Com o objetivo de pressionar pela criação de um código de ética para o Supremo Tribunal Federal (STF) , representantes de entidades civis, jurídicas e empresariais promovem, nesta segunda-feira, 2, um ato na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). O movimento, chamado “Ninguém Acima da Lei”, exige normas claras sobre transparência, prevenção de conflitos de interesse e padrões de integridade para magistrados do STF e de outros tribunais. A ação é conduzida por organizações como Transparência Brasil, Derrubando Muros e Instituto Humanitas360. + Leia mais notícias de Política em Oeste Os organizadores explicam que a mobilização busca recuperar a confiança da sociedade no Judiciário, diante da falta de referências formais de conduta e de questionamentos quanto a relações familiares e interesses financeiros envolvendo membros das Cortes superiores. O ato está previsto para ocorrer no Salão Nobre da Faculdade, com presença confirmada da professora Eunice Prudente; do presidente do Conselho da Natura, Fábio Barbosa; do professor Conrado Hübner; e do ex-presidente da Petrobras e CEO da BRF, Pedro Parente. O evento também recebe apoio da Rede pela Soberania, do Fórum do Amanhã e da Transparência Internacional – Brasil. Além desses nomes, representantes do grupo Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE) também devem comparecer. https://www.youtube.com/watch?v=V8XenvmW9og&t=3s Polêmicas e suspeitas envolvendo o STF O protesto ocorre no contexto das recentes polêmicas, depois da liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central (BC) por suspeitas de fraudes financeiras. O caso trouxe à tona discussões sobre o comportamento de ministros do STF, colocando em evidência possíveis conflitos de interesse no âmbito dos tribunais superiores. O ministro Dias Toffoli, do STF, era relator do processo e tem sociedade em empresa que manteve vínculos comerciais com um fundo gerido por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O jornal O Estado de S. Paulo revelou que irmãos de Toffoli venderam participação milionária no resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), a um fundo da Reag Investimentos, empresa que aparece em investigações sobre fundos relacionados ao Master. Diante das críticas recebidas desde dezembro, quando assumiu o caso, Toffoli deixou a relatoria depois que a Polícia Federal (PF) identificou menções a ele em mensagens no celular de Vorcaro, além de conversas registradas entre ambos. Outro ponto de questionamento diz respeito à contratação do escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF, pelo Banco Master, com contrato avaliado em R$ 129 milhões. Debate sobre transparência A repercussão do caso reacendeu, internamente, o debate sobre a criação de regras formais de conduta no STF. O presidente do Supremo, Edson Fachin, declarou apoio à implementação de um código de ética nos tribunais superiores, apesar da resistência de alguns ministros, que preferem adiar a discussão. Leia também: "Banco Master: a insustentável leveza de Brasília" , artigo de Carlo Cauti publicado na Edição 311 da Revista Oeste O post USP sedia ato em defesa da criação de um código de ética para o STF apareceu primeiro em Revista Oeste .