Documentário iraniano indicado ao Oscar oferece uma visão diferente de liderança

O primeiro documentário iraniano indicado ao Oscar competirá em Hollywood em um momento de grande turbulência no país, dias depois dos ataques conjuntos dos EUA e de Israel que mataram o líder supremo de longa data. Enquanto o regime islâmico luta para se fortalecer após a morte do Aiatolá Ali Khamenei, "Rompendo rochas" oferece uma visão diferente de liderança em um país dominado por clérigos homens por meio século. "Temos uma personagem em nosso filme que realmente usa o poder que possui para empoderar outras pessoas", disse o codiretor Mohammadreza Eyni à AFP. "Não controlando-as, não as oprimindo, não ditando o que é certo, mas apenas criando um espaço para elas", afirmou. Eyni e a codiretora Sara Khaki passaram oito anos acompanhando sua protagonista, Sara Shahverdi, a primeira mulher iraniana eleita para um conselho em uma comunidade rural. Esse processo envolveu "ter paciência suficiente para testemunhar a mudança que (Shahverdi) foi capaz de proporcionar em sua aldeia", disse Khaki durante uma entrevista em Beverly Hills antes do início da guerra. "Ela passou de ensinar meninas a andar de motocicleta a criar oportunidades de propriedade de terras para mulheres", disse Khaki. "Graças a ela, mais mulheres estão se tornando chefes de família" no Irã, um país profundamente patriarcal, acrescentou. Eyni — que se apaixonou e se casou com Khaki durante os oito anos de produção do longa-metragem — disse que, para ele, "Rompendo rochas" oferece uma visão sobre o tipo de liderança inspiradora e responsável que falta no mundo. "Todos os dias, acordamos e vemos notícias absurdas; líderes tomando decisões imprudentes. Por isso, achamos que precisamos de histórias sobre liderança mais do que nunca", disse ele.