Carta de Trump ao Congresso justificando os ataques ao Irã não menciona nenhuma ameaça iminente aos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou ao Congresso que ordenou às Forças Armadas do país que realizassem ataques aéreos generalizados contra o Irã, matando seus principais líderes e provocando contra-ataques em toda a região, a fim de promover os interesses nacionais americanos e eliminar o Irã como uma ameaça global, contradizendo a alegação de seu governo de que o ataque era necessário para responder a uma ameaça iminente. Em uma carta não confidencial, exigida por lei, enviada na segunda-feira, e cujos dados foram revelados nesta terça-feira, o republicano declarou que a operação militar foi planejada para “neutralizar as atividades malignas do Irã”. Ao vivo: Sob pressão, governo Trump intercala justificativas contraditórias para defender esforço de guerra contra o Irã Entenda: No Congresso dos EUA, 'tropa de choque' de Trump defende legalidade de guerra contra o Irã, mas objetivos seguem incertos O material foi enviado em meio a explicações contraditórias de altos funcionários do governo sobre a justificativa para os ataques, colocando em questão sua legalidade, enquanto a Câmara e o Senado se preparam para votar esta semana se o presidente precisa da autorização do Congresso para usar a força no Irã. Segundo o documento, a missão tinha como alvo o arsenal de mísseis, o programa nuclear e a marinha do Irã, alinhando-se com os objetivos delineados pelo secretário de Estado, Marco Rubio, no Capitólio na segunda-feira. E estabelecia uma ampla gama de objetivos estratégicos. O presidente escreveu que os ataques foram realizados para proteger o território dos EUA e as forças na região, e “promover os interesses nacionais vitais dos Estados Unidos, incluindo garantir o livre fluxo do comércio marítimo através do Estreito de Ormuz”. A carta não mencionava planos para derrubar a atual liderança em Teerã, embora o presidente tenha exortado os iranianos a “tomarem o controle do seu governo” quando os Estados Unidos lançaram seu primeiro ataque na manhã de sábado. Ela ecoava a justificativa apresentada por Rubio de que os Estados Unidos agiram no fim de semana porque Israel estava preparado para atacar com ou sem o governo Trump, e que os contra-ataques iranianos teriam como alvo as tropas americanas. Impactos no Estreito de Ormuz e cerco a Khamenei: Infográficos mostram raio-x da guerra no Oriente Médio O texto ainda dizia que a campanha de bombardeios americano-israelense em Teerã, que matou o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, foi realizada “em autodefesa coletiva de nossos aliados regionais, incluindo Israel”. Mas o magnata rejeitou nesta terça-feira a ideia de que Israel o forçou a agir antes dos ataques. — Não, eu é que posso ter forçado a mão deles — disse Trump a repórteres no Salão Oval. Rubio também procurou, nesta terça-feira, voltar atrás em sua própria sugestão, feita um dia antes, de que os ataques foram realizados para enfrentar a “ameaça iminente” de que um ataque de Israel levaria o Irã a atacar as forças americanas. Autoridades com acesso à inteligência americana afirmaram que Trump exagerou a urgência de qualquer ameaça que o Irã representasse para os Estados Unidos. Análise: Regime do Irã pode sobreviver, mas o Oriente Médio será transformado A carta também afirmava que nenhuma força terrestre foi utilizada nos ataques, mas sugeria que os Estados Unidos poderiam estar envolvidos em uma operação militar prolongada contra o Irã, um resultado que altos funcionários do governo Trump, incluindo Rubio, não descartaram. “Embora os Estados Unidos desejem uma paz rápida e duradoura, não é possível, neste momento, saber o alcance total e a duração das operações militares que podem ser necessárias”, afirmava a carta. A carta especificava que o governo a enviou ao Congresso em um esforço para manter os legisladores “totalmente informados” sobre a operação, em conformidade com a lei dos poderes de guerra. O Senado e a Câmara dos Deputados estão se preparando para votar nos próximos dias resoluções que buscam impedir Trump de continuar atacando o Irã sem a aprovação do Congresso sob essa lei, mas espera-se que os republicanos bloqueiem os projetos de lei.