PIB de 2025 é publicado sob nova coordenação de Contas Nacionais do IBGE, em meio à crise no órgão

O PIB de 2025 será divulgado nesta terça-feira sob nova coordenação. Há pouco mais de um mês, a direção do IBGE afastou do cargo de coordenadora das Contas Nacionais a pesquisadora Rebeca Palis, que já acumulava 11 anos na função. O novo responsável pelo segmento é Ricardo Montes de Moraes, que assumiu o posto no final de janeiro, em meio aos preparativos para a divulgação do indicador. Entenda: Economia perde fôlego e 2026 será ano de 'inércia seletiva', avalia professor do Insper Mercado de trabalho: Desemprego no Brasil estaciona no piso. Cinco fatores explicam O afastamento de Rebeca ocorreu em meio aos desdobramentos da longa crise que opõe funcionários de carreira do IBGE e o presidente da instituição, Marcio Pochmann. Na semana passada, servidores do órgão divulgaram carta aberta denunciando o que chamam de um processo de "caça às bruxas" no instituto, enumerando uma série de exonerações de servidores de carreira, como revelou a colunista do GLOBO Míriam Leitão. Logo após a exoneração de Rebeca, outros três servidores da divisão responsável pelos cálculos do PIB também deixaram seus cargos, levantando preocupações de funcionários do órgão sobre o cumprimento de prazos de revisões e projetos em andamento. Um deles foi Cristiano Martins, gerente de Bens e Serviços do IBGE, que seria o substituto de Rebeca. Ele pediu desligamento dos dois cargos em solidariedade à coordenadora. Rebeca Palis, ex-coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, em foto de 2018 Divulgação/Agência IBGE Em seguida, também entregaram seus cargos Claudia Dionísio, gerente das Contas Nacionais Trimestrais, e Amanda Tavares, gerente substituta da área. Com isso, a liderança de uma das principais divisões de estatísticas do IBGE perdeu alguns dos profissionais mais experientes. Initial plugin text Rebeca assumiu o cargo em 2014, substituindo Roberto Olinto, que deixou a função para se tornar diretor de Pesquisas e, mais tarde, presidir o IBGE. Por anos, foi a principal auxiliar de Olinto na área de Contas Nacionais e sua promoção foi vista como natural por sua capacidade técnica. Apesar da debandada, todos os recém-desligados, que são servidores concursados, continuaram trabalhando no instituto, ainda que não mais ocupando cargos de gerência, o que permitiu a continuidade dos cálculos do PIB trimestral, segundo funcionários a par do caso que optaram por não se identificar. Prévia da inflação: Mensalidade escolar sobe mais de 8% e puxa IPCA-15 em fevereiro Essas fontes afirmaram que as exonerações criaram um desafio para a equipe na divulgação dos resultados do PIB, já que estava em curso a atualização do ano utilizado como base de referência para o Sistema de Contas Nacionais, que deixa de ser 2010 e passa para 2021. Esse processo inclui a revisão de metodologias de cálculo, a incorporação de novas bases de dados e a atualização de bases históricas. Entenda a crise Um dos principais pontos que se desdobraram na crise do IBGE foi a criação da Fundação de Apoio à Inovação Científica e Tecnológica do IBGE (IBGE+), que vinha sendo criticada pelo sindicato e pelos funcionários, que temiam que ela levasse a uma perda da autonomia do órgão, por seu caráter privado, e colocasse em risco qualidade da pesquisa e do trabalho desenvolvido pelo instituto. Desde então, funcionários vêm realizando protestos, que vão desde manifestações presenciais na sede do instituto, até cartas públicas de repúdio criticando o que chamam de medidas autoritárias de Pochmann. Procurado, o presidente do IBGE não respondeu a pedidos de comentário. Initial plugin text