Elegância e espírito esportivo sempre foram marcas registradas da Alfa Romeo. Ao longo do século XX, a fabricante milanesa soube traduzir esse DNA em seus modelos conversíveis, fruto de parcerias com grandes carrozzerie italianas, como Carrozzeria Touring, Zagato e, sobretudo, a Pininfarina. Mas um nome se destacou acima de todos: o Alfa Romeo Spider. O ronco do V8: Empresa testa releitura moderna de Ferrari dos anos 90 com arrancada em túnel; veja vídeo A história dos descapotáveis modernos da marca ganhou impulso nos anos 1950, quando o importador americano Max Edwin Hoffman convenceu a Alfa Romeo a desenvolver um modelo voltado ao mercado dos Estados Unidos. A aposta resultou no Giulietta Spider, desenhado pela Pinin Farina e apelidado de “bella signorina” por suas linhas clássicas e elegantes — um sucesso imediato, especialmente na costa oeste americana. Há 60 anos, a marca decidiu dar um passo além. Para substituir o Giulietta, apresentou o 1600 Spider, com design elipsoidal marcante que lhe rendeu o apelido italiano de “Osso di Seppia” (osso de sépia). Embora o nome oficial fosse 1600 Spider por questões comerciais, o público o consagrou como “Duetto” — denominação que atravessaria gerações. Alfa Romeo Spider Reprodução/X O lançamento foi estratégico: o modelo foi apresentado a bordo do transatlântico Raffaello, em um cruzeiro rumo a Nova York cercado pela elite europeia. Era o prenúncio do conceito de “Made in Italy” antes mesmo de o termo se tornar um selo global de estilo e qualidade. O reconhecimento mundial veio com o cinema. Em 1967, um jovem Dustin Hoffman apareceu dirigindo um Duetto vermelho sob o sol da Califórnia ao som de Simon & Garfunkel no filme The Graduate. A cena consolidou o modelo como ícone cultural. Alfa Romeo Spider de 1942 Reprodução/X O Spider também conquistou outras celebridades. Steve McQueen, apaixonado por velocidade, descreveu-o como “um carro que perdoa tudo e é muito bonito”. Já Muhammad Ali personalizou o seu com a placa “Ali Bee”, em alusão ao célebre lema sobre flutuar como uma borboleta e picar como uma abelha. Tecnicamente avançado para sua época, o primeiro Spider herdou a base mecânica do Giulia Sprint GT Veloce. Trazia motor de liga leve de 1.570 cc, capaz de entregar 109 cavalos de potência. Com peso inferior a 1.000 quilos, oferecia uma condução ágil e envolvente — combinação que reforçava sua proposta esportiva.