Donald Trump faz duras críticas ao líder do Reino Unido, aliado histórico dos americanos

Em meio à guerra no Irã, Trump critica primeiro-ministro do Reino Unido: 'não é Winston Churchill' Durante os compromissos desta terça-feira (3) na Casa Branca, Donald Trump fez críticas duras ao líder de outro país europeu - um aliado histórico dos Estados Unidos. Mais que uma ofensiva militar, Donald Trump fez ataques simbólicos. Na mira dele, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer. Trump disse que não anda satisfeito com o Reino Unido. Criticou a decisão de Downing Street de não se envolver nas ações iniciais contra o Irã, nem autorizar o uso das bases britânicas para operações de ataque. Starmer disse que não acredita que a mudança do regime iraniano venha dos céus – em uma referência às bombas lançadas por Israel e Estados Unidos. Na segunda-feira (2), no Parlamento, falou que tem como prioridade os interesses britânicos e explicou os motivos de ter autorizado os Estados Unidos a usarem as bases do país apenas para fins de defesa. Keir Starmer botou o dedo na ferida: disse que o país aprendeu com os erros do passado, depois de apoiar os Estados Unidos na guerra do Iraque. “Eu lembro perfeitamente que a carreira do primeiro-ministro Tony Blair foi muito afetada. Ele afiançou que o Iraque tinha, sim, armas de destruição em massa. Os fatos provaram que não havia nenhuma arma de destruição em massa no Iraque”, diz Leonardo Trevisan, professor de Relações Internacionais/ ESPM. A guerra no país matou 179 militares britânicos. “É uma amarga lição a questão do Iraque, e os ingleses não esqueceram”, afirma Leonardo Trevisan. Donald Trump faz duras críticas ao líder do Reino Unido, aliado histórico dos americanos Jornal Nacional/ Reprodução Nesta terça-feira (3), na Casa Branca, ao lado do chanceler alemão, Donald Trump respondeu às declarações de Starmer com uma provocação. Ele falou: “Não estamos lidando com Winston Churchill”. Churchill foi um dos líderes mais importantes do século 20. Foi primeiro-ministro do Reino Unido no momento mais crítico da Segunda Guerra Mundial e virou símbolo da aliança que derrotou Adolf Hitler. Com Churchill no governo, americanos e britânicos se uniram para expulsar os nazistas da França na operação conhecida como Dia D - que mudou os rumos do conflito. “Starmer podia ter lembrado a Trump principalmente a relação de amizade inquebrantável dos americanos para Churchill e de Churchill para os americanos. Churchill não era imprevisível. Churchill não ia dormir pensando de um jeito e acordava de outro. Outros presidentes são assim” diz Leonardo Trevisan. Donald Trump, que antes vivia em uma lua de mel com Keir Starmer, decidiu agora empurrá-lo do precipício. Essa terça-feira (3) foi a terceira vez, em menos de uma semana, que ele bombardeou o britânico com críticas. A parceria histórica entre os dois países tem enfrentado dias difíceis - um tipo de crise que já virou marca da estratégia Trump. Nesta terça-feira (3), Starmer anunciou o envio de um navio de guerra e de um helicóptero para a base britânica no Chipre - atacada na segunda-feira (2). Também nesta terça-feira (3), caças do Reino Unido abateram drones inimigos que sobrevoavam a Jordânia, um dos países bombardeados pelo Irã. “A ideia de fraqueza ou força de líderes está aprovada em momentos de crise. Líderes têm objetivos, líderes têm planos definidos, não oscilam ao sabor dos ventos. Me parece que Starmer manteve exatamente essa posição de proteger os interesses britânicos, de lembrar alguns valores constitucionais. Talvez o interlocutor de Starmer tenha se esquecido desses fatos”, afirma Leonardo Trevisan. LEIA TAMBÉM O que está por trás do confronto entre Israel, Irã e Estados Unidos e o que podemos esperar? O que revelam as imagens da sala de guerra de onde Trump supervisionou ataque ao Irã Como era o prédio e como funciona a reunião que escolhe o novo líder supremo do Irã, atacados por Israel Escalada nuclear pode ser fatal para a humanidade: 'Vida na Terra seria inviabilizada', diz especialista