Banco Central permite que bancos usem depósito compulsório para recompor FGC após crise do Master

O Banco Central (BC) acolheu o pedido do mercado e permitiu nesta terça-feira que as instituições financeiras deduzam dos recolhimentos compulsórios de depósitos à vista e a prazo o valor de contribuições a ser antecipado para recompor o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A estimativa é de que a medida resulte em liberação de R$ 30 bilhões em 2026. O compulsório é uma parte dos depósitos (à vista, a prazo ou poupança) que os bancos são obrigados a manter depositada no Banco Central. É um instrumento para controlar a quantidade de dinheiro em circulação e aumentar a segurança do sistema financeiro, além de regular a oferta de crédito. "A medida visa neutralizar o efeito da antecipação ao FGC na liquidez do sistema bancário. Alinha-se com o objetivo dos recolhimentos compulsórios, de manter recursos das instituições financeiras no BC, que possam ser utilizados em momentos em que sua liberação contribua para a estabilidade e a eficiência do Sistema Financeiro", disse o BC, em nota divulgada à imprensa. Segundo o BC, a medida permite que os bancos e demais instituições financeiras se vão alocar a dedução nos recolhimentos compulsórios incidentes sobre recursos à vista ou a prazo. "Essa flexibilidade amplia a efetividade do instrumento e potencializa seu alcance. Estima-se que a medida possa resultar em liberação de R$ 30 bilhões em 2026. O compulsório será recomposto mensalmente, com o vencimento da referida antecipação mensal." Como mostrou O GLOBO, o Conselho do Fundo Garantidor de Créditos aprovou uma proposta que prevê a antecipação de sete anos de contribuição e o pagamento de uma taxa extra pelos associados para compensar o rombo provocado pela cobertura aos investidores das instituições do grupo Master liquidadas pelo Banco Central. O baque no caixa do fundo é superior a R$ 50 bilhões considerando todas as instituições liquidadas. De forma regular, as associadas fazem um repasse mensal de 0,01% do total de depósitos elegíveis à garantia de cada instituição. Para recomposição, pelo plano aprovado, os associados devem antecipar 60 meses de repasse ao fundo este ano, 12 meses em 2027 e mais 12 meses em 2028 - totalizando 84 parcelas, ou sete anos de contribuição.