Irã pode ficar fora da próxima Copa do Mundo

A guerra no Oriente Médio, dos Estados Unidos (EUA) e Israel, contra o Irã, deixou incerta a presença da seleção iraniana na próxima Copa do Mundo de futebol, que começa em 11 de junho próximo. Um dos anfitriões da competição é os EUA. + Leia mais notícias de Mundo em Oeste O país asiático tem três partidas previstas em solo norte-americano entre 15 e 26 de junho, duas em Inglewood, na Califórnia , e outra em Seattle. Canadá e México também receberão jogos da edição ampliada para 48 seleções. Está sendo cogitada a possibilidade dos jogos do Irã serem transferidos para o México ou Canadá. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por ESPN FC (@espnfc) Os ataques coordenados de EUA e Israel desde sábado 28 resultaram na morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, além de dezenas de autoridades. Teerã respondeu lançando mísseis contra Israel e aliados norte-americanos, como o Catar, sede da Copa de 2022, e a Arábia Saudita, escolhida para organizar o Mundial de 2034. “Depois desse ataque, não podemos esperar a Copa do Mundo com esperança”, afirmou Mehdi Taj, principal dirigente do futebol iraniano e vice-presidente da Confederação Asiática", à ESPN. Não está claro se a federação do país poderia se recusar a enviar a equipe ou se o governo norte-americano poderia impedir sua entrada. A Federação Internacional de Futebol (Fifa) limitou-se a dizer que “monitora os acontecimentos ao redor do mundo”. Gianni Infantino, presidente da entidade, e Donald Trump têm bom relacionamento. Dentro de campo, o Irã é uma das forças da Ásia. Disputou seis das últimas oito Copas e ocupa o 20º lugar no ranking da Fifa, sem ter ficado abaixo da 24ª posição desde o Mundial do Catar. Desde 2014, quando atuou na Copa do Mundo do Brasil, revelou para o mundo bons jogadores, como Ehsan Haji Safi, Mehdi Taremi, Saman Ghoddos e Alireza Jahanbakhsh No sorteio realizado em dezembro, em Washington, a equipe ficou no segundo pote e caiu em um grupo considerado acessível: estreia contra a Nova Zelândia, depois enfrenta a Bélgica e encerra a fase inicial diante do Egito. A ampliação do torneio aumenta as chances de avanço, já que terceiros colocados também podem se classificar. EUA e a entrada de jogadores do Irã na Copa do Mundo O governo de Donald Trump prometeu isenções às restrições de entrada para atletas e comissões técnicas em grandes eventos esportivos, embora dirigentes iranianos tenham tido vistos negados para o sorteio. A politização da presença iraniana em Copas não é novidade: protestos de torcedores já marcaram a edição anterior. Leia mais: "Trump prevê que guerra contra o Irã dure 5 semanas: 'Nossa última chance'" No plano jurídico, o regulamento da Fifa prevê a desistência ou a exclusão de uma seleção, mas concede margem de decisão à entidade, relata a AFP. O artigo 6.7 estabelece que a federação internacional pode deliberar “a seu exclusivo critério” e até substituir a associação participante por outra, sem detalhar se a reposição precisa vir da mesma confederação. O precedente de decisões flexíveis não é distante: há 18 meses, a inclusão do Inter Miami, do craque Lionel Messi, no Mundial de Clubes foi anunciada pelo presidente Infantino sem base clara nas regras formais do torneio. Se o Irã se retirasse, hipótese ainda especulativa, abriria mão de pelo menos US$ 10,5 milhões, sendo US$ 9 milhões pagos às seleções eliminadas na fase de grupos e US$ 1,5 milhão destinado à preparação. Haveria ainda multas disciplinares que podem chegar a 500 mil francos suíços, além do risco de exclusão das eliminatórias de 2030. Em caso de vacância, Iraque ou Emirados Árabes Unidos aparecem como candidatos naturais na Ásia, depois de campanhas nas eliminatórias. O regulamento, porém, não obriga explicitamente que o substituto pertença à mesma confederação, o que mantém aberta uma zona cinzenta. A história mostra que trocas tardias são raras, mas possíveis. A Dinamarca conquistou a Eurocopa de 1992 depois de ser chamada às pressas no lugar da Iugoslávia, excluída por sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) . Terminou a competição como campeã, liderada pelo goleiro Peter Schmeichel e pelo capitão Lars Olsen. Já na Copa de 1950, disputada no Brasil, apenas 13 seleções participaram depois de desistências como as de Índia e Escócia. O post Irã pode ficar fora da próxima Copa do Mundo apareceu primeiro em Revista Oeste .