O liquidante do Banco Master, a EFB Regimes Especiais de Empresas, pediu à Justiça dos Estados Unidos que congele uma mansão na Flórida que seria de propriedade de familiares de Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira. Segundo a petição, a propriedade foi comprada por US$ 32 milhões com dinheiro desviado do suposto esquema de fraudes financeiras e deveria ser utilizada para pagar as vítimas do escândalo. “O preço de compra do Imóvel 9538 estabeleceu um novo recorde para uma residência unifamiliar na região central da Flórida”, ressaltou a petição. O documento sustenta que Henrique Vorcaro e Natália Vorcaro, pai e irmã do banqueiro, utilizaram a empresa Sozo para adquirir a mansão, em fevereiro de 2023, como parte de um suposto esquema para "comprar ativos com recursos desviados do Master", dando "continuidade à fraude". O texto diz que, em fevereiro de 2026, a Sozo se empenhou em fechar "com urgência" a venda do imóvel para uma empresa, de Delaware. Por isso, o liquidante explica que moveu a ação na Justiça norte-americana para impedir a transação e colocar a propriedade sob custódia da liquidante do Master. "Diante do exposto, o Liquidante requer que este Juízo imponha um "construtive trust" sobre o Imóvel 9538 em favor do Banco Master, ou, alternativamente, que estabeleça um ônus real de natureza equitativa sobre o referido imóvel em favor do Liquidante, em nome do Banco Master", diz o texto. “Construtive trust” consiste em uma figura jurídica americana aplicada para penhorar um bem utilizado num esquema criminoso como garantia de pagamento para as vítimas. Na petição, a empresa escolhida pelo Banco Central para cuidar da liquidação do Master dize que Vorcaro e seus familiares estão implicados em "atos fraudulentos" que resultaram na apropriação indébita de pelo menos 1 bilhão de dólares dos devedores do banco.