Família acusa hospital de erro médico após morte de bebê de 1 ano em Niterói: 'medicação trocada', diz a mãe

A polícia investiga a morte de uma menina de 1 ano e 7 meses no Complexo Hospitalar de Niterói (CHN), no último domingo (1º). A família da bebê aponta uma série de falhas da unidade de saúde que teriam sido determinantes para o óbito, incluindo aplicação de medicação incorreta e assistência médica deficiente. Na segunda-feira, parentes da menina fizeram um protesto em Niterói. Rayanna Britto, mãe da vítima, disse que a filha Valentina deu entrada no hospital na última sexta-feira (27), tendo crises convulsivas, e foi para o CTI. Apresentou melhora progressiva no sábado, o dia seguinte, mas o cenário mudou na madrugada de domingo, após uma troca de plantão. A mãe relata que, por volta das 6h, percebeu uma irregularidade num medicamento que estava sendo dado à filha via bomba de infusão. A suspeita é que a menina tenha recebido uma dosagem inadequada ou um medicamento destinado a outro paciente. De acordo com apuração do g1, havia uma criança de 7 anos, também chamada Valentina, internada na UTI no CHN no fim de semana. — Vi que o primeiro nome na etiqueta era o mesmo da minha filha, mas que aquele remédio era para uma criança mais velha. Já tinha uns cinco minutos que o remédio estava sendo dado a ela. Corri para pedir às enfermeiras para tirar o medicamento porque aquilo estava estranho. Uma enfermeira me disse: "É só a etiqueta que está trocada, sou eu quem faço as medicações dos meus pacientes, eu não troquei a medicação dela. A medicação está certa". Mas, nesse instante, ela foi lá, mexeu na bomba, tirou a seringa, saiu da sala e voltou com outra, com o nome da Valentina — afirma Rayanna. — Não sei se o remédio estava trocado ou se era o mesmo remédio que ela tomava com uma dosagem maior e que fez o que fez. Porque foi depois dessa medicação que a minha filha começou a inchar, parecia que ia explodir. Segundo Rayanna, a menina ficou com pernas e braços muito inchados e vermelhos e olhos arregalados: — Aí vieram a enfermeira que falou do medicamento e mais outra para aplicar um remédio mas perderam o acesso à veia e o o medicamento começou a escorrer para fora. Queimou o braço dela. Rayanna foi dormir na expectativa de falar com a médica que faria a visita pela manhã. Diz que quando acordou, por volta das 6h, viu que a filha estava recebendo oxigênio. — Pedi para chamar um médico e as enfermeiras disseram que já havia passado uma médica no quarto quando a saturação da minha filha caiu. Mas antes ninguém deu atenção a ela. Soube que a Valentina passou mal quando estava fazendo fisioterapia respiratória e que a fisioterapeuta se negou a aspirar a Valentina e a colocaram no oxigênio. Ainda de acordo com Rayanna, mais tarde trocaram a menina de quarto e intensificaram o atendimento. Foi então que a mãe decidiu fazer uma denúncia e foi à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam). Ela conta que enquanto registrava a ocorrência, o pai da menina ligou dizendo que ela havia sido entubada. Pouco depois de a mãe voltar às pressas para o hospital, a bebê morreu. — Foi erro médico. A Valentina não estava tendo atenção, assistência. Quando perguntei a causa da morte, disseram que já tinham falado para o pai dela, mas ele me disse que não sabia de nada. Na causa da morte puseram que ela estava com pneumonia, mas antes, quando pedi para fazer um raio-X, falaram que o pulmão estava limpo. Também botaram esnutrição, sendo que desde a barriga a Valentina não pegava peso como as outras crianças, e epilepsia, que ela não teve — revolta-se. — Estamos lutando para que isso não aconteça com outras pessoas. Nova perícia O caso foi encaminhado para a 76ª DP (Icaraí) após o registro inicial na Deam. O corpo da menina foi levado para o IML e a família aguarda uma autorização da Justiça para ser submetido a uma segunda necropsia a pedido da família, para confirmar a causa da morte. O que diz o hospital Em nota, o Complexo Hospitalar de Niterói manifestou pesar e solidariedade com os familiares da criança, e se colocou à disposição para prestar todo o suporte necessário, mas afirma que "durante a internação da paciente as prescrições médicas foram administradas de forma correta". Confira a íntegra da nota do hospital "O Complexo Hospitalar de Niterói informa, com profundo pesar, o falecimento da menor V.B.A. neste domingo (1/3), apesar de todos os esforços das equipes multidisciplinares. Neste momento de profunda dor, o hospital se solidariza com os familiares e está disponível para prestar todo o suporte necessário. A instituição reforça que durante a internação da paciente as prescrições médicas foram administradas de forma correta. Ressalta, também, que mantém o compromisso com a privacidade e a confidencialidade de seus pacientes, por isso, não divulga informações sobre tratamentos e internações, obedecendo o que dispõe a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD)."