Vídeos: NYT confirma destruição em escola no Irã com 175 mortos; Teerã acusa Israel, que nega

Pelo menos 175 pessoas, a maioria provavelmente crianças, morreram em um ataque a uma escola primária feminina no sul do Irã, na cidade de Minab, próxima ao estratégico estreito de Ormuz, no último sábado, informaram autoridades de saúde e a mídia estatal iraniana. Autoridades do país afirmam que o bombardeio fez parte da operação lançada no sábado por Israel em cooperação com os Estados Unidos, mas o exército israelense negou a acusação. Até o momento, não há autoria confirmada do ataque e nem explicação oficial sobre o incidente. Diversos vídeos e fotos verificados pelo New York Times mostraram que pelo menos metade da escola de dois andares foi destruída na explosão. Guerra no Oriente Médio: Acompanhe a cobertura completa Veja: Vídeo mostra o momento em que piloto se ejeta e é resgatado no Kuwait Infográficos: Veja passo a passo da missão que matou o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, em plena luz do dia A escola fica ao lado de uma base naval pertencente à força militar mais poderosa do Irã, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC). Imagens de satélite analisadas pelo Times mostram que, em 2013, o prédio da escola fazia parte da base. Estradas davam acesso a outras áreas da base e ligavam o prédio da escola atingido no sábado. Mas, em setembro de 2016, imagens de satélite mostram que o mesmo prédio havia sido isolado por muros e não estava mais conectado à base. Dezenas de pessoas morreram em ataque a uma escola no sul do Irã Atacar intencionalmente uma escola, hospital ou outra estrutura civil é um crime de guerra, e ataques indiscriminados também violam a lei. Mesmo que as escolas sejam usadas para fins militares, a lei exige que as partes armadas evitem ou minimizem os danos a civis e à infraestrutura civil, de acordo com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Citando, em parte, o ataque à escola, o Centro para Civis em Conflito (Center for Civilians in Conflict), uma organização sem fins lucrativos com sede em Washington dedicada a minimizar os danos a civis em guerras, pediu no domingo “desescalada imediata, máxima contenção e ação urgente para proteger civis e infraestrutura civil”. Malala Yousafzai, ativista paquistanesa pelos direitos das mulheres e a pessoa mais jovem a receber um Prêmio Nobel da Paz, disse nas redes sociais no sábado que estava “com o coração partido e horrorizada” com o ataque. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, declarou que o ataque à escola “não ficará sem resposta”. A Unesco, agência das Nações Unidas para a educação e a cultura, condenou o ataque, afirmando em um comunicado nas redes sociais no domingo: “O assassinato de alunos em um local dedicado ao aprendizado constitui uma grave violação da proteção concedida às escolas pelo direito internacional humanitário”. Veja mais: Infográfico mostra locais atingidos em múltiplos fronts da guerra no Oriente Médio Outros vídeos de testemunhas compartilhados pela mídia iraniana e verificados pelo NYT mostraram colunas escuras de fumaça saindo de dois prédios dentro da base naval, indicando que ela havia sido alvo da onda de ataques israelenses e americanos de sábado. O exército israelense não respondeu aos pedidos de comentários do Times no domingo. — Estamos cientes dos relatos sobre danos a civis resultantes de operações militares em andamento — disse o capitão Tim Hawkins, porta-voz do Comando Central dos EUA, no sábado, destacando que a proteção de civis era "da maior importância". — Levamos esses relatos a sério e estamos investigando-os. O ataque no meio da manhã na escola Shajarah Tayyebeh foi um dos dois ataques que aparentemente atingiram escolas no sábado. Outro ataque aparentemente atingiu a Escola Secundária Hedayat na capital do Irã, Teerã, perto da Praça 72, no distrito de Narmak, segundo a mídia local e grupos de direitos humanos. Dois estudantes morreram nesse ataque, de acordo com a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRNA), com sede nos EUA, que se concentra no Irã. Um porta-voz da Sociedade do Crescente Vermelho afirmou no sábado que quase 750 pessoas ficaram feridas e mais de 200 morreram em ataques ocorridos em 24 províncias, de acordo com informações da mídia estatal iraniana. Initial plugin text As buscas por sobreviventes nos escombros da escola Shajarah Tayyebeh, no sul do país, terminaram no domingo, segundo Mohammad Radmehr, governador de Minab, conforme noticiado pela mídia estatal iraniana. Aparentemente, este foi o ataque mais mortal desde o início dos bombardeios conjuntos entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciados no sábado. Nas imagens compartilhadas nas redes sociais é possível ver que partes do prédio ainda se projetavam dos escombros, com fragmentos de murais coloridos visíveis no que antes eram as paredes da escola. Carteiras estavam cobertas de destroços. Em outros vídeos verificados pelo NYT há equipes de resgate da Cruz Vermelha ao lado de famílias vasculhando desesperadamente os escombros, que estavam repletos de livros e mochilas escolares cobertos de sangue e cinzas. Num deles, equipes de resgate apareciam recuperando um braço decepado dos escombros. As vítimas foram colocadas em sacos para cadáveres no local, onde uma multidão de pessoas se aglomerava entre ambulâncias e equipes de resgate. — O incidente na escola de Minab não se compara a nenhum outro — disse Pirhossein Kolivand, chefe do Crescente Vermelho do Irã, em um vídeo publicado nas redes sociais no domingo, classificando o ataque como “um incidente único e amargo”. — Nem mesmo em Gaza houve um número tão grande de estudantes mortos simultaneamente. (Com New York Times)