Imagens de satélite mostram danos a bases americanas após ataques do Irã no Golfo; veja

Desde o início dos ataques americanos e israelenses contra o Irã, no sábado, a República Islâmica atingiu ao menos seis instalações militares e embaixadas dos Estados Unidos no Oriente Médio, provocando a destruição ou danos significativos a estruturas estratégicas, incluindo prédios de comando, equipamentos de comunicação por satélite, hangares de aeronaves e áreas portuárias. Vídeos e imagens de satélite verificados pela imprensa mostram bases americanas no Bahrein, no Kuwait, no Iraque e nos Emirados Árabes Unidos atingidas. Com ataques às monarquias do Golfo: Irã eleva custo da guerra à região e impõe escolhas difíceis aos vizinhos Acompanhe ao vivo: Israel ataca alvos no Irã e Líbano, e EUA pedem que americanos deixem 14 países da região No Bahrein, o quartel-general da Quinta Frota da Marinha dos EUA, em Manama, foi atacado com mísseis e drones. Vídeos mostram explosões nas proximidades da instalação, enquanto imagens de satélite feitas no domingo apontam a destruição de dois terminais de comunicação via satélite e danos extensos a edifícios de grande porte dentro do complexo. Imagens divulgadas pela Fars, afiliada à Guarda Revolucionária, mostram uma série de foguetes explodindo contra alvos à distância. Segundo a agência, o ataque com drones e mísseis destruiu um prédio de comando e Estado-Maior dos EUA na região de Sheikh Isa, no Bahrein, e provocou explosões em tanques de combustível. Washington ainda não comentou os relatos. Mais cedo, fumaça era vista saindo de uma base naval americana no país. No Kuwait, entre os alvos atingidos estão um importante quartel-general naval, campos militares formais dos EUA, bases aéreas que abrigam forças americanas e uma área recreativa naval. Na base aérea Ali al-Salem, imagens de satélite captadas no domingo mostram o colapso dos telhados de estruturas em diferentes pontos da instalação. Dois abrigos de aeronaves foram destruídos e outros dois sofreram danos. Também há registros de uma área danificada próxima à pista sul, além de impactos em prédios localizados na parte sul da base. Na base aérea Ali al-Salem, imagens de satélite captadas no domingo mostram o colapso dos telhados de estruturas Planet Labs No Iraque, a base militar situada no Aeroporto Internacional de Erbil, que abriga forças americanas, foi alvo de ataques ao longo de sábado e domingo. Vídeos e fotos verificados mostram colunas de fumaça e chamas na direção da instalação. Até a manhã de domingo, imagens de satélite indicavam que quatro estruturas em uma pequena seção da base haviam sido danificadas ou destruídas. Incêndios continuaram ativos no local nas primeiras horas de segunda-feira. Nos Emirados Árabes Unidos, imagens de satélite do Porto de Jebel Ali, em Dubai, mostram uma coluna de fumaça saindo de uma grande estrutura localizada dentro de uma área recreativa da Marinha dos EUA cercada. Embora não seja uma base militar formal, o porto é um dos mais movimentados pontos de escala da Marinha americana. Imagem de satélite mostra antes e depois do porto de Jebel Ali, em Dubai; fumaça pode ser vista após ataque iraniano, em 1º de março de 2026 Planet Labs PBC/AFP Nesta terça-feira, a embaixada americana no Kuwait disse estar fechada “até novo aviso”. Em publicação nas redes sociais, a representação diplomática citou “tensões regionais em curso” e informou que cancelou “todos os atendimentos consulares regulares e de emergência”. Um dia antes, o Departamento de Estado dos Estados Unidos instou americanos em várias partes do Oriente Médio a deixar a região imediatamente por meios comerciais devido a “riscos de segurança”. Também nesta terça-feira, a Missão dos EUA na Arábia Saudita emitiu um alerta para que pessoas permaneçam em abrigo em Jidá, Riad e Dhahran, e informou que vai limitar viagens não essenciais a quaisquer instalações militares na região. O Ministro da Defesa do país confirmou que a embaixada americana em Riad foi atacada por dois drones, acrescentando que a ofensiva resultou em “um incêndio limitado e danos materiais leves ao edifício”. À rede NewsNation, o presidente Donald Trump disse que Washington irá retaliar “em breve”. Após aumento de ameaças: EUA pedem que americanos deixem mais de 12 países do Oriente Médio Ainda na Arábia Saudita, imagens de satélite analisadas pela BBC mostram danos a uma grande refinaria de petróleo. Fogo e marcas de queimadura podem ser vistas ao redor das torres de resfriamento na área central da refinaria, localizada no leste do país. A região abriga uma série de dutos que conectam diferentes unidades de armazenamento ao píer central do complexo, normalmente capaz de abastecer simultaneamente quatro navios-tanque. Capacidade de defesa Além dos danos estruturais, os ataques levantaram questionamentos sobre a capacidade de defesa aérea das instalações americanas na região. Vídeos mostram um drone iraniano Shahed, descrito por especialistas como relativamente lento, atravessando as defesas na área do quartel-general naval no Bahrein. Na Ucrânia, drones desse tipo muitas vezes podem ser abatidos com uma simples metralhadora de alto calibre. Sistemas adicionais de defesa aérea, como THAAD e Patriot, foram deslocados para o Oriente Médio nas últimas semanas, segundo relatos, e destróieres da classe Arleigh Burke foram posicionados no Golfo e no Mediterrâneo oriental. Ainda assim, imagens e registros dos ataques indicam que mísseis e drones conseguiram atingir alvos estratégicos. Veja vídeo: Exército de Israel avança por terra contra o sul do Líbano em nova escalada contra o Hezbollah A Marinha americana deslocou cerca de uma dúzia de destróieres da classe Arleigh Burke para o Golfo e o Mediterrâneo oriental. Eles são capazes de abater drones e mísseis balísticos, e já demonstraram eficácia no Mar Vermelho contra os rebeldes houthis no Iêmen, apoiados pelo Irã. Entre 2024 e 2026, os EUA interceptaram quase 400 drones e mísseis houthis. Caças americanos enviados à região também têm capacidade de interceptar drones e mísseis. Atualmente, os EUA contam com mais de 100 aeronaves de combate na área. Mas mesmo essas capacidades significativas dificilmente serão suficientes para impedir que o Irã atinja alguns alvos com sucesso. Antes dos mais recentes ataques dos EUA e de Israel, o Irã provavelmente ainda dispunha de um arsenal de cerca de 2 mil mísseis balísticos de curto alcance. O país também possui um número ainda maior de drones de ataque unidirecional. Para especialistas ouvidos pela BBC, é improvável que os EUA disponham de unidades suficientes para proteger todas as suas bases e interesses no Oriente Médio. (Com New York Times)