Guerra no Oriente Médio: quem são os comandantes mortos em ofensiva de EUA e Israel

Os ataques coordenados de Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciados na manhã de sábado, atingiram o núcleo do poder do regime iraniano. Entre os mortos confirmados, estão o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e o chefe dos serviços de inteligência da polícia iraniana, general Gholamreza Rezaian. Desencadeada no sábado, ofensiva teve como alvo centenas de instalações militares e lideranças do regime de Teerã, segundo as Forças Armadas israelenses. De acordo com o porta-voz militar de Israel, brigadeiro-general Effie Defrin, diversas figuras-chave do regime foram mortas. O presidente do país, Masoud Pezeshkian, também estava entre os alvos, mas autoridades iranianas afirmam que ele não foi atingido. A guerra cresceu em extensão entre a noite de domingo e a madrugada desta segunda-feira, com as confirmações dos ataques trocados pelas Forças Armadas do Estado judeu e o Hezbollah, grupo libanês aliado de Teerã por meio do "Eixo da Resistência", e do bombardeio de drones iranianos a uma base do Reino Unido no Chipre — país insular na fronteira geográfica e cultural entre Ásia e Europa. Veja abaixo a lista de comandantes e autoridades atingidos: Ali Khamenei, líder supremo do Irã O líder supremo do Irã, Ali Khamenei Distribuição via AFP: KHAMENEI.IR Segundo líder supremo do Irã depois da revolução de 1979 e a figura política mais importante do país depois do aiatolá Ruhollah Khomeini, o aiatolá Ali Khamenei morreu no sábado em ataques dos EUA e de Israel ao Irã, anunciou o presidente dos EUA, Donald Trump, deixando em aberto o seu processo de sucessão e o próprio futuro da República Islâmica. Mais tarde, as autoridades iranianas também confirmaram a morte, que desencadeou cenas opostas de luto e celebração no país e uma onda de protestos em diferentes partes do Oriente Médio, do sul da Ásia e da Europa. Ali Shamkhani, conselheiro do líder supremo do Irã Ali Shamkhani, ex-secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, durante reunião em Teerã Atta Kenare/AFP A Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA, na sigla em inglês) e a comunidade de inteligência de Israel vinham monitorando há meses os movimentos do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã. Em meio à escalada de tensões entre Washington e Teerã, a CIA recebeu a informação de que Khamenei teria uma reunião de cúpula com autoridades do regime teocrático em um complexo oficial em Teerã no sábado. A constatação que fez os aliados adaptarem e anteciparem planos que vinham sendo traçados a portas fechadas e lançarem o ataque à capital iraniana em plena luz do dia — uma "surpresa tática" que matou Khamenei e alguns de seus principais assessores, como um de seus principais conselheiros, Ali Shamkhani. Mohammad Pakpour, comandante da Guarda Revolucionária Islâmica Mohammad Pakpour durante parada militar em Teerã AFP O comandante da Guarda Revolucionária do Irã, Mohammad Pakpour, também foi morto no ataque à reunião de cúpula do Irã, rastreada pela inteligência americana. Amir Nasirzadeh, ministro da Defesa do Irã O ministro de Defesa do Irã, Amir Nasirzadeh (ao centro), na cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), em Qingdao Pedro Pardo / AFP Amir Nasirzadeh, ministro da Defesa do Irã, também foi morto no ataque à reunião de cúpula do regime, rastreada pela inteligência americana. Abdolrahim Mousavi, chefe do Exército iraniano Brigadeiro-general Mohammad Reza Ashtiani e comandante-em-chefe do Exército do Irã, Abdolrahim Mousavi, inspecionam drones no Ministério da Defesa de Teerã Gabinete de Imprensa do Exército do Irã/AFP Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã, Abdolrahim Mousavi (à esquerda, na foto acima) havia sido nomeado para o cargo por Khamenei dias depois dos ataques de Israel ao país, em junho do ano passado. De 2017 até este momento, ele servira como comandante-em-chefe do Exército iraniano, segundo a Al Jazeera. Também foi morto na reunião de cúpula do Irã. Gholamreza Rezaian, chefe dos serviços de inteligência da polícia iraniana Neste domingo, a agência de notícias Fars confirmou a morte do chefe dos serviços de inteligência da polícia iraniana, o general Gholamreza Rezaian. Segundo a agência, citada por outros veículos da imprensa do país, o general "morreu em consequência dos ataques inimigos de ontem [sábado]". Israel diz ter matado outras figuras influentes Relatos da imprensa israelense indicam ainda que outras figuras influentes foram mortas na ofensiva, embora o Irã ainda não tenha confirmado tais perdas. É o caso de Ali Larijani, apontado como um dos possíveis sucessores de Khamenei e secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional. Também teriam sido visados Esmail Qaani, comandante da Força Quds da Guarda Revolucionária, e Majid Mousavi, responsável pela Força Aérea da corporação e pela supervisão de ataques com mísseis balísticos. Sayed Yahya Hamidi, apontado como vice-ministro da Inteligência Reprodução/FBI As Forças de Armadas de Israel (FDI) anunciaram ainda ter eliminado dois integrantes de alto escalão do Ministério da Inteligência do Irã durante o ataque inicial da operação militar denominada “Leão Rugindo” (chamada de Fúria Épica pelos EUA). Entre os mortos, de acordo com Israel, estão Sayed Yahya Hamidi, apontado como vice-ministro da Inteligência para assuntos relacionados a Israel, e Jalal Pour Hossein, descrito como chefe da divisão de espionagem do ministério. As autoridades iranianas não confirmaram a morte dessas autoridades. O Exército israelense também anunciou nesta segunda-feira que matou o chefe da inteligência do Hezbollah, Hussein Moukalled, em um ataque em Beirute no domingo, em meio à retomada das hostilidades com o grupo armado libanês. Como era a cúpula iraniana antes da ofensiva de EUA e Israel: Infográfico mostra o alta escalão iraniano e os membros mortos nos ataques Arte GLOBO