Aos 16 anos, Raul Victor Magalhães Souza transformou as histórias do avô agricultor em um projeto científico premiado nacionalmente. Aluno da Escola de Ensino Médio em Tempo Integral Deputado Joaquim de Figueiredo Correia, em Iracema (CE), ele venceu a categoria Estudante do Ensino Médio da 31ª edição do Prêmio Jovem Cientista com uma proposta que une tradição e tecnologia para enfrentar a irregularidade das chuvas no semiárido nordestino. O avô de Magalhães contava ao neto histórias dos “profetas das chuvas” — agricultores que observam sinais da natureza, como o florescer do mandacaru e o comportamento de animais, para prever o regime pluviométrico no interior do Nordeste. Intrigado com a precisão desses saberes populares em uma região vulnerável como o Vale do Jaguaribe, Raul decidiu potencializá-los com ciência de dados. Entre os inscritos: Alunos da rede pública se destacam no Prêmio Jovem Cientista O resultado foi a criação da Inteligência Artificial dos Profetas das Chuvas, um sistema de aprendizado de máquina que cruza indicadores tradicionais com variáveis meteorológicas históricas. O modelo foi alimentado com dados de seis profetas de cinco municípios e treinado com séries de 1981 a 2024 da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos e do Instituto Nacional de Meteorologia. Desenvolvido em Python, com interface em Streamlit, o sistema alcançou cerca de 94,5% de precisão, superando modelos convencionais utilizados isoladamente. Reserva Natural Serra das Almas, na Caatinga: mudanças na vegetação do bioma e de comportamento de animais como aves orientam profetas da chuva Custódio Coimbra — Melhorar a capacidade de antecipação de chuvas possibilita reduzir perdas agrícolas, otimizar o plantio e fortalecer estratégias de adaptação. E promove uma abordagem mais inclusiva e sustentável no enfrentamento das mudanças climáticas — explica o estudante. expansão a outras regiões Bolsista de Iniciação Científica Júnior do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com orientação de Helyson Lucas Bezerra Braz e parceria com a Universidade Federal do Ceará, Raul afirma que o prêmio reconhece não apenas o mérito acadêmico, mas a cultura do sertão. Agora, o jovem pesquisador planeja ampliar o banco de dados com a participação de mais profetas e expandir a ferramenta para outras regiões do país. A meta é disponibilizar a plataforma especialmente para agricultores vulneráveis, oferecendo uma ferramenta de apoio à tomada de decisão no plantio. Para Raul, ciência é ponte: conecta passado e futuro, tradição e tecnologia, e pode transformar a realidade de comunidades que dependem da chuva.