Um dos jovens indiciados pela Polícia Civil por estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em Copacabana é aluno do curso de Bacharelado em Ciências Ambientais da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio). Bruno Felipe dos Santos Allegretti, de 18 anos, foi apontado no relatório final do inquérito da 12ª Delegacia de Polícia (Copacabana) como um dos quatro maiores de idade indiciados pelo crime de estupro qualificado com aumento de pena por concurso de pessoas. Após a divulgação do caso, o Centro Acadêmico de Ciências Ambientais da UNIRIO (Cacamb) publicou uma nota de repúdio. Segundo o comunicado, divulgado em 28 de fevereiro, a entidade estudantil informou repudiar qualquer forma de violência, “especialmente a violência sexual, que representa uma grave violação dos direitos humanos e da dignidade da vítima”, e declarou solidariedade à adolescente. A entidade também ressaltou que condutas dessa natureza são “absolutamente incompatíveis com os valores” defendidos pela representação estudantil e pela comunidade universitária. O Cacamb informou ainda que comunicou formalmente o caso à reitoria da universidade e solicitou o afastamento do estudante até a conclusão das investigações, com base na minuta do Manual de Ética Discente. O centro acadêmico também orientou que, caso o estudante seja visto no campus, não haja envolvimento direto, recomendando que as autoridades sejam acionadas pelos telefones 190 (Polícia Militar), 2253-1177 (Disque Denúncia) ou 180 (Central de Atendimento à Mulher). Até a última atualização desta reportagem, a UniRio ainda não havia se manifestado oficialmente sobre o caso. No depoimento prestado na delegacia, a jovem de 17 anos que sofreu um estupro coletivo no dia 31 de janeiro, em Copacabana, detalhou uma série de agressões físicas durante o episódio. No inquérito da Polícia Civil do Rio, ela afirmou que, após a entrada dos outros rapazes no quarto, passou a levar tapas e socos em diferentes partes do corpo. Ao concluir a investigação, a 12ª DP (Copacabana) indiciou Bruno Felipe dos Santos Allegretti, Vitor Hugo Oliveira Simonin, Mattheus Veríssimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho por estupro qualificado cometido em concurso de pessoas. O relatório menciona ainda a análise de imagens das câmeras de segurança do prédio, que registraram a chegada da vítima e dos envolvidos, bem como a saída do grupo do imóvel. Posteriormente, a adolescente realizou o reconhecimento formal dos quatro indiciados como participantes das agressões. Relato de agressões Em depoimento, a vítima declarou que, em determinado momento dentro do apartamento, foi segurada pelos cabelos e forçada a praticar atos contra a própria vontade. Também relatou que o menor de idade que a convidou para o apartamento lhe deu um chute na região abdominal e que os outros quatro envolvidos a impediram de deixar o quarto quando manifestou intenção de ir embora, fechando a porta do cômodo. Ainda conforme o depoimento, as agressões continuaram mesmo após ela afirmar que estava "cansada" e pedir para que parassem. Segundo a adolescente, o menor de idade chegou a questionar se a mãe dela a via sem roupas, e disse que ela "não podia vê-la assim porque estava com o corpo marcado e até sangrando". Ao sair do apartamento, a adolescente enviou um áudio ao irmão dizendo que acreditava ter sido estuprada. Em seguida, procurou a avó, com quem mora, e foi até a delegacia registrar ocorrência. Laudo confirma lesões O exame de corpo de delito anexado ao inquérito aponta a presença de múltiplas lesões, incluindo equimoses e escoriações na região dorsal e nas laterais do corpo, além de marcas na região glútea. O laudo também registra sangramento e descreve achados compatíveis com violência física recente. Com base nos depoimentos, nas imagens e nos laudos periciais, a autoridade policial concluiu pelo indiciamento dos quatro jovens por estupro com concurso de pessoas. O caso foi encaminhado ao Ministério Público, que decidirá sobre o oferecimento de denúncia.