Sanaz Zadegan tem 35 anos, é iraniana, vive em Portugal desde 1999 e não voltou ao Irão desde então. Quando fala de Ali Khamenei, não começa pela geopolítica nem pelo ataque. Começa pela infância. “A cara dele estava nos livros, tanto a dele como a do aiatola Ruhollah Khomeini. "Aquilo foi sempre uma daquelas caras que tínhamos presentes em todo o lado como a fonte da repressão e a fonte de tudo o que era mal dentro do Irão.” Agora, perante a notícia da morte de Khamenei, Sanaz olha para a possível queda dessa figura-pilar como o princípio de outra luta: a da transição. Acredita que ela pode acelerar se a Artesh, o exército regular, romper com a Guarda Revolucionária, se colocar ao lado do povo e abrir caminho a uma liderança transitória de Reza Pahlavi, filho do último xá do Irão e principal figura da oposição iraniana no exílio, seguida de um processo constitucional e referendado