Quem era a viúva de Ali Khamenei, morta em bombardeios ao Irã durante ataques dos EUA e de Israel

Mansoureh Khojasteh, viúva do líder supremo do Irã Ali Khamenei, morreu nesta segunda-feira, devido aos ferimentos causados pelos bombardeios de sábado nos ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel ao país persa. As ações culminaram no assassinato do aiatolá, seus filhos e sobrinha. Khojasteh tinha 79 anos e estava internada, em coma, desde então. A informação foi confirmada nesta segunda por autoridades iranianas. AO VIVO: Guerra no Oriente Médio cresce com múltiplos fronts e ataques entre Israel e Hezbollah; ações do Irã aumentam tensão com Europa Guerra no Oriente Médio: quem são os comandantes mortos em ofensiva de EUA e Israel Mansoureh conheceu Ali Khamenei em uma cerimônia privada em 1964. Eles se casaram no ano seguinte. Junto, o casal teve quatro filhos e duas filhas, sendo eles, em ordem, Mostafa, Mojtaba, Masoud, Meysam, Boshra e Hoda. Sempre com um perfil discreto mantido durante todo o período de liderança do marido, Mansoureh raramente aparecia em público. Ela nasceu em uma família religiosa em Mashhad, a segunda maior do Irã. Ela era filha de Mohammad Esmaeil Khojasteh Bagherzadeh, um famoso empresário da região. Initial plugin text Após a confirmação da morte de Mansoureh, fragmentos de uma antiga entrevista, que teria sido concedida por ela e publicada em 1993 traz alguns poucos detalhes sobre a vida de casada com o líder supremo do país. Entre os assuntos abordados estavam o dia a dia na casa da família, com os quatro filhos tendo nascido antes da Revolução Iraniana, que derrubou o Xá Reza Pálavi, e as duas filhas depois da mudança de governo. Ali Khamenei foi preso seis vezes por protestar contra o governo do Xá. Segundo a entrevista de Mansoureh, ela o visitou na prisão. O aiatolá ainda foi obrigada a deixar o Irã por seis anos ao ser exilado. Em comunicado à televisão estatal iraniana, o clérigo recém-eleito, Alireza Arafi, afirmou que a nomeação de um novo líder supremo do país será feita "rapidamente". A Assembleia de Peritos, composta por 88 membros, um grupo formado principalmente por clérigos, escolherá um substituto para o líder supremo, morto no sábado. Apesar das movimentações, ainda não há uma definição sobre quem irá suceder Khamenei, que ficou à frente do país por 35 anos. Conflito se espalha A morte de Mansoureh foi anunciada em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, que se expandiu no começo desta semana, com ataques ao Líbano e Israel. Países europeus classificaram como “cegos e desproporcionados” os ataques iranianos contra países vizinhos e contra Israel — onde ao menos nove pessoas morreram, segundo serviços de emergência. A declaração ocorreu mesmo o país tendo colocado em seu radar alvos militares, como bases dos EUA, que serviram como ponto de apoio para os ataques sofridos. Enquanto isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou em coletiva que a guerra contra o Irã foi projetada para durar de "quatro a cinco semanas", mas que pode "ir muito além". Até a manhã desta segunda-feira, mais de 550 mortes haviam sido confirmadas em solo iranianos, além de mais de 740 feridos, segundo a Crescente Vermelho, organização humanitária que atua em países muçulmanos. Já Israel matou 52 pessoas e deixou mais de 150 feridos no Líbano, expandindo o conflito para a região. No domingo, França, Alemanha e Reino Unido declararam que estão prontos para adotar “ações defensivas necessárias e proporcionadas” contra o Irã e não comentaram sobre o número de mortos nos ataques realizados pelos Estados Unidos e por Israel, seus aliados. Leia: EUA e aliados do Golfo criticam ‘escalada perigosa’ do Irã; veja onde República Islâmica já atacou Em meio à escalada, Washington confirmou as primeiras mortes de soldados americanos na operação contra o Irã, baseados no Kuwait. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, por sua vez, afirmou que Teerã não estabelece “nenhum limite” ao seu direito de defesa, classificando a ação dos EUA como “ato de agressão”. Segundo a rede al-Jazeera, os confrontos e ataques já alcançaram Irã, Israel, Bahrein, Iraque, Jordânia, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Líbano e Chipre. Em muitos casos, os projéteis foram interceptados por sistemas de defesa aérea, mas ainda assim houve mortos, feridos e danos à infraestrutura civil e militar.