Guerras, conflitos, vai e vem de tarifas nos Estados Unidos, consumo flutuante na China, diminuição global de clientes no mercado de luxo em 2025 e uma queda de 2,6% do faturamento no mercado italiano são o pano de fundo da semana de moda que terminou segunda-feira (02.03) em Milão. A temporada foi marcada pela estreia de novos designers a frente de quatro das principais marcas italianas. Demna na Gucci; Maria Grazia Chiuri na Fendi, Silvana Armani, sobrinha de Giorgio, na marca que leva o nome do tio, e Meryll Rogge na Marni. Kate Moss retorna à passarela no desfile da Gucci Getty Images Na Gucci, que passa por um processo de reestruturação após três anos de queda no faturamento, Demna trouxe uma coleção inspirada nas criações de Tom Ford nos anos 90 e forte esforço comercial. Em uma carta em suas redes sociais, disse que estava mais interessado em desenvolver produtos que falem por si do que em elucubrações intelectuais sobre as peças. A imagem de sua estreia é a de Kate Moss cruzando a passarela com um vestido de cristais preto com grande decote nas costas, adornado com uma calcinha fio dental e o monograma da casa feito em ouro branco e diamantes, um resgate do G-String de 1997. Fendi, inverno 2026 Gianluca Carraro / Gorunway.com Na Fendi, Maria Grazia mostrou sua visão para a casa que, como ela, é romana. A estilista assume o comando depois Silvia Fendi e Kim Jones no que deve ser um ano de mudanças de cultura na empresa centenária. Destaque para as mais de 20 baguettes que a estilista apresentou, em uma celebração da bolsa que ela mesma hypou nos anos 90. Backstage: Giorgio Armani | Milão | Inverno 2026 Acielle / StyleDuMonde Backstage: Marni | Milão | Inverno 2026 Acielle / StyleDuMonde Revistas Newsletter Outras duas mulheres tiveram suas estreias elogiadas: Silvana Armani a frente da Giorgio Armani, com novos e elegantes cortes em flanela, e Meryll Rogge, que revitalizou os códigos da Marni da era Consuelo Castiglioni, fundadora da marca, ao fazer combinações ousadas de cores, listras e bolinhas. Bottega Veneta | Milão | Inverno 2026 Launchmetrics Spotlight Entre as tendências, a nova silhueta é cozy chic. Como defendeu Louise Trotter em sua segunda coleção para a Bottega Veneta, a roupa volta a ser confortável e os casacos e a alfaiataria funcionam como armadura a este imprevisível mundo exterior. A dose de aconchego é garantida por franjas, lã e até fibra de vidro formando uma textura fofíssima. O conforto também aparece na Jil Sander, Ferragamo e Tod’s. Backstage: Jil Sander | Milão | Inverno 2026 Acielle / StyleDuMonde Backstage: Ferragamo | Milão | Inverno 2026 Acielle / StyleDuMonde Ainda dentro da ideia de proteger-se de um mundo hostil, seja pelas mudanças climáticas ou pelo cenário geopolítico, outra tendência milanesa é a de vestir-se em camadas, tema do desfile da Prada. Miuccia e Raf Simons optaram por apresentar um casting de apenas 15 modelos que entraram quatro vezes na passarela, cada entrada com menos peças. Transparências, devorês e jogos de styling dão materialidade à ideia. Prada | Milão | Inverno 2026 Launchmetrics Spotlight Em um desfile sobre sua identidade, a Dolce & Gabbana reverenciou seus códigos e raízes, com renda siciliana e alfaiataria oversized. Na fila A, Madonna foi o centro das atenções e dos flashes. Todos os looks vieram tingidos em preto, cor que dominou também os desfiles da Fendi e da Gucci, uma aposta segura para satisfazer uma ampla gama de consumidores. Backstage: Dolce & Gabbana | Milão | Inverno 2026 Acielle / StyleDuMonde