A demissão de Filipe Luís do Flamengo, nesta segunda-feira, 2, não deveria causar surpresa. Nem mesmo a goleada por 8 a 0 do Flamengo sobre o Madureira seria suficiente para afastar o treinador de um clima de desconfiança, gerado pela direção do clube, existente desde a posse do atual presidente, Luiz Eduardo Baptista, o Bap. + Leia mais notícias de Futebol em Oeste Ainda mais neste início de ano, em que, de maneira injusta e desproporcional, a pressão sobre ele cresceu muito, por causa das derrotas na Supercopa do Brasil e na Recopa sul-americana. Para quem acompanhava, mesmo à distância, a rotina do clube, ficava nítido que não havia harmonia entre ele e a diretoria. Filipe nunca contou com a confiança plena de Bap. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Flamengo (@flamengo) Antes de ser eleito, Bap não confirmava que manteria o treinador. Com a eleição, em dezembro de 2024, manteve-o a contragosto. Alegou que uma demissão seria prejudicial ao clube, já que o contrato do técnico ia até o fim de 2025. Nas entrevistas depois do jogo, transparecia, da parte de Filipe, a sensação de que, apesar de respeitar o clube, ele via o Flamengo como um trampolim para o "eldorado" do futebol europeu. Seu sucesso inicial foi amparado em táticas absorvidas de técnicos como Diego Simeone e José Mourinho. Deu certo até certo ponto, mas, já neste início de ano, o esquema perdeu fôlego. Evidenciou a necessidade de Filipe apresentar uma identidade própria, algo que, com pouco tempo na função, ainda estava descobrindo. Exemplo disso foi o fato de ele ter utilizado, na final da Recopa contra o Lanúns, uma metodologia típica europeia: manter-se alheio e indiferente às pressões de torcedores e da mídia. No Brasil, essas pressões são, na maioria das vezes, descabidas. Mas, se um técnico insiste em impor a escalação de um jogador que, mesmo de bom nível, não atravessa boa fase, como Samuel Lino, acaba expondo o próprio atleta e irritando ainda mais os torcedores, em um momento delicado. Nessa situação, a filosofia europeia lhe foi prejudicial. Essa postura passou a impressão de supervalorização do futebol europeu em detrimento do brasileiro. Em grande parte, a diferença é evidente, mas as causas são muito mais complexas do que apenas a crença em uma defasagem técnica, o que não é o caso. Flamengo de Filipe em jogos internacionais Nas partidas contra o Bayern de Munique , pela Copa do Mundo de Clubes, e contra o PSG, pela Intercontinental, o discurso do treinador, que enaltecia exageradamente os adversários, pode ter influenciado os resultados. Isso depois de o próprio Flamengo ter vencido, com superioridade, o Chelsea na primeira fase da Copa do Mundo. A equipe inglesa, inclusive, foi a campeã. Leia mais: "O goleiro argentino apaixonado pelo Brasil" Caso tivesse o respaldo de um dirigente sintonizado com seu trabalho, essas questões poderiam ser superadas. Assim como algumas turbulências, como quando Filipe se queixou do atacante Pedro em público, e o diretor José Boto foi alvo de questionamentos, ou a difícil negociação para a renovação do seu contrato, que ocorreu muito mais pelas conquistas de 2025 do que pela preferência do presidente. Todas essas questões, porém, ficaram insustentáveis na visão de uma diretoria que já não considerava Filipe Luís o nome preferido para o cargo. A demissão dele era uma questão de tempo, resultado de uma contagem regressiva iniciada no instante em que o atual presidente foi eleito. O post Demissão de Filipe Luís do Flamengo era questão de tempo apareceu primeiro em Revista Oeste .