O administrador de empresas Alexandre Frota se prepara para um desafio incomum: passar cerca de 150 dias voando sozinho em um monomotor ao redor do mundo. A expedição, com partida prevista para este mês, sairá de Fortaleza e tem como objetivo realizar a primeira volta ao mundo solo em um monomotor feita por um brasileiro. Aviação: Mais de 650 aeronaves e pistas no meio das ruas: conheça a comunidade nos EUA onde a maioria dos moradores possui avião Leia também: Acredite se quiser: existem passageiros que gostam de turbulência e até das poltronas no meio O roteiro prevê a travessia dos cinco continentes, com retorno ao Brasil estimado para agosto. Mais do que uma aventura aérea, o projeto foi concebido com planejamento de longo prazo pelo administrador. A ideia surgiu em 2022, pouco depois de Frota conquistar o brevê, um documento que atesta a habilitação para pilotar aeronaves. Desde então, ele estruturou a jornada com a mesma lógica que aplica na administração de patrimônios e na gestão de riscos: etapas bem definidas, preparação técnica rigorosa e organização financeira detalhada. Segundo o administrador, o voo é resultado de estratégia e disciplina, combinando experiência, cálculo e capacidade de adaptação para enfrentar as variáveis de uma travessia intercontinental. Cearense será primeiro brasileiro a dar volta ao mundo sozinho em monomotor Samuel Gomes / Divulgação Ao GLOBO, Alexandre contou que sempre teve um espírito aventureiro e prefere projetos mais complexos. Explicou que uma das grandes dificuldades do projeto é entrar em contato com portos e aeroportos de mais de 45 países para solucionar as demandas da aviação e burocracias diplomáticas, como emissão de vistos. — Foi o [projeto] mais complexo da minha vida, envolve muitas atribuições diferentes. Você tem que falar desde o cara que fornece combustível no interior da Ásia até a empresa que [te] recebe no aeroporto — afirmou o administrador. A solidão, para Alexandre Frota, de 52 anos, não é um problema. Ele até brincou que os colegas o consideram “meio eremita”. O maior desafio, para o cearense, vai ser ficar longe dos dois filhos e da esposa: “será o ponto mais doloroso para mim em toda essa jornada”, lamentou. Por outro lado, Frota explicou que encontrará os parentes duas vezes durante a jornada, uma em Portugal e outra nos Estados Unidos. Monomotor que dará volta ao mundo Samuel Gomes / Divulgação 'A gente quer é impactar positivamente as pessoas' O projeto conta com três frentes principais de financiamento: patrocinadores, Lei Rouanet e um financiamento coletivo, através de um site. Os custos da viagem serão financiados por patrocinadores do projeto, já a Lei Rouanet será utilizada para financiar um livro e um documentário feitos após a aventura, com o material da viagem. Ambos serão distribuídos gratuitamente em escolas e bibliotecas públicas pelo Brasil. — Isso, para mim, foi um ponto muito legal, para inspirar essas crianças, inspirar esses adolescentes, essa juventude, a pensar um pouco fora da caixa. A entender que sem sacrifício, é difícil a gente atingir algum objetivo, principalmente nesses projetos mais complexos — defendeu Alexandre. No site, Frota explica que há diversas formas de colaboração para custear a viagem, uma delas é a possibilidade do doador ter o próprio nome gravado na asa do avião. Depois dos 150 dias no ar, Alexandre acredita na oportunidade como um grande exercício de paciência e humildade. Disse ter muita chance de encontrar situações muito difíceis em alguns países do mundo todo, como um prazo de seis horas para que ele possa sair do avião depois de pousar na Índia, em razão da burocracia. — No final das contas, o que a gente quer é impactar positivamente as pessoas, principalmente aqui da região Nordeste do Brasil, concluiu o cearense.