas, principalmente antes de dormir; Lubrificar os olhos em caso de ressecamento; Realizar avaliação oftalmológica periódica e verificar a necessidade de correção visual. Vale destacar ainda que, em geral, não há um tempo máximo recomendado de leitura contínua em livros físicos e no Kindle. “O que se deve é observar os limites da sua visão e de seu corpo: dores de cabeça, ardor nos olhos, lacrimejamento, dor no pescoço ou nas costas por postura inadequada e dificuldade de concentração. Estes todos são sinais de que, mesmo observando os cuidados posturais de iluminação e de distância do dispositivo, já é hora de parar”, orienta Alzira. Para evitar essas complicações, faça as pausas mencionadas, que permitem relaxar a musculatura ocular e reduzir a fadiga. No fim das contas, seja no Kindle, seja no livro físico, o mais importante é garantir conforto durante a leitura, sem esforço a ponto de causar sintomas como dor de cabeça, olhos secos ou visão embaçada. Leia também: Celular com tela de papel? Conheça "versão do Kindle" TCL tem celular que 'imita' tela do Kindle; conheça