iPod está de volta: aparelho lançado há quase 25 anos encanta jovens amantes da música que querem se 'desconectar'

Cerca de quatro anos atrás, Angeline Richard abriu o Apple Music esperando ouvir o cover de The Weeknd para “Trust Issues”, de Drake. “Esta música não está disponível no seu país ou região no momento”, dizia uma mensagem na tela. Novidade: Apple lança iPhone 17e em três cores e preços a partir de R$ 5.799. Pré-venda começa dia 9 iPhone 17e: Apple lança seu novo celular 'baratinho'; confira preços A jovem de 25 anos, continuou descobrindo que outras músicas que ela amava ou havia adicionado às suas playlists já não estavam mais disponíveis no aplicativo. Chateada com o desaparecimento das canções e com os preços cada vez mais altos dos serviços de streaming, ela estabeleceu uma meta para este ano: —Sair do maior número possível de serviços de streaming, só para poder ter as coisas que eu ouço, que eu leio, que eu assisto. Initial plugin text Assim, em janeiro, Angeline comprou um iPod Nano prateado de terceira geração no eBay por cerca de US$ 40 (cerca de R$ 205). Ela imediatamente adicionou o álbum “White Pony”, de 2000, do Deftones ao iPod e, desde então, baixou mais 10 CDs para o aparelho. O processo de adicionar músicas ao iPod, segundo ela, tem sido “tão divertido” e “como uma pequena meditação”. Angeline Richard com seu iPod do lado de fora de um brechó em Raleigh, Carolina do Norte: não é exatamente uma volta ao analógico, mas quem busca se afastar do streaming diz que o antigo dispositivo da Apple é um pequeno passo para não precisar ficar constantemente on-line Cornell Watson/The New York Times No último mês, ela encontrou outra vantagem em seu iPod. — Se estou no meu celular ouvindo música, recebo uma notificação, clico nela e acabo entrando em diferentes aplicativos — disse Angeline, criadora de conteúdo em Raleigh, na Carolina do Norte. O iPod “me traz de volta ao momento, e é confortável estar em um lugar de cada vez, em vez de estar em todos ao mesmo tempo”, acrescentou. Vídeos: Veja em ação os incríveis robôs humanoides da China, que aposta em 'momento ChatGPT' da automação O iPod, lançado há quase 25 anos e descontinuado em 2022, está conquistando novos fãs entre pessoas que talvez nem fossem nascidas quando ele foi lançado pela primeira vez. Assim como câmeras digitais e outras tecnologias que marcaram o início dos anos 2000, ele tem se beneficiado da nostalgia dos jovens ouvintes de música por uma época em que eram bebês ou crianças pequenas — e em que a vida era, pelos padrões atuais, mais analógica. Isso deu ao aparelho uma nova relevância na cultura pop. No ano passado, por exemplo, a estrela do TikTok que virou cantora pop Addison Rae promoveu seu novo single, “Headphones On”, por meio de vídeos exibindo um iPod Nano prateado de terceira geração e oferecendo aos fãs a chance de ganhar o aparelho. Em uma entrevista à GQ publicada em abril, o rapper Nettspend incluiu seu iPod Nano na lista das 10 coisas sem as quais não poderia viver. Sua playlist para o apocalipse, disse ele, incluía o grupo de hip-hop Babyfather, o rapper Yung Lean, Willie Nelson e “talvez Mazzy Star”. Buscas cresceram mais de 8% no ano passado No ano passado, as buscas por “iPod” no eBay cresceram mais de 8% em relação a 2024, e o número de anúncios de algumas versões do aparelho aumentou cerca de 30%, segundo dados da própria empresa. Em 2025, algumas gerações do iPod foram vendidas por um preço médio 60% maior do que em 2023, com alguns vendedores pedindo quase US$ 600 (R$ 3.077) por um iPod recondicionado. S26 Ultra x iPhone 17 Pro Max: Veja as diferenças dos aparelhos no topo das linhas de Apple e Samsung A Apple lançou o iPod, um aparelho digital para tocar música, que acabaria revolucionando a indústria de eletrônicos de consumo e o mercado fonográfico, em 2001. Seus antecessores conseguiam armazenar algumas dezenas de músicas; o primeiro iPod, que tinha estrutura de aço, frente branca e uma roda sensível ao toque, podia guardar 1.000 canções. Custava US$ 399 (cerca de R$ 2.046). Nas duas décadas seguintes, a Apple lançou mais de 20 versões do iPod, algumas capazes de armazenar dezenas de milhares de músicas e outras custando apenas US$ 49 (R$ 251). A empresa acabou reduzindo o foco no aparelho à medida que passou a priorizar o iPhone. Até 2022, último ano do iPod, a Apple havia vendido cerca de 450 milhões de unidades. Procurada pela reportagem, a Apple se recusou a comentar. Angeline Richard, de 25 anos, costuma ouvir música em seu iPod enquanto faz compras em brechós Cornell Watson/The New York Times O ressurgimento do iPod é um sinal de que “as pessoas querem algo digital que não esteja conectado, mas não necessariamente algo analógico”, disse Tony Fadell, ex-executivo da Apple que ajudou a criar o iPod. Como descobrir se alguém te bloqueou no WhatsApp? Truque nas configurações da conversa dá a dica Se a escolha for “1.000 músicas no meu bolso, ou músicas ilimitadas no meu bolso e 1.000 notificações por hora”, as pessoas não querem a segunda opção, acrescentou. — A Apple deveria simplesmente trazê-los de volta — não do mesmo jeito. Eu faria diferente. Eu o tornaria moderno para a era moderna — disse Fadell. Ele afirmou ter feito vários projetos de como um iPod poderia ser ou funcionar em 2026. No entanto, se recusou a compartilhar mais detalhes, mas disse: —Você não teria conexão a menos que realmente quisesse. Acabou a espiadinha: Samsung estreia tecnologia que protege a tela em recurso restrito ao S26 Ultra Alguns jovens querem se desconectar. Em uma pesquisa de 2023, 38% dos adolescentes dos Estados Unidos disseram que passavam tempo demais no smartphone, e 36% afirmaram que haviam reduzido o uso do aparelho, segundo o Pew Research Center. — Temos tantos dispositivos que fazem tudo. Muitas vezes, isso acaba sendo esmagador — afirmou Elizabeth Hernandez, de 22 anos. Mas o iPod é “uma coisa só com um único propósito”, afirmou Elizabeth. Ela tem um iPod Nano rosa de quarta geração para suas músicas favoritas do momento e um iPod Classic prateado de sétima geração no qual baixou todos os seus CDs. Agora, quando descobre novos artistas, como a banda pop After, ela ouve os álbuns completos, em vez de pular de faixa em faixa. — Eu me sinto muito mais focada, muito mais conectada ao que estou fazendo — disse Elizabeth, estudante do último ano da Eastern Washington University, em Spokane. — Estou desconectada das redes sociais, mas me sinto mais conectada comigo mesma — acrescentou. Estética do aparelho é um dos atrativos Outros jovens têm se sentido atraídos pela estética do iPod. Maxime Irlinger, estudante do primeiro ano da universidade em Montpellier, tem cerca de 20 mil seguidores no TikTok e recebeu no ano passado um presente da Rakufun, um aplicativo japonês de compras. Ele não sabia que a Apple produzia iPods com clipe e tela sensível ao toque, mas acabou escolhendo o iPod Nano. — Acho isso moderno, mesmo sendo realmente antigo — contou Irlinger, de 18 anos. — Eu conhecia, mas não sabia que era tão legal — acrescentou. Mais uma alucinação do OpenClaw: Desta vez o agente de IA apagou todos os mails de uma diretora da Meta Um vídeo em que Irlinger prende seu iPod azul na calça jeans e depois mostra o aparelho exibindo as capas de álbuns de Charli XCX, Björk e da cantora pop beabadoobee é o mais visto em sua conta. Mas, além de ser “um toque especial para o seu look”, disse ele, o iPod é “uma nova maneira de experimentar a música”, para que “não dependamos de algoritmos”. Natalie Gamez, de 26 anos, comprou seu iPod Classic azul há cerca de quatro anos. Fotos e vídeos de outras pessoas usando o aparelho a inspiraram a fazer a compra, assim como seu desejo de usar menos os serviços de streaming. O tempo longe do celular — e ouvindo músicas de Beyoncé, Boyz II Men e artistas que ela amava no ensino médio, mas havia esquecido — ajudou sua saúde mental e foi como “curar sua criança interior”, disse Natalie. — Quando estávamos crescendo, ouvíamos música em aparelhos de CD ou em outros aparelhos de MP3 — disse a técnica de enfermagem de Lakeland. — Isso realmente ajudava como forma de escapismo. Sinto que os celulares não são mais isso, com tudo o que está acontecendo, com notificações, com redes sociais. Acho que os iPods nos devolvem isso. Por isso, ela também deu iPods aos irmãos, Emily, de 13 anos, e Clay, de 15, para reduzir o tempo de tela deles. O iPod Nano verde de terceira geração de Emily fez sucesso na escola depois que o distrito proibiu celulares. Ela o mostrou aos amigos, que ficaram impressionados com a possibilidade de ouvir todas as suas músicas no aparelho. No ano passado, três de suas amigas ganharam iPods de aniversário ou de Natal. Emily disse que gosta mais do iPod do que do celular. O motivo é simples: — É tipo assim, é mais antigo, e não é algo novo. É diferente. Initial plugin text