O relator da CPMI do INSS , deputado Alfredo Gaspar (União-AL), protocolou dois novos requerimentos que miram diretamente a J&F Participações, holding que controla a JBS, e incluem pedido de quebra de sigilos bancário e fiscal da empresa. O parlamentar também pede a convocação de seu presidente, José Antonio Batista Costa, para prestar depoimento. + Alcolumbre mantém quebra de sigilo de Lulinha aprovada na CPMI do INSS Os documentos indicam que transferências milionárias feitas pela holding teriam abastecido estruturas empresariais consideradas suspeitas e que, posteriormente, distribuíram recursos a pessoas físicas e jurídicas relacionadas a operadores investigados na CPMI. https://www.youtube.com/watch?v=Gk3WzGM0tRk Transferências milionárias sob investigação No pedido de quebra de sigilo, o relator solicitou que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras elabore Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) e que sejam acessados dados bancários e fiscais da J&F referentes ao período de 2024 a 2025. Segundo o documento, a medida se justifica por “indícios objetivos de repasses de elevadíssima monta a estrutura empresarial com baixa aderência econômico-operacional”, em um contexto temporal que coincide com decisões administrativas relevantes no âmbito do INSS. + Viana, sobre Alcolumbre manter quebra de sigilo de Lulinha: ‘Não vamos blindar ninguém’ Entre as operações citadas, o relator apontou que a empresa CCT Consultoria e Gestão recebeu R$ 36.567.186,00 entre novembro de 2024 e janeiro de 2025, sendo praticamente todo o valor proveniente de pagamentos da J&F. https://www.youtube.com/watch?v=NqVYF4nyo0Q Depois do recebimento, os recursos teriam sido rapidamente distribuídos a outras empresas e pessoas físicas. De acordo com o requerimento, parte do dinheiro foi transferido para a BGS Gestão em Saúde Ltda, empresa criada por Danilo Berndt Trento, além de repasses diretos ao próprio Trento e a empresas ligadas a ele e a seus familiares. Suspeita de triangulação Nos documentos protocolados, o relator descreveu um circuito de transferências que envolveria diversas empresas e pessoas ligadas entre si. “Evidenciando circuito de repasses que parte do depósito de grande monta na CCT e se pulveriza, em sequência, para pessoas e empresas relacionadas”, afirmou. + CPMI do INSS dá prazo de 5 dias para envio de dados da quebra de sigilo de Lulinha Entre os destinatários dos recursos aparece também a T5 Participações, empresa que já teve Danilo Trento como sócio e que apresentaria características típicas de empresa de fachada. Gaspar sinalizou no documento que a companhia passou a ser registrada em nome de uma pessoa com renda incompatível com o porte da empresa e sem estrutura operacional. “A T5 Participações, portanto, tem características de empresa tipicamente de fachada, sem funcionários, e comandada por interposta pessoa”, informou no ofício. https://www.youtube.com/watch?v=dLGyoovAgiQ Relações com dirigentes do INSS Os documentos também apontaram vínculos entre operadores privados e dirigentes do INSS. Segundo o relator, Trento teria viajado em novembro de 2024 com Virgílio Oliveira Filho, então procurador-geral do instituto, no mesmo dia em que foi publicada a instrução normativa que instituiu o programa Meu INSS Vale+. Além disso, empresas ligadas ao operador teriam transferido mais de R$ 4,3 milhões para a empresa THJ Consultoria, pertencente à esposa do ex-procurador. “Tais fatos reforçam a necessidade de esclarecer a eventual existência de intermediações, contrapartidas, triangulações e beneficiários finais no circuito descrito.” https://www.youtube.com/watch?v=GqaTJXCuh88 Programa Meu INSS Vale+ Ainda nos requerimentos, Gaspar citou a coincidência temporal entre os fluxos financeiros investigados e a criação e expansão do programa Meu INSS Vale+, iniciativa do INSS voltada à antecipação de valores para beneficiários. O relator elencou uma série de atos administrativos relacionados ao programa (incluindo sua criação, ampliação e posterior suspensão) que ocorreram no mesmo período das transferências milionárias. Para o relator, a coincidência de datas exige investigação mais aprofundada: “A congruência cronológica, por si, não define responsabilidade, mas impõe verificação técnica sobre eventual correlação entre decisões e benefícios administrativos e fluxos financeiros”. O programa teria chegado a ser operacionalizado em parceria com o PicPay, empresa vinculada ao grupo J&F. Convocação do presidente da holding na CPMI Além da quebra de sigilos, Gaspar também pediu a convocação de José Antonio Batista Costa, presidente da J&F, para prestar depoimento à CPMI. No requerimento, o parlamentar afirma que a presença do executivo é necessária para esclarecer os motivos das transferências e os mecanismos internos de autorização dos pagamentos. “A convocação do presidente da J&F é necessária para que esclareça a causa econômica, a finalidade e a cadeia de autorização dos pagamentos, bem como os procedimentos internos de compliance aplicados a repasses de grande monta.” + Leia mais notícias de Política em Oeste O post Relator da CPMI do INSS mira grupo J&F e pede quebra de sigilo e convocação de presidente da holding apareceu primeiro em Revista Oeste .