Seja por terra ou por ar, os governos europeus têm se apressado em estabelecer rotas de fuga para centenas de milhares de seus cidadãos que estão entre os viajantes retidos no Oriente Médio, já que os ataques aéreos interromperam as operações dos aeroportos e forçaram o fechamento do espaço aéreo. Os Estados Unidos também instaram os americanos a deixar a região imediatamente na segunda-feira, mas só começaram a divulgar planos para ajudá-los na terça-feira. Ao vivo: Sob pressão, governo Trump intercala justificativas contraditórias para defender esforço de guerra contra o Irã Imagem em xeque: Com ataques às monarquias do Golfo, Irã eleva custo da guerra à região e impõe escolhas difíceis aos vizinhos Karoline Leavitt, porta voz da Casa Branca, garantiu que o Departamento de Estado estava “trabalhando ativamente em planos para ajudar os americanos no Oriente Médio a voltar para casa”. Depois, Dylan Johnson, um oficial da pasta, afirmou em uma postagem nas redes sociais que o governo estava “procurando ativamente aeronaves militares e voos fretados para os cidadãos americanos que desejam deixar o Oriente Médio”. O departamento, segundo o funcionário, estava em contato com quase 3 mil americanos no exterior. Initial plugin text Em comunicado divulgado também na terça-feira, o Departamento de Estado afirmou que estava “facilitando voos fretados dos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Jordânia para cidadãos americanos, e continuará a garantir capacidade adicional conforme as condições de segurança permitirem”. O departamento ainda afirmou que estava ajudando os americanos a reservar voos comerciais disponíveis na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Omã e Egito, acrescentando que dispensaria a exigência de reembolsar o governo pelas despesas de viagem. Quando perguntado sobre a lentidão na resposta para retirada dos americanos, o presidente dos EUA, Donald Trump, respondeu durante uma coletiva de imprensa na Sala Oval na terça-feira com o chanceler Friedrich Merz, da Alemanha, que “tudo aconteceu muito rapidamente”. — Achei que íamos ter uma situação em que seríamos atacados — disse Trump sobre o Irã, acrescentando: — Eles estavam se preparando para atacar Israel. Estavam se preparando para atacar outros. No Capitólio, o secretário de Estado Marco Rubio disse que mais de 1.500 pessoas estavam pedindo ajuda aos Estados Unidos para sair da região afetada pelo conflito. O esforço de retirada do governo dos EUA ocorreu menos de um dia depois que outro funcionário instou os nacionais a partirem por conta própria. Entenda: Como a República Islâmica montou programa nuclear alvo de ataque de EUA e Israel Os americanos que desejavam deixar Israel tinham “opções MUITO LIMITADAS”, disse Mike Huckabee, embaixador dos EUA no Estado judeu. Ele aconselhou os cidadãos a pegarem um ônibus operado pelo governo israelense para Taba, no Egito, uma cidade perto de uma passagem de fronteira onde eles poderiam tentar pegar voos comerciais de volta. O pessoal da chancelaria estadunidense em Jerusalém estava se abrigando no local, disse ele, mas não estava ajudando os americanos. “A Embaixada dos EUA não está em condições, neste momento, de evacuar ou ajudar diretamente os americanos a deixar Israel”, sustentou Huckabee na ocasião. Initial plugin text Na segunda-feira, o Departamento de Estado dos EUA também instou os americanos em mais de uma dúzia de países do Oriente Médio, incluindo Bahrein, Egito, Irã, Iraque, Líbano e Emirados Árabes Unidos, a deixar a região “usando o transporte comercial disponível”. E Rubio pediu aos seus cidadãos no Oriente Médio que se registrassem no Programa de Inscrição de Viajantes Inteligentes, que permite ao governo dos EUA entrar em contato com americanos no exterior para fornecer atualizações. Não ficou claro quantos americanos estavam na região e a extensão exata dos planos de retirada, mas o Departamento de Estado disse na terça-feira que mais de 9 mil americanos haviam retornado em segurança do Oriente Médio, incluindo mais de 300 de Israel. Alguns viajantes disseram nas redes sociais que foram informados de que não havia planos de retirada. Vários países ocidentais estavam elaborando seus próprios planos. Europeus entram em cena A ministra das Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, disse na terça-feira, em discurso na Câmara dos Comuns, que um voo fretado pelo governo deveria partir de Muscat, em Omã, nos próximos dias, com prioridade para cidadãos vulneráveis. Até a manhã de terça-feira, 130 mil britânicos haviam registrado sua presença no consulado local, disse ela, e o governo estava trabalhando com as companhias aéreas para aumentar os voos de Muscat para cidadãos britânicos. Ataques às monarquias do Golfo: Irã eleva custo da guerra à região e impõe escolhas difíceis aos vizinhos Impactos no Estreito de Ormuz e cerco a Khamenei: Infográficos mostram raio-x da guerra no Oriente Médio — Esta é uma situação que evolui muito rapidamente — disse ela. O presidente Emmanuel Macron, da França, disse em um discurso televisionado na terça-feira que o governo estava se preparando para evacuar os seus cidadãos na região, que somam cerca de 400 mil, começando com dois voos na noite de terça-feira. Enquanto o ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, disse que o país daria prioridade ao retorno de doentes, idosos e crianças. Ele pediu aos franceses que se registrassem no Fil d'Ariane, o registro de viagens do governo, para que as autoridades pudessem contatá-los. A Alemanha, que informou ter cerca de 30 mil turistas retidos na região do Golfo, disse que também daria prioridade à volta de doentes e idosos, com voos fretados decolando principalmente de Omã e da Arábia Saudita. Já a Itália fretou voos na terça-feira para cerca de 500 de seus cidadãos que estavam retidos nos Emirados Árabes Unidos e disse que fretaria mais voos para trazer milhares de outros cidadãos de volta do Oriente Médio. O Ministério das Relações Exteriores disse que estava usando ônibus para transportar italianos para países como Omã, onde havia voos disponíveis. A Espanha disse que também havia começado a evacuar seus cidadãos do Oriente Médio, com 175 pessoas previstas para pousar em Madri vindas de Abu Dhabi na tarde de terça-feira. E o braço executivo da União Europeia disse que intensificaria o apoio aos esforços de evacuação e repatriação dos Estados-membros europeus. Caos se espalha pelo globo As preocupações com as pessoas retidas se espalharam para outras partes do globo. Em um comunicado divulgado no domingo, o Comitê de Segurança do Gabinete da Índia “expressou séria preocupação com a segurança e a proteção da grande comunidade de expatriados indianos na região”. Alguns viajantes foram apanhados no caos da retirada às pressas, particularmente aqueles que tiveram que se virar sozinhos. Análise: Regime do Irã pode sobreviver, mas o Oriente Médio será transformado Randy Manner, major-general aposentado dos EUA e ex-vice-comandante geral do Terceiro Exército dos EUA no Kuwait, disse que estava preso nos Emirados Árabes Unidos desde sexta-feira, quando tinha um voo marcado para Bangcoc. — É o cúmulo do absurdo. ‘Saia do país’, mas o espaço aéreo está fechado — disse Manner na terça-feira. Ele afirmou que ligações para duas embaixadas não renderam informações valiosas. — Isso é nada menos que uma falha total do governo dos EUA em fornecer a assistência esperada aos civis americanos em perigo. Tyler Hosford, diretor de segurança da International SOS, uma empresa global de assistência médica e segurança, disse que o governo dos EUA normalmente não organiza opções de repatriação, a menos que “literalmente não haja outra opção”. E embora o registro no programa de viajantes inteligentes do país possa ser útil, isso nem sempre significa que os cidadãos retidos acabarão em uma lista para serem repatriados pelos Estados Unidos. — A responsabilidade de tomar as rédeas da situação é realmente sua — pontuou. Ações do Irã aumentam tensão com Europa: Guerra no Oriente Médio cresce com múltiplos fronts e ataques entre Israel e Hezbollah Embora várias companhias aéreas, incluindo a Emirates e a Etihad Airways, ambas voando dos Emirados Árabes Unidos, tenham começado a operar voos de repatriação limitados para passageiros retidos, as viagens aéreas no Oriente Médio continuaram em grande parte paralisadas devido ao fechamento generalizado do espaço aéreo e dos aeroportos. Cerca de 18 mil voos de e para o Oriente Médio foram cancelados desde sábado, de acordo com a Cirium, uma empresa de análise de aviação. Os aeroportos do Oriente Médio estão entre os mais movimentados do mundo e servem como importantes centros de conexão para viajantes internacionais, ligando as Américas, Europa, África e Ásia. Em circunstâncias normais, cerca de 900 mil assentos por dia estão disponíveis para e dentro da região, de acordo com a Cirium. O gargalo nos voos deixou turistas e viajantes a negócios em pânico, buscando outras maneiras possíveis de sair do Oriente Médio. Alguns viajantes estavam trabalhando com empresas de segurança privada para chegar a cidades como Riade, na Arábia Saudita, e Mascate, em Omã, onde operam aviões comerciais e particulares. Golpe de Estado em 1953: Como a Casa Branca usou espiões da CIA para derrubar governo do Irã A empresa global de gestão de riscos Sicuro Group disse que ajudou mais de 4 mil pessoas em toda a região do Golfo, principalmente viajantes a negócios, mas também turistas e famílias de expatriados, a voltar para casa. — Isso inclui providenciar transporte, monitorar rotas e a situação das fronteiras em tempo real e coordenar voos fretados para clientes corporativos onde a aviação comercial não é uma opção no momento — disse Scott Wilcox, fundador e consultor sênior do grupo. Claire Prunty, uma turista britânica de Hertfordshire que estava visitando Dubai, tinha retorno marcado para segunda-feira. Depois que seu voo foi cancelado, Prunty preencheu um formulário fornecido pelo governo do Reino Unido para confirmar que estava na região. — Você não recebe muitas informações, então se sente um pouco como um dano colateral. Ninguém verifica como você está — a situação, afirmou, a deixou se sentindo oprimida. — Não consigo voltar para casa, ninguém me diz nada, as notícias não são muito claras. Você começa a se sentir impotente. Na terça-feira, Prunty decidiu ligar para sua agência de viagens depois de saber que alguns voos haviam sido retomados e conseguiu uma reserva em um voo de Dubai que deve retornar à Inglaterra na sexta-feira. — Eu não ia ficar esperando — concluiu.