Inteligência artifical para o bem comum é o tema do Prêmio Jovem Cientista de 2026

Feita a partir de instruções passadas para o assistente Meta AI, a ilustração acima é um exemplo, que já vem se tornando corriqueiro, de como pode ser usada uma inovação que o tema da 32ª edição do Prêmio Jovem Cientista quer explorar: “Inteligência artificial para o bem comum”. A proposta deste ano é mobilizar estudantes e pesquisadores de todo o país a desenvolver soluções baseadas em IA capazes de enfrentar problemas da sociedade, com foco na redução de desigualdades, na sustentabilidade e na promoção de direitos. A escolha do tema dialoga com o avanço acelerado da tecnologia no país e, especialmente, com os desafios de acesso. Dados da Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), divulgados na última edição da pesquisa TIC Domicílios, mostram que 50 milhões de brasileiros já utilizam IA generativa — o equivalente a 32% dos usuários de internet no país. Apesar disso, o uso ainda é concentrado nas camadas mais ricas e com maior escolaridade. — Inteligência artificial, sem dúvida, é o tema do momento. Trata-se de uma ferramenta poderosa e que certamente, em um futuro bem próximo, fará parte de todas as atividades do mundo digital. Além disso, em função da capacidade de substituir a ação humana em vários cenários, também levanta muitas questões éticas e legais a respeito da sua utilização. Por esse motivo, esperamos que o tema escolhido para a 32ª edição do Prêmio Jovem Cientista contribua não apenas com o avanço do conhecimento e das aplicações da inteligência artificial para o bem comum, mas com o entendimento e a compreensão da sociedade quanto ao uso da IA e suas implicações — afirma Cassiano D’Almeida, coordenador de execução e difusão de prêmios nacionais e internacionais do CNPq. Segundo os dados da TIC Domicílios, 69% das pessoas da classe A afirmam utilizar ferramentas de inteligência artificial, percentual que cai para 16% nas classes D e E. Entre os usuários com ensino superior, 59% recorrem à tecnologia, contra 17% daqueles com apenas o ensino fundamental. Ao propor a IA como um instrumento para o bem comum, a nova edição do prêmio busca justamente ampliar o acesso e incentivar soluções que enfrentem essas desigualdades. — Nós estamos numa fase de expansão e desenvolvimento de dispositivos, recursos da aplicação de inteligência artificial em todo o planeta. Mas qual é o lugar do Brasil nisso? O que os brasileiros estão pensando sobre isso? Como é que nós vamos nos organizar para não ficar para trás nessa onda e, ao mesmo tempo, entrar nessa dinâmica, de uma maneira que seja legítima, adequada e viável para o Brasil? Com essa nova edição, o que a gente vai descobrir é por onde estão indo os brasileiros nessa temática, que é muito, muito relevante — afirma João Alegria, secretário geral da Fundação Roberto Marinho. Linhas de pesquisa Na categoria Estudante do Ensino Médio, os trabalhos devem dialogar com a realidade escolar e comunitária. Entre os subtemas sugeridos estão o uso da IA na gestão sustentável de recursos e na organização de espaços educativos; a aplicação como ferramenta de inclusão e acessibilidade; o combate à desinformação; e o fortalecimento da cidadania digital. Nas categorias Estudante do Ensino Superior e Mestre e Doutor, as pesquisas podem se concentrar em diferentes frentes. Na área de Tecnologia, destacam-se estudos sobre aprendizado de máquina, deep learning, processamento de linguagem natural, visão computacional, IA generativa e inteligência artificial explicável. Em Saúde, o foco recai sobre diagnóstico, análise de exames por imagem e desenvolvimento de tratamentos. A linha de Educação contempla personalização da aprendizagem, tutores inteligentes, avaliação automatizada e formação docente para o uso da IA. Também estão previstas pesquisas em Direito e Políticas Públicas, com ênfase em regulação, proteção de dados, responsabilidade civil e governança algorítmica; em Mercado de Trabalho, abordando automação, novas competências e saúde mental no trabalho mediado por sistemas inteligentes; e em Ética, com discussões sobre viés algorítmico, direitos humanos e confiança social na tecnologia. As linhas de Meio Ambiente incentivam aplicações como sensoriamento remoto, agricultura de precisão e monitoramento de desastres, enquanto Cultura reúne iniciativas de criação artística, gestão de acervos digitais e mediação cultural com apoio de IA. Quem pode participar Na categoria Mestre e Doutor, podem concorrer estudantes de mestrado, mestres, estudantes de doutorado e doutores com até 39 anos. Em Estudante do Ensino Superior, podem participar alunos regularmente matriculados em cursos de graduação ou que tenham concluído a graduação a partir de 1º de janeiro de 2026, com até 29 anos. Na categoria Estudante do Ensino Médio, são elegíveis estudantes que estejam regularmente matriculados no ensino médio ou na educação profissional e tecnológica, com até 24 anos.