O governo do DF conseguiu uma vitória com a aprovação em primeiro turno do projeto de lei por 14 a 10 na Câmara Distrital que pede autorização para um conjunto de ações para socorrer o banco, como um aporte direto do controlador ou um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ou aos bancos. O governo também pede autorização para usar nove imóveis públicos para formar um fundo imobiliário, ceder ao BRB ou usar de garantia para as operações de crédito. Os líderes se reuniram antes da sessão para ver se iriam votar ou não o projeto. Antes da reunião, governador do DF, Ibaneis Rocha, enviou aos deputados distritais material complementar ao projeto de lei que viabiliza o socorro ao banco estatal BRB, com as informações solicitadas pelos parlamentares na reunião de ontem com o presidente da instituição, Nelson Souza. Foram encaminhados laudos, informações sobre imóveis e terrenos, além de certidões. Durante a sessão, o deputado Gabriel Magno (PT) afirmou que, há seis meses, o então presidente do BRB, Paulo Henrique, disse que, se o projeto envolvendo o Banco Master não fosse aprovado, o BRB estaria em risco. A Câmara aprovou a matéria, mas semanas depois o Banco Central cancelou o negócio. — Ontem foi o mesmo método, a mesma ameaça: se não aprovar amanhã, o BRB não se sustenta. Qual documento sustenta essa tese? Nenhum. O projeto de lei não traz uma linha sobre isso. A deputada Paula Belmonte (PSDB) exibiu um “cheque em branco” no plenário. — Foi dada a palavra do governo, do presidente do BRB, de que seriam entregues os registros e as avaliações dos imóveis. Até agora, temos apenas o registro de três. Isso é um cheque em branco ou é outra coisa? Em voto em separado, o deputado Chico Vigilante (PT) afirmou que a Câmara Legislativa não pode autorizar a alienação de imóveis sem conhecer o respectivo valor, sem a devida demonstração de interesse público e sem a observância dos procedimentos previstos na Lei Orgânica. — A gravidade se acentua quando o projeto autoriza o governador a promover ajustes na Lei Orçamentária sem especificar quais alterações serão realizadas. Governos passam. Nossas vidas continuam depois de Ibaneis e Celina. Os deputados da base já erraram ao autorizar a compra do Banco Master sem conhecer todas as informações que o governo ocultava. Espera-se que não incorram no mesmo erro novamente. Por todo o exposto, entendo que o Projeto de Lei nº 2.175, de 2026, não atende aos preceitos de constitucionalidade, juridicidade, legalidade, regimentalidade e técnica legislativa, razão pela qual voto por sua inadmissibilidade. O deputado Jorge Vianna (PSD) afirmou que votará a favor do projeto e declarou que tanto os empregados do banco quanto os parlamentares foram enganados. — Os trabalhadores não estão aqui apenas por medo de perder o emprego, mas porque querem que o banco saia dessa situação. Muitos estão envergonhados de trabalhar numa empresa envolvida em tanta crise. Seria até antagônico divergirmos da vontade dos trabalhadores, que são a razão de estarmos aqui. É estranho ver a oposição assumir a bandeira da classe trabalhadora. Mas isso faz parte da democracia.