Um gigante de 60 anos, 3 mil toneladas e 5,5 mil cavalos: Conheça veículo transportador de foguetes da Nasa

Antes de qualquer lançamento rumo à Lua, o maior veículo autopropulsado do planeta entra em ação no NASA. Com dimensões equivalentes às de um campo de beisebol, cerca de 3 mil toneladas e consumo médio de 388 a 390 litros de diesel por quilômetro, o Crawler-Transporter 2 é responsável por transportar o foguete SLS até a plataforma de lançamento das missões Artemis, que pretendem levar a humanidade de volta ao satélite natural da Terra. Quase do tamanho do sol e a 91 anos-luz da Terra: conheça 'superterra', novo planeta descoberto por astrônomos Veja também: Drones russos já podem atingir toda a Europa, diz relatório internacional; entenda Certificado pelo Guinness World Records como o maior do mundo em sua categoria, o equipamento opera no Centro Espacial Kennedy desde 1965. Ao longo de mais de seis décadas, já percorreu mais de 3.700 quilômetros sob o clima severo da Flórida, mantendo-se como peça essencial da infraestrutura espacial americana. Galerias Relacionadas Originalmente projetado na década de 1960, o veículo foi modernizado na última década para suportar o peso adicional do Space Launch System (SLS), foguete central do programa Artemis. Após atualizações estruturais e de potência, passou a ser chamado informalmente de “Super Crawler”. Apesar de raramente ultrapassar 1,6 km/h, o transporte ocorre com precisão milimétrica no trajeto entre o prédio de montagem e a plataforma de lançamento. O baixo rendimento energético — cerca de 0,002 km por litro — é considerado necessário para sustentar cargas superiores a 2,6 mil toneladas. Espionagem: Ex-piloto da Força Aérea dos EUA é preso por treinar militares chineses sem autorização O sistema mecânico também chama atenção. O Crawler-Transporter 2 utiliza dois motores a diesel V16, originalmente desenvolvidos pela American Locomotive Company (ALCO) para trens de carga pesada. Juntos, geram aproximadamente 5.500 cavalos de potência. Diferentemente de veículos convencionais, porém, eles não movimentam diretamente as esteiras. O conjunto funciona como um sistema híbrido em série: os motores a diesel alimentam geradores que, por sua vez, fornecem energia a 16 motores elétricos de tração. Ao todo, são 18 motores integrados, permitindo ajuste preciso de torque e garantindo estabilidade total do foguete durante o deslocamento. A robustez da engenharia dos anos 1960 contrasta com os objetivos ambiciosos do programa lunar. Em coletiva recente no Centro Espacial Kennedy, a NASA anunciou a aceleração do cronograma do Artemis, com a padronização da configuração dos veículos, a inclusão de uma missão adicional em 2027 e a meta de realizar ao menos um pouso lunar por ano a partir de então. Prejuízo milionário: Força Aérea Italiana investiga sumiço de 2,5 mil peças de aviões militares “NASA deve padronizar sua abordagem, aumentar a taxa de voos com segurança e executar a política espacial nacional do presidente. Com a concorrência crível de nosso maior adversário geopolítico aumentando a cada dia, precisamos nos mover mais rápido, eliminar atrasos e alcançar nossos objetivos”, afirmou o administrador da agência, Jared Isaacman. “Padronizar a configuração dos veículos, aumentar a taxa de voos e avançar nos objetivos em uma abordagem lógica e em fases é como alcançamos o quase impossível em 1969 e é assim que faremos novamente.” O administrador associado da NASA, Amit Kshatriya, reforçou a necessidade de manter a configuração do SLS e da nave Orion nas próximas missões. “Há aprendizado demais a ser aproveitado e riscos demais de desenvolvimento e produção à nossa frente. Em vez disso, queremos testar como voamos e como voamos até agora. Estamos olhando para a sabedoria das pessoas que projetaram a Apollo”, disse. A Artemis II, prevista para levar astronautas ao redor da Lua e de volta à Terra até abril de 2026, teve recentemente seu foguete e a cápsula Orion transportados pelo Crawler-Transporter 2 de volta ao prédio de montagem para reparos. Equipes trabalham na resolução de um problema com hélio no estágio de propulsão criogênico, na substituição de baterias e em testes de segurança. Enquanto foguetes modernos simbolizam o futuro da exploração espacial, o transporte terrestre que os leva até a plataforma evidencia que tradição e inovação continuam a caminhar juntas na nova corrida lunar.