A guerra no Irã se espalha pelo Oriente Médio e já vem impactando o comércio global de petróleo. Houve uma queda de 70% no tráfego de navios no Estreito de Ormuz, principal passagem marítima para transporte do petróleo no Oriente Médio e uma das vias vitais para abastecer o mundo com o combustível. Mas, afinal, onde fica esse canal? O Irã tem capacidade de bloqueá-lo? E quais seriam os efeitos para o resto do mundo caso isso aconteça? O que é o Estreito de Ormuz e qual a sua importância? Com apenas 34 km entre as duas margens em seu ponto mais estreito, essa pequena faixa de navegação entre o Irã e o Omã, conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. Ao norte, está a costa do Irã; ao sul, ficam os Emirados Árabes Unidos (EAU) e um enclave pertencente a Omã. Mapa mostra onde fica localizado o Estreito de Ormuz Arte O GLOBO Por ali passam, diariamente, 21 milhões de barris de petróleo e derivados – cerca de 20% do consumo mundial. Além disso, um terço do gás natural liquefeito (GNL) do planeta também passa pela hidrovia. Cinco importantes membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo ( Opep ) — Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque — exportam sua produção pela área. O Catar, principal exportador de gás natural liquefeito do planeta, envia quase todo o seu produto por Ormuz. Ormuz foi bloqueado? No sábado, a Guarda Revolucionária do Irã informou por rádio que “nenhum navio está autorizado a passar pelo Estreito de Ormuz”, segundo um oficial da missão naval da União Europeia, a Aspides. A advertência teria sido transmitida via VHF a embarcações que transitam pela região. No entanto, algumas embarcações continuam a atravessar a via marítima, de acordo com dados de rastreamento da MarineTraffic e da Pole Star Global, empresas de dados. O exército iraniano advertiu os navios no sábado para evitar o estreito, afirmando que a passagem por ele era “atualmente insegura”, segundo a Tasnim, uma agência de notícias ligada à Guarda Revolucionária Islâmica. Um oficial americano, porém, disse que não há evidências de que o Irã esteja tentando impor um bloqueio militar à via marítima. O que se sabe é que há um engarrafamento de embarcações no estreito. Pelo menos 150 petroleiros, com navios de petróleo bruto e de gás natural liquefeito (GNL), estão parados em mar aberto, enquanto outras dezenas esperam na outra extremidade do canal, segundo estimativas da agência de notícias Reuters, com base em dados de navegação da plataforma MarineTraffic.. Como o Irã pode bloquear o estreito? As regras das Nações Unidas permitem que os países exerçam controle até 12 milhas náuticas (13,8 milhas) de sua costa. Isso significa que, em seu ponto mais estreito, o Estreito de Ormuz e suas rotas de navegação estão inteiramente dentro das águas territoriais do Irã e de Omã. Caso o Irã tentasse bloquear os cerca de 3 mil navios que atravessam o estreito mensalmente, uma das maneiras mais eficazes de fazê-lo, segundo a BBC, seria minar o terreno utilizando lanchas de ataque rápido e submarinos. A Marinha regular do Irã e a Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) poderiam potencialmente lançar ataques contra navios de guerra estrangeiros e embarcações comerciais. No entanto, grandes navios militares podem, por sua vez, tornar-se alvos fáceis para ataques aéreos dos EUA. As lanchas rápidas do Irã são frequentemente armadas com mísseis antinavio, e o país também opera uma variedade de embarcações de superfície, veículos semissubmersíveis e submarinos. Por que um bloqueio do Estreito de Ormuz pode mexer com o petróleo do mundo todo? Diante de um cenário de guerra, um eventual bloqueio da via marítima teria um impacto considerável no mercado global, já que o fechamento da passagem poderia provocar a disparada no preço do barril de petróleo. De acordo com a Agência de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA), a região é considerada “o ponto de estrangulamento de petróleo mais importante do mundo”. Isso porque não há rotas alternativas de alta capacidade viáveis para o transporte de petróleo e de GNL, tornando o fluxo extremamente vulnerável. Ou seja, qualquer instabilidade na área pressiona os mercados globais e eleva o risco de choques nos preços de energia. Há rotas alternativas? A ameaça persistente de fechamento do Estreito de Ormuz levou, ao longo dos anos os países exportadores de petróleo da região do Golfo a desenvolver rotas de exportação alternativas. Segundo a BBC, um relatório da EIA mostrou que a Arábia Saudita ativou seu oleoduto Leste-Oeste, uma linha de 1.200 km de extensão e capaz de transportar até 5 milhões de barris de petróleo por dia. Os Emirados Árabes Unidos conectaram seus campos petrolíferos interiores ao porto de Fujairah, no Golfo de Omã, por meio de um oleoduto com capacidade diária de 1,5 milhão de barris. Em julho de 2021, o Irã inaugurou o oleoduto Goreh-Jask, projetado para transportar petróleo bruto até o Golfo de Omã. Atualmente, esse oleoduto tem capacidade para transportar cerca de 350 mil barris por dia, embora haja relatos de que o Irã ainda não esteja utilizando toda essa capacidade. Essas rotas alternativas, porém, não conseguem substituir completamente a capacidade de Ormuz