A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, discursa em 8 de janeiro de 2026 durante a cerimônia em homenagem a militares e seguranças venezuelanos e cubanos que morreram durante a operação dos EUA para capturar o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores Leonardo Fernandez Viloria/Reuters O governo Trump está ameaçando a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, com um possível processo criminal para pressioná-la a continuar acatando as ordens dos Estados Unidos, afirma a agência de notícias Reuters. Segundo quatro pessoas familiarizadas com o assunto, que falaram sob condição de anonimato, procuradores federais americanos reuniram possíveis acusações de corrupção e lavagem de dinheiro contra Delcy e estão usando essas informações para obrigá-la a continuar cumprindo as exigências de Trump. A Reuters diz que não teve acesso à versão escrita das acusações contra Rodríguez, mas que é o Ministério Público dos EUA em Miami que está preparando a minuta da acusação, e que o documento vem sendo elaborado nos últimos dois meses. A investigação se concentra no suposto envolvimento de Rodríguez na lavagem de dinheiro da estatal petrolífera venezuelana PDVSA, disseram três das fontes, e abrange atividades entre 2021 e 2025, disseram duas das fontes. Ainda de acordo com as fontes, além da minuta de acusação, as autoridades americanas apresentaram a Rodríguez uma lista com pelo menos sete ex-dirigentes do partido, associados e seus familiares que o governo americano deseja que ela prenda ou mantenha sob custódia venezuelana para possível extradição. O Departamento de Justiça se recusou a comentar a matéria. Após a publicação de um resumo da reportagem no podcast matinal Reuters World News, o vice-procurador-geral Todd Blanche escreveu no X: "Completamente FALSO. Não sei como notícias falsas desse tipo chegam à publicação". 'Relação que temos agora é nota 10', disse Trump Trump diz que visitará Venezuela: 'Relação que temos agora é nota 10' No dia 13 de fevereiro, Trump afirmou que está planejando visitar a Venezuela, mas ainda sem data marcada. Ao falar com repórteres na saída Casa Branca, ele elogiou a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, definiu a relação de Rodríguez com Washington como "ótima" e garantiu os governos americano e venezuelano estão "trabalhando em estreita colaboração" na questão do petróleo. Questionado pela agência de notícias Reuters se reconheceria Rodríguez como representante oficial do governo, Trump respondeu: "Sim, já fizemos isso. Estamos lidando com eles e, na verdade, neste momento eles estão fazendo um ótimo trabalho. Eu diria que a relação que temos agora com a Venezuela é nota 10". O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez REUTERS/Kevin Lamarque / Wendys Olivo/Palácio Miraflores/Divulgação via REUTERS Um dia antes, em post na rede Truth Social, ele afirmou que seu secretário de Estado, Marco Rubio, e outros funcionários do governo estão "lidando muito bem" com a presidente interina, e que o "petróleo está começando a fluir". "As relações entre a Venezuela e os Estados Unidos têm sido, para dizer o mínimo, extraordinárias! Estamos lidando muito bem com a Presidente Delcy Rodríguez e seus representantes. O petróleo está começando a fluir e grandes quantias de dinheiro, não vistas há muitos anos, em breve ajudarão muito o povo da Venezuela", escreveu. Convite para a Casa Branca Presidente interina da Venezuela diz que esta 'farta' das ordens de Washington Em entrevista para a NBC News, divulgada nesta quinta-feira (12), Delcy Rodríguez disse ter sido convidada para ir aos Estados Unidos durante a visita do secretário de Energia americano, Chris Wright, a Caracas. Segundo a venezuelana, que encontrou com o representante do governo Trump na quarta-feira (11) para debater a recuperação da indústria petrolífera do país, seu governo está considerando aceitar o convite: "Fui convidada para os Estados Unidos. Estamos considerando ir para lá assim que estabelecermos essa cooperação e pudermos avançar com tudo". A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, e o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria Apesar das declarações positivas de ambos os lados, recentemente, no dia 25 de janeiro, Delcy Rodríguez afirmou que estava “farta” das ordens vindas de Washington. “Chega de ordens de Washington sobre os políticos na Venezuela. Deixemos que a política venezuelana resolva nossas diferenças e conflitos internos. Chega de potências estrangeiras”, declarou Rodríguez durante um discurso a trabalhadores do setor petrolífero no estado de Anzoátegui, no leste do país. Após a derrubada de Maduro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que o governo interino de Rodríguez estaria sob tutela americana. Segundo a Casa Branca, os EUA passaram a controlar o petróleo venezuelano. Na ocasião, Trump e Rodríguez chegaram a conversar por telefone. “Falamos sobre muitas coisas, e acho que estamos nos dando muito bem com a Venezuela”, disse Trump à época. “E ela é uma pessoa incrível. Quero dizer, é alguém com quem temos trabalhado muito bem.” Em entrevista à revista The Atlantic, o presidente americano afirmou que Rodríguez pagará um “preço muito alto” caso não coopere com os Estados Unidos. Segundo ele, o custo dos próximos passos da presidente interina pode ser ainda maior do que os de Maduro. “Se ela não fizer o que é certo, vai pagar um preço muito alto, provavelmente maior do que o de Maduro”, declarou. Segundo o The New York Times, semanas antes da operação que resultou na captura de Maduro, autoridades dos EUA já haviam decidido que o nome de Delcy Rodríguez seria “aceitável”, ao menos de forma temporária. Internamente, a decisão de mantê-la como substituta foi tomada pelo Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela logo após Maduro ser retirado do poder pelos EUA. Segundo o texto, ela assumiu o cargo para “garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da Nação”. Após a manifestação do Supremo, as Forças Armadas da Venezuela também reconheceram Rodríguez como presidente interina. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, fez um pronunciamento em rede nacional no qual endossou a decisão e confirmou que ela permanecerá no cargo por 90 dias. Em sua primeira declaração após a captura de Maduro, Rodríguez pediu calma e afirmou que a Venezuela “nunca será colônia de nenhuma nação”. Ela também classificou o episódio como um “sequestro” promovido pelos Estados Unidos. Advogada, Delcy Rodríguez tem 55 anos e ocupa cargos no governo venezuelano desde 2003, ainda na gestão de Hugo Chávez. Conhecida pelo perfil combativo, ela é presença constante nos momentos de maior tensão institucional no país.