Gisèle Pelicot é condecorada pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez: 'Transformou o silêncio em consciência coletiva'

A ativista francesa Gisèle Pelicot, que se tornou uma figura global na luta contra a violência de gênero, foi condecorada nesta terça-feira pelo primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, que elogiou sua "determinação" e expressou seu "profundo respeito" por ela. Obra autobiográfica: Gisèle Pelicot revela dor e resiliência em livro de memórias Crítica: 'Um hino à vida', de Gisèle Pelicot , traz olhar pessoal sobre caso de violência sexual "Ela quebrou o tabu da vergonha e transformou o silêncio em consciência coletiva. Hoje, concedemos a Gisèle Pelicot a Ordem do Mérito Civil", declarou o primeiro-ministro na rede social X. Initial plugin text Segundo um comunicado oficial, Pedro Sánchez enfatizou a "determinação" de Pelicot em "liderar um movimento que transcende fronteiras, apoiando e promovendo uma mudança cultural essencial para a sociedade como um todo, por meio da defesa dos direitos e liberdades das mulheres". Sánchez também expressou seu "profundo respeito" por ela. Nas últimas semanas, Gisèle Pelicot visitou diversos países europeus para apresentar seu livro, "E a Alegria de Viver", no qual relata os estupros orquestrados por seu ex-marido, sob efeito de drogas, contra dezenas de homens, bem como o julgamento histórico que a tornou um símbolo global na luta contra a violência sexual. Ícone global: Gisèle Pelicot recebe mais alta honraria da França Em Londres, ela foi recebida pela Rainha Camilla. Seu livro foi lançado mundialmente em 17 de fevereiro e publicado em 22 idiomas. No final de fevereiro, a obra, escrita em parceria com a jornalista Judith Perrignon, alcançou o topo da lista de mais vendidos na França. Julgamento público Na obra, a francesa de 73 anos também recorda o julgamento de Avignon em 2024, de repercussão internacional pela magnitude dos fatos, o número de acusados e a decisão de solicitar que as audiências fossem públicas. Embora inicialmente quisesse que o julgamento fosse a portas fechadas, acabou decidindo que fosse aberto ao público e que a vissem cara a cara com seus agressores, para que "a vergonha mudasse de lado", afirmou. "Quando lembro do momento em que tomei minha decisão, penso que, se eu tivesse vinte anos a menos, talvez não tivesse ousado rejeitar o julgamento a portas fechadas. Teria temido os olhares, esses malditos olhares com os quais uma mulher da minha geração sempre teve que lidar", afirma nas memórias, segundo o Le Monde. "Talvez a vergonha vá embora mais facilmente quando você tem setenta anos e ninguém presta mais atenção em você. Não sei. Não tinha medo das minhas rugas, nem do meu corpo", escreve. Veja imagens do caso de Gisèle Plicot, que foi dopada pelo marido para ser estuprada por estranhos durante anos