Multidões ocuparam as ruas da cidade de Minab, no sul do Irã, próxima ao estratégico estreito de Ormuz, para acompanhar o funeral coletivo de dezenas de crianças e professoras mortas em um ataque contra uma escola primária feminina no sábado, segundo a mídia estatal iraniana. De acordo com o The New York Times, ao menos 175 pessoas morreram no bombardeio, que teria destruído pelo menos metade do prédio de dois andares. Autoridades iranianas afirmam que a ofensiva fez parte de uma operação lançada por Israel em cooperação com os Estados Unidos, mas o Exército israelense nega a acusação. Até o momento, não há autoria confirmada nem explicação oficial sobre o incidente. Guerra no Oriente Médio: acompanhe a cobertura completa Vídeos: NYT confirma destruição em escola no Irã com 175 mortos; Teerã acusa Israel, que nega Familiares e moradores levaram fotos das vítimas, algumas com apenas 7 anos, em cenas que evidenciam o impacto humano da escalada do conflito. Ainda há poucos detalhes oficiais sobre os mortos nos ataques ao Irã, mas, de acordo com o Crescente Vermelho iraniano, ao menos 780 pessoas morreram em 153 distritos do país desde o início da ofensiva. Segundo informações divulgadas pela CNN, imagens e vídeos do funeral mostram centenas de pessoas reunidas ao redor de pequenos caixões cobertos com a bandeira do Irã, enquanto recitavam orações e prestavam homenagens às vítimas. Após o bombardeio, o The New York Times verificou diversos vídeos e fotos que mostram salas da escola completamente devastadas e parte da estrutura reduzida a escombros. Dezenas de pessoas morreram em ataque a uma escola no sul do Irã Na terça-feira, o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, solicitou uma investigação “rápida, imparcial e completa” sobre o ataque à escola. De acordo com o jornal Haaretz, ele afirmou que o episódio pode configurar crime de guerra, dizendo que “ataques indiscriminados” representam “graves violações” do direito internacional humanitário. “O ônus cabe às forças que realizaram o ataque de investigá-lo”, declarou Volker Türk em nota. Ele também defendeu que as conclusões sejam tornadas públicas e que se “garantam responsabilização e reparação às vítimas”. Initial plugin text A cobrança ocorreu após o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, acusar Washington e Tel Aviv de serem responsáveis pela morte das crianças. Em uma publicação na rede social X, na segunda-feira, o chanceler divulgou a imagem de covas recém-abertas. “Estas são covas sendo cavadas para mais de 160 jovens inocentes que foram mortas no bombardeio americano-israelense a uma escola primária. Seus corpos foram dilacerados”, escreveu Araghchi. Ataques às monarquias do Golfo: Irã eleva custo da guerra à região e impõe escolhas difíceis aos vizinhos Também na segunda-feira, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, declarou a jornalistas que o país “não visaria deliberadamente uma escola”. — O Departamento de Guerra estaria investigando isso, caso tenha sido um ataque nosso, e eu encaminharia sua pergunta a eles — disse. O episódio ocorre em meio à intensificação dos ataques israelenses contra o Irã. Na terça-feira, imagens que circularam a partir de Teerã mostraram quarteirões residenciais reduzidos a escombros, reforçando o cenário de destruição provocado pela escalada militar.