Rio vive nova corrida por lajes corporativas

O mercado corporativo do Rio vive um ponto de inflexão. Levantamento da CBRE, empresa internacional de serviços e investimentos imobiliários comerciais, mostra que 86% das empresas já operam com ocupação presencial acima de 71% — avanço relevante frente aos 70% de 2023 e aos 82% de 2024. Ainda mais expressivo é o salto das companhias com trabalho presencial superior a 91%, que passaram de 49% para 81% em 2025. O retorno ao escritório se consolidou como prática dominante, reativando dinâmicas urbanas e valorizando endereços estratégicos da cidade. Esse movimento pressiona o estoque de lajes. Dados da JLL indicam que o mercado de escritórios encerrou 2025 com a menor vacância em 11 anos. Nos projetos de alto padrão (A e A+), a taxa média de espaços vagos caiu para 26,5%, ante 31% no fim de 2024 e mais de 38% no auge da pandemia. Com raros lançamentos e demanda em alta, o cenário torna-se mais competitivo — e aquele que se antecipa tende a garantir áreas e condições melhores. Quem passa por Ipanema já vê esse aquecimento de perto. Na esquina da Visconde de Pirajá com a Garcia d’Ávila, tapumes anunciam as obras do Garcia 111, novo empreendimento corporativo triple A do bairro. Com mais de 30 mil metros quadrados de área construída e 19 pavimentos-tipo, o projeto terá lobby com pé direito triplo e rooftop com vista para a praia e a lagoa. As lajes corporativas poderão chegar a 1,3 mil metros quadrados por andar. — O segmento de lajes corporativas no Rio vive um momento de recuperação, com procura mais acentuada na Zona Sul, no Centro e na Barra da Tijuca. E há espaço para projetos bem posicionados, com padrão técnico elevado, eficiência e alinhamento às demandas contemporâneas das empresas — afirma o gestor do Opportunity FII, Marcelo Naidich. Os bons negócios encerram um ciclo difícil, iniciado em 2020 com a chegada da pandemia de coronavírus, que consolidou o modelo de home office. Quando o trabalho presencial retomou o fôlego, muitos escritórios no Centro já haviam sido convertidos em residenciais, no embalo do programa Reviver Centro. Foi quando as incorporadoras voltaram seus olhos para os bairros da Zona Sul e encontraram oportunidades até em locais em que não estavam procurando. A história do Visconde Corporate Boutique (VCB), na Rua Visconde de Pirajá, é bem ilustrativa. Em 2023, a Balassiano Engenharia adquiriu e demoliu o antigo Hotel San Marco com a intenção de construir ali um residencial de estúdios. Ao mesmo tempo, a construtora buscava um espaço para se instalar e não encontrou nada disponível com aproximadamente 250 metros quadrados. — Decidimos adaptar o projeto para lajes corporativas ao identificar uma demanda reprimida. Como nasceu da nossa própria necessidade de ter uma sede, o prédio já responde às “dores” dos colaboradores: tem um elevador extra para evitar filas e geradores que garantem acesso e conectividade ininterrupta — afirma Gabriel Pecly, responsável por Novos Negócios da Balassiano. No vizinho Leblon, a gestora de investimentos alternativos HSI, em parceria com a SIG, desenvolve o Rythme Leblon. Retrofit do prédio que abrigava a antiga sede da Oi, na Rua Humberto de Campos, o empreendimento passa por um processo de modernização com aprimoramento da infraestrutura, reconfiguração das lajes e atualização completa dos sistemas. São 12 andares, com lajes flexíveis, que poderão variar de 200 a 1,49 mil metros quadrados. — Foi uma oportunidade para desenvolver um ativo icônico e muito difícil de replicar na Zona Sul. O resultado é um prédio triple A em um bairro com demanda muito forte e oferta concentrada em edifícios antigos — observa o sócio-diretor de Real Estate Private Equity da HSI, Bruno Greve.