Sem contato com a família no Irã, empresário do interior de SP relata apreensão após ataques

Iraniano que vive em Prudente não consegue contato com parentes após ataques no Irã A mais de 11 mil quilômetros de distância do pai, que vive em Teerã, capital do Irã, o empresário Shahyn Khalili, morador de Presidente Prudente (SP), enfrenta dias de apreensão desde o início da ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o país do Oriente Médio. Sem conseguir contato com a família desde sábado (28), ele acompanha à distância os desdobramentos dos bombardeios que atingiram a região. Nader Khalili, empresário e pai de Shahyn, vive em Teerã com outros familiares, onde atuam em diversos segmentos. Por volta de 4h10 de sábado, no horário brasileiro, Nader ligou para o filho informando que ouviu os barulhos das bombas e viu os clarões no céu. Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp Shahyn Khalili, morador de Presidente Prudente (SP), enfrenta dias de apreensão desde o início dos ataques contra o Irã Aceituno Junior/TV TEM “Estavam ele e toda a família em Teerã no momento do dos acontecimentos e depois disso eu já não tive mais contato nenhum, nem para saber se tá tudo bem ou se não tava, nada”, disse Shahyn. O início da ofensiva ocorreu na madrugada de sábado (28), com ataques por via marítima e aérea. As explosões foram registradas na capital, Teerã, e em Isfahan, Qom, Karaj e Kermanshah. Em retaliação, o Irã respondeu lançando mísseis contra Israel e atacando bases militares dos EUA no Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Emirados Árabes. “O sentimento é de apreensão total, né? A todo momento, porque não tem ninguém que esteja tendo acesso à internet, nem os mais jovens da família, que costumam ser um pessoal um pouco mais avançado no que diz respeito à tecnologia”, declarou o morador de Prudente. Nader Khalili, pai de Shahyn e morador em Teerã, fez contato no sábado (28) relatando os bombardeios Arquivo pessoal/Shahyn Khalili Além de não conseguir contatar a família, Shahyn também relatou que não tem obtido retorno de representantes da Embaixada do Brasil no país. Apesar de tudo, existe um sentimento de esperança. “Esse é o último que pode morrer, né? Mas enquanto não sai notícia, não sai nada, é apreensão, e o dia inteiro lendo jornal, vendo as notícias e acompanhando o que está acontecendo pelo mundo”, relatou. ATAQUE DO IRÃ: Entenda o que aconteceu e o que pode vir agora Entenda o que levou Israel e EUA a atacarem o Irã LEIA TAMBÉM ACOMPANHE: Bombardeios no Oriente Médio entram no 3º dia, e número de mortos no Irã sobe INFOGRÁFICO: Veja mapa com a troca de ataques entre EUA, Israel e Irã Conflitos O Oriente Médio é palco de diversos conflitos e Shahyn avalia que a população iraniana já é habituada com as tensões na região. Segundo ele, desde a Guerra Irã-Iraque não havia uma situação de confronto direto considerado de grandes proporções envolvendo o país. “Teve a situação dos 12 dias com Israel recentemente, porém um conflito envolvendo diretamente os Estados Unidos, não é só um apoio como foi dado na guerra dos 12 dias, é um conflito direto envolvendo os Estados Unidos. Então é um poder de destruição, um poder de ataque muito maior. Então a gente fica mais apreensivo do que um conflito com os países do próprio Oriente Médio”, destacou. Acompanhando os noticiários internacionais e tentando contato frequente com os familiares, Shahyn afirma que a população iraniana vive um momento de incerteza interna e externa. “A gente não sabe o que que pode o que que pode acontecer”. Negócios afetados Além da preocupação com a família, o empresário relata impactos diretos em seus negócios. Ele contou que participava da negociação para exportação de 1 milhão de toneladas de açúcar do Brasil para o Irã, mas agora não consegue um posicionamento do Ministério da Agricultura iraniano. “As negociações acabam ficando suspensas, até por questão financeira, porque o valor antes do os ataques eram um. Agora, o seguro marítimo dos navios sobe, tudo sobe, a gente não sabe se pode vir uma nova uma nova taxa”, comentou. Outra dúvida que assola o empresário é se os Estados Unidos vão acabar isolando comercialmente o Irã, impedindo ele de fazer negócio com outros países. “É uma questão bem complicada e acaba também afetando o Brasil, queira ou não queira”, disse.. Segundo Shahyn, o Irã hoje é um dos maiores compradores de milho do Brasil e também um dos maiores vendedores de ureia para o Brasil. “Então, a balança comercial também fica desequilibrada. São reflexos em todos os campos”, finalizou o empresário. Restos de escombros após um ataque conjunto israelense-americano em Teerã, Irã, sábado, 28 de fevereiro de 2026 Amir Kholousi/AP Guerra EUA e Israel x Irã Estados Unidos e Israel lançaram um grande ataque contra o Irã na manhã de sábado (28), o que deflagrou uma guerra entre os três países. Explosões foram registradas na capital Teerã e em diversas outras cidades iranianas. Os bombardeios mataram o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e outros membros de alto escalão da cúpula militar e de governo iraniano. Ao todo, 555 pessoas foram mortas desde o início dos ataques ao país, afirmou a organização humanitária Crescente Vermelho do Irã em atualização nesta segunda-feira (2). Em resposta aos ataques dos EUA e de Israel, o Irã disparou mísseis contra o território israelense e contra bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Essa troca de ataques continua desde então, com bombardeios diários contra Israel e Irã, sendo presenciados em outros países da região. Os EUA informaram no domingo que três militares do país foram mortos desde o início da guerra, e Trump prometeu "vingá-los". "Infelizmente, haverá mais [mortes] antes que [a guerra] acabe. Mas os Estados Unidos vão vingar seus mortos e desferir o golpe mais devastador aos terroristas que travam uma guerra, basicamente, contra a civilização", afirmou o presidente dos EUA no domingo. Governo Trump divulga novas imagens de ataque a alvos militares no Irã Initial plugin text Versão 7 - Mapa mostra locais dos ataques no Irã e a retaliação Editoria de Arte/g1 Veja mais notícias em g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM