A Comissão de Relações Exteriores da Câmara aprovou nesta terça-feira a convocação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para comparecer ao colegiado com o objetivo de prestar esclarecimentos sobre a posição do governo em relação à guerra travada entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã. O requerimento é de autoria do deputado Rodrigo Valadares (União Brasil-SE), que argumenta que o Itamaraty publicou uma nota expressando preocupação com escalada da tensão militar na região diante dos ataques norte-americanos e israelenses contra o Irã, mas não fez o mesmo após ações iranianas. "Essa assimetria de posicionamento suscita legítimos questionamentos quanto aos critérios diplomáticos adotados, à consistência da narrativa oficial e ao alinhamento da posição brasileira com os princípios constitucionais que regem sua atuação internacional", afirma o deputado no requerimento. Dessa forma, diz o deputado, a presença de Vieira no colegiado tem como objetivo esclarecer quais foram os fundamentos jurídicos e diplomáticos que orientaram a posição do governo, além de se houve alguma avaliação específica sobre os ataques iranianos contra países do Golfo, e quais serão as diretrizes que orientarão a atuação do Brasil diante do conflito internacional. "Diante da gravidade dos fatos, de suas repercussões regionais e globais e da necessidade de assegurar transparência e coerência na política externa brasileira, o comparecimento do Ministro perante a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional revela-se medida legítima, necessária e compatível com o pleno exercício das prerrogativas constitucionais do Poder Legislativo", conclui o documento. A aprovação pela oposição da convocação de Vieira transcorreu com tranquilidade na Comissão, tendo em vista que não houve votos contrários ao requerimento de Valadares. A votação se deu de forma simbólica, quando parlamentares contrários se manifestam, mas não houve oposição. Os ataques dos EUA e Israel contra o Irã começaram no último final de semana, acendendo mais um alerta na região, que vem enfrentando conflitos militares há anos, e resultou na morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei e em 787 mortes até agora. Na noite de sexta-feira, o Itamaraty divulgou nota manifestando “profunda preocupação” com a escalada de hostilidades na região, que representaria “uma grave ameaça à paz e à segurança internacionais, com potenciais impactos humanitários e econômicos de amplo alcance”. Em resposta, o governo iraniano passou a contra atacar instalações militares em regiões do Golfo, como instalações no Bahrein, Iraque e Emirados Árabes Unidos e Kuwait. Na mesma nota do ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty afirmou que se "solidariza com a Arábia Saudita, o Bahrein, o Catar, os Emirados Árabes Unidos, o Iraque, o Kuwait e a Jordânia – objetos de ataques retaliatórios do Irã em 28 de fevereiro"