Os Correios devem iniciar nesta semana a negociação com bancos para tentar viabilizar um novo empréstimo de até R$ 8 bilhões. A consulta às instituições será aberta. Ainda que não haja restrições devido ao período eleitoral, interlocutores afirmam que o ideal é fechar o novo contrato até junho. No fim do ano passado, a empresa, que vive a pior crise de sua história, conseguiu fechar um contrato de R$ 12 bilhões com um grupo de cinco instituições financeiras, mas o objetivo da estatal comandada por Emmanoel Rondon sempre foi alcançar R$ 20 bilhões em crédito para poder colocar em prática ações para reverter o prejuízo da empresa. O novo empréstimo dos Correios já foi "pré-aprovado" pelo governo, conforme decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN) da semana passada. O colegiado, formado pelos ministros da Fazenda e do Planejamento e pelo presidente do Banco Central, atualizou o limite para contratações de operações de crédito por órgãos e entidades do setor público e criou um sublimite específico para operações dos Correios com garantia da União. As despesas de até R$ 10 bilhões com o plano não serão consideradas na meta fiscal das empresas estatais este ano, conforme a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). A exceção foi incluída no projeto de última hora depois de a crise nos Correios ter forçado um contingenciamento no orçamento da União no ano passado. Já estão em curso o Plano de Demissão Voluntária (PDV) e os leilões de imóveis. Os Correios também estão quitando dívidas e tentando melhorar o desempenho operacional da estatal, mas o índice de entregas no prazo ainda está aquém da meta. Além disso, a cúpula da empresa está negociando parcerias para diversificar as receitas. Em comunicado aos funcionários nesta terça-feira, a estatal disse que 97% das pendências financeiras foram negociadas ou regularizadas, cumprindo o papel da primeira fase do plano de diminuir a presão sobre o caixa e organizar as contas da empresa. Além disso, nesta segunda-feira, a direção dos Correios demitiu dois diretores ligados à gestão anterior da empresa. Serão substituídos o diretor de Operações, Sérgio Kennedy Soares Freita e a diretora Financeira, Loiane Bezerra de Macedo. Segundo interlocutores, os novos diretores terão perfil técnicos e os nomes terão que ser aprovados por comitês internos da estatal. O empréstimo já em vigor, de R$ 12 bilhões, foi fechado por um consórcio formado por Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Santander e Caixa. A proposta feita pelas instituições prevê prazo de pagamento de 15 anos, com três anos de carência e os juros equivalentes a 115% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) ao ano, taxa de referência os empréstimos diários entre os bancos e próxima à Selic. Antes, o Tesouro Nacional barrou uma negociação com um grupo formado por Citibank, BTG Pactual, ABC Brasil, BB e Safra que previa uma taxa de juros equivalente a 136% do CDI para conceder um empréstimo de R$ 20 bilhões. A taxa era bastante superior ao limite de 120% do CDI normalmente usado pelo Tesouro para avalizar operações com aval da União.