A Justiça do Rio de Janeiro negou habeas corpus a três dos quatro homens suspeitos de participarem do estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos, em Copacabana, na Zona Sul do Rio. O desembargador Luiz Noronha Dantas, da 6ª Câmara Criminal, indeferiu os pedidos das defesas dos procurados, que já são considerados foragidos. Sessenta minutos de violência: Polícia detalha em relatório como vítima de estupro coletivo em Copacabana foi atraída e violentada por uma hora Violência sexual: Veja o que se sabe sobre o estupro coletivo em Copacabana até o momento Como o caso corre em segredo de Justiça, o processo não mostra os nomes de quem entrou com os pedidos de habeas corpus. Os quatro suspeitos de terem participado do episódio foram indiciados por estupro coletivo qualificado — porque a vítima é menor de idade — e cárcere privado. São eles: Bruno Felipe dos Santos Allegretti e Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, Mattheus Veríssimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho, de 19, que podem ter penas de até 18 anos de prisão. A quinta pessoa apontada pela polícia como envolvida na violência sexual é um adolescente de 17 anos, que já havia tido um relacionamento com a vítima. Ele, de acordo com as investigações da 12ª DP (Copacabana), teria atraído a jovem para o apartamento onde o estupro aconteceu e teve seu caso encaminhado para apuração na Vara da Infância e Juventude. Foi esse menor que, segundo o relatório da polícia, mandou uma mensagem por WhatsApp para a jovem, em torno das 18h do dia 31 de janeiro, convidando-a para ir ao imóvel em Copacabana. O rapaz teria comentado que outros dois amigos iriam se encontrar com eles e sugeriu a ela que levasse uma amiga. A jovem respondeu que não tinha ninguém para levar e acabou indo sozinha. Os dois se encontraram na portaria do prédio e, no elevador, ela ouviu dele uma insinuação de que fariam “algo diferente”. Ela deixou claro que não gostava da ideia e não a aprovaria. Ainda de acordo com o relatório, já estavam no imóvel Vitor Hugo — da família dos proprietários do endereço, usado eventualmente para aluguel — e Mattheus Veríssimo Zoel Martins. A presença de João Gabriel Xavier Bertho e Bruno Allegretti também foi confirmada. Depois de cumprimentar os presentes, os dois adolescentes foram para um quarto. Quando começavam a se beijar, Mattheus entrou no cômodo, sob o pretexto de buscar seu celular, e saiu. Eles estavam dando início a uma relação sexual quando, segundo depoimento da vítima, o espaço foi mais uma vez invadido, desta vez por três dos adultos. Eles ficaram assistindo e fazendo comentários debochados, até que Mattheus tocou seu seio. A jovem protestou, e os três chegaram a sair do quarto. Logo em seguida, no entanto, os quatro maiores de idade voltaram. A situação, a partir daí, evoluiu para uma sessão de estupro coletivo, segundo o depoimento da vítima à polícia. Sessão de agressões A jovem contou ter sido agarrada pelos cabelos, obrigada a praticar atos contra a sua vontade e afirmou ter levado um chute na região abdominal dado pelo adolescente. Ela contou ainda ter sido impedida de deixar o quarto e relatou ter continuado a sofrer agressões mesmo depois de dizer que estava “cansada” e pedir para que parassem. A vítima contou que ao deixar o apartamento enviou uma mensagem de áudio para o irmão dizendo que “achava que tinha sido estuprada”. À avó, a quem trata como mãe, a jovem detalhou mais uma vez o que tinha acontecido. Em entrevista ao RJ2, da TV Globo, a mulher desabafou: — Quando eu me deparei com ela e falei: “Filha, o que houve?”. Aí foi quando ela suspendeu o vestido mais ou menos até aparecer a nádega, e eu fiquei desesperada. E só catei os documentos e falei: “Vamos para a delegacia”. Ela se sentia muito culpada e dizia querer desistir da vida por vergonha, porque achava que, por onde ela passasse, todo mundo iria apontá-la como estuprada e como culpada. Ela está conseguindo se conscientizar de que ela não tem culpa, de que ela não está sozinha e de que ela importa. Initial plugin text