Ofensiva dos EUA e de Israel contra Irã viola direito internacional, diz Macron; França e Reino Unido aumentam defesas no Oriente Médio

Em pronunciamento na televisão local nesta terça-feira, o presidente da França, Emmanuel Macron, voltou a criticar os Estados Unidos e Israel pelos ataques iniciados no sábado contra o Irã. Para o líder francês, a decisão viola o direito internacional. A escalada do conflito já provoca movimentações no Reino Unido, que vem ampliando sua presença militar na região, e abriu uma nova frente de tensão diplomática entre Washington e a Espanha, que se recusou a ceder bases militares para as operações americanas. Guerra no Oriente Médio: acompanhe a cobertura completa 'Decisão de ataque foi dos EUA': Trump diz que poder militar do Irã 'foi quase todo foi eliminado' e contradiz Rubio — Os Estados Unidos e Israel decidiram lançar operações militares conduzidas fora do direito internacional, algo que não podemos aprovar — afirmou. Apesar da crítica, Macron declarou que Teerã tem “responsabilidade primária” pela escalada. Ele afirma que o programa nuclear “perigoso” do Irã, o apoio a grupos aliados na região e a repressão contra “seu próprio povo” contribuíram para o confronto, segundo a rede al-Jazeera. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão da ONU, afirma que não há evidências de que o Irã esteja produzindo uma bomba nuclear. Diante da deterioração da situação no Oriente Médio, Macron anunciou o envio de reforços militares franceses à região. O porta-aviões Charles de Gaulle, acompanhado por sua escolta de fragatas e meios aéreos, foi deslocado para o Mediterrâneo. O presidente também informou que aviões Rafale, sistemas de defesa antiaérea e aeronaves de radar foram mobilizados “nas últimas horas”, além do envio da fragata Languedoc e equipamentos antiaéreos para o Chipre. Tensão regional: com ataques às monarquias do Golfo, Irã eleva custo da guerra à região e impõe escolhas difíceis aos vizinhos Segundo Macron, a França já abateu drones “em legítima defesa” desde as primeiras horas do conflito, e duas bases francesas foram alvo de “ataques limitados”, que provocaram apenas danos materiais. O presidente ressaltou que Paris mantém acordos de defesa com Catar, Kuwait e Emirados Árabes Unidos e que “demonstrará solidariedade” a seus parceiros na região. Além disso, os dois primeiros voos para evacuar cidadãos franceses da região devem aterrissar em Paris ainda nesta terça-feira. Reino Unido amplia presença militar O Reino Unido também reforçou sua presença militar na região após a base britânica de Akrotiri, no Chipre, ser atingida por um drone iraniano. O primeiro-ministro Keir Starmer anunciou o envio de um navio de guerra e helicópteros adicionais. Initial plugin text Segundo Starmer, a mobilização integra um “esforço defensivo” para proteger militares destacados na região. O porta-voz do premier, David Pares, afirmou que Londres já mobilizou “um nível significativo de capacidade defensiva”, incluindo sistemas de radar, defesa aérea e caças F-35 para proteger suas instalações na ilha. De acordo com o Ministério da Defesa britânico, os caças F-35 da Força Aérea Real derrubaram drones hostis sobre a Jordânia, o Iraque e o Catar. Segundo a pasta, é a primeira vez que F-35 britânicos abatem alvos durante uma operação ativa. As aeronaves, projetadas para serem de difícil detecção e rastreamento, atuam na “defesa ativa de parceiros em toda a região como parte de uma ação defensiva coordenada”, afirmou o ministério, que divulgou imagens e vídeos das operações. Washington: Carta de Trump ao Congresso justificando os ataques ao Irã não menciona nenhuma ameaça iminente aos EUA Apesar de ter cedido uma de suas bases aos Estados Unidos, o Reino Unido reiterou que sua participação no conflito deve se restringir a ações defensivas. O posicionamento gerou desgaste com Washington. Em entrevista ao jornal britânico The Sun, o presidente Donald Trump afirmou que as relações entre os dois países “já não são mais as mesmas” e criticou o que chamou de falta de cooperação do premier Keir Starmer. Trump também afirmou que Starmer teria “demorado muito tempo” para autorizar o uso da base britânica de Diego Garcia, no Oceano Índico, em operações americanas. Tensão com a Espanha O embate se estendeu também à Espanha. Trump ameaçou cortar todo o comércio com o país após o governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez negar o uso de bases militares espanholas, incluindo aeronaves essenciais de reabastecimento, por aeronaves americanas envolvidas nos ataques ao Irã. Madri considerou a operação uma violação do direito internacional. Sánchez classificou a ofensiva como uma “intervenção militar injustificada e perigosa”. Crise no Oriente Médio: Itamaraty condena ataques entre Israel e Hezbollah e diz que não há brasileiros entre vítimas Em resposta, Trump afirmou que a negativa espanhola não impediria os Estados Unidos de utilizar as instalações militares, sugerindo que os EUA “não precisam de permissão” para utilizar as bases. — Podemos usar a base se quisermos. Podemos simplesmente voar até lá e usar, ninguém vai nos dizer que não podemos usar. Mas não precisamos — declarou o presidente durante uma coletiva improvisada no Salão Oval. Trump também criticou a Espanha por não elevar seus gastos militares na OTAN para 5% do PIB, como defendeu, e afirmou ter orientado o secretário do Tesouro, Scott Bessent, a “cortar todas as relações” com o país. Guerra no Oriente Médio: entenda como problema de munição pode limitar opções de EUA, Israel e Irã O governo espanhol reagiu afirmando que dispõe de recursos para “conter possíveis impactos” e diversificar cadeias de suprimento. A Comissão Europeia também saiu em defesa de Madri, destacando que a política comercial é conduzida pela União Europeia. Escalada e risco no Golfo A guerra no Oriente Médio foi desencadeada no sábado pelos ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã, que resultaram na morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. Em resposta, Teerã passou a atingir alvos em países do Golfo aliados de Washington, incluindo bases militares e interesses americanos. O conflito elevou a tensão no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo, que permanece fechado ao tráfego. Diante do risco à navegação, Macron afirmou que pretende articular uma coalizão internacional para garantir a segurança das “vias marítimas essenciais para a economia mundial”. Presidente americano: Trump critica Biden por envio de armas à Ucrânia, mas insiste que EUA têm munições 'ilimitadas' para travar guerras 'para sempre' O Irã advertiu nesta terça-feira que considerará um “ato de guerra” a eventual entrada direta de países europeus no conflito. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, afirmou que qualquer ação para neutralizar mísseis iranianos seria vista como “cumplicidade com os agressores”. Alemanha, França e Reino Unido haviam indicado, em comunicado conjunto divulgado no domingo, que poderiam adotar medidas defensivas para conter ataques iranianos na região.