Após a Guarda Revolucionária do Irã afirmar neste domingo que atacou o porta-aviões americano USS Abraham Lincoln, no Golfo Pérsico, em meio às retaliações anunciadas pelo país, as Forças Armadas dos Estados Unidos informaram que três militares morreram em combate. Segundo o Pentágono, outros cinco soldados ficaram gravemente feridos. Onde o Irã já atacou? Saiba os locais no Oriente Médio atingidos na retaliação iraniana; nove morrem em Israel Veja infográfico: Irã diz ter atingido porta-aviões americano USS Abraham Lincoln Essas foram as primeiras baixas entre militares americanos anunciadas desde que Washington lançou bombardeios em larga escala contra o Irã no sábado — operação que matou o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei. O Comando Central dos EUA não detalhou onde os militares foram mortos, mas informou que outros soldados sofreram ferimentos leves causados por estilhaços e concussões e já estão em processo de retorno ao serviço. Equipes de resgate em Israel após nova onda de mísseis iranianos A tensão aumentou depois que a Guarda Revolucionária iraniana declarou ter atingido o porta-aviões USS Abraham Lincoln com mísseis balísticos no Golfo Pérsico. Em comunicado divulgado pela mídia estatal, a força de elite afirmou que “a terra e o mar se tornarão cada vez mais o cemitério dos agressores”. A ofensiva ocorre após a operação conjunta de Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos. Explosões foram registradas em Teerã e outras cidades, e colunas de fumaça foram vistas próximas à área onde fica a residência do líder supremo. A mídia estatal iraniana confirmou posteriormente a morte de Khamenei e anunciou luto nacional de 40 dias. EUA deslocam porta-aviões e seu grupo de ataque para o Oriente Médio em meio à tensão com o Irã, diz mídia americana Veja vídeo: Morte de Khamenei provoca comoção no Irã, festas nas ruas e onda de protestos no Oriente Médio e na Ásia Escalada e ameaças de resposta Autoridades iranianas endureceram o discurso após a morte do líder. O chefe de segurança do país, Ali Larijani, afirmou que novos ataques estão sendo preparados e que Estados Unidos e Israel enfrentarão uma resposta sem precedentes. Em publicação na rede X, ele afirmou que os mísseis lançados anteriormente já causaram danos e que novas ações ocorreriam em breve. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, também afirmou que retaliar pela morte de Khamenei é uma obrigação. Em comunicado transmitido pela televisão estatal, declarou que a resposta faz parte do que chamou de direito legítimo da República Islâmica. De Washington veio uma advertência direta. Em mensagem publicada na rede Truth Social, o presidente Donald Trump disse que qualquer novo ataque iraniano será respondido com força ainda maior. Segundo Trump, os Estados Unidos estão preparados para ampliar as operações militares contra o país persa. O republicano afirmou ainda que a ofensiva busca eliminar ameaças consideradas iminentes ligadas ao programa de mísseis e às ambições nucleares iranianas. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, também afirmou que a campanha militar continuará “pelo tempo que for necessário”. Segundo ele, a operação visa neutralizar o que chamou de ameaça existencial representada pelo Irã. Protestos e tensão na região A morte de Khamenei provocou reações em diferentes países. No Paquistão, duas pessoas morreram durante protestos diante do consulado dos Estados Unidos em Karachi, onde manifestantes tentaram invadir o prédio. Jornalistas da AFP relataram confrontos com forças de segurança, que usaram gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. Vídeos nas redes sociais mostram manifestantes quebrando janelas e tentando iniciar incêndios no complexo diplomático. Também houve protestos em Lahore, enquanto em Bagdá centenas de pessoas se concentraram nas proximidades da Zona Verde, onde ficam embaixadas e prédios do governo iraquiano. Manifestantes lançaram pedras contra as forças de segurança, que responderam com gás lacrimogêneo. Contexto da ofensiva Os ataques começaram após semanas de tensão entre Washington e Teerã. O governo americano acusou o Irã de manter atividades ligadas ao desenvolvimento de mísseis e de ampliar sua capacidade nuclear. Trump afirmou que o objetivo da operação era eliminar ameaças iminentes e pressionar o regime iraniano. Em declarações públicas, chegou a afirmar que a ofensiva poderia abrir caminho para mudanças políticas no país. Autoridades israelenses disseram que alvos estratégicos foram atingidos, incluindo comandantes da Guarda Revolucionária e instalações ligadas ao programa militar iraniano. Desde então, o Irã respondeu com lançamentos de mísseis e ataques em diferentes pontos da região, ampliando o risco de um conflito mais amplo no Oriente Médio.